terça-feira, 8 de maio de 2018

Regina Coeli: V Domingo da Páscoa - Ano B

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 29 de abril de 2018

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
A Palavra de Deus, também neste V Domingo de Páscoa, continua a indicar-nos o caminho e as condições para sermos comunidade do Senhor Ressuscitado. Domingo passado foi realçada a relação entre o crente e Jesus Bom Pastor. Hoje o Evangelho propõe-nos o momento no qual Jesus se apresenta como a verdadeira videira e convida-nos a permanecer unidos a Ele a fim de dar muito fruto (cf. Jo 15,1-8). A videira é uma planta que forma um todo com os ramos; e os ramos são fecundos unicamente se estiverem unidos à videira. Esta relação é o segredo da vida cristã e o evangelista João expressa-a com o verbo «permanecer», que no trecho de hoje é repetido sete vezes. «Permanecei em mim», diz o Senhor: permanecer no Senhor.

Trata-se de permanecer com o Senhor para encontrar a coragem de sair de nós mesmos, dos nossos confortos, dos nossos espaços limitados e protegidos, para nos adentrarmos no mar aberto das necessidades dos outros e dar amplo respiro ao nosso testemunho cristão no mundo. Esta coragem de sair de nós mesmos e de nos adentrarmos nas necessidades dos demais brota da fé no Senhor Ressuscitado e da certeza que o seu Espírito acompanha a nossa história. Com efeito, um dos frutos mais maduros que surge da comunhão com Cristo é o compromisso de caridade para com o próximo, amando os irmãos com abnegação de si, até às últimas consequências, como Jesus nos amou. O dinamismo da caridade do crente não é fruto de estratégias, não nasce de solicitações externas, de instâncias sociais nem ideológicas, mas do encontro com Jesus e do permanecer em Jesus. Ele é para nós a videira da qual absorvemos a linfa, ou seja, a “vida” para levar à sociedade uma maneira diversa de viver e de se comprometer, que ponha no primeiro lugar os últimos.

Se formos íntimos com o Senhor como a videira e os ramos são íntimos e unidos, seremos capazes de dar frutos de vida nova, de misericórdia, de justiça e de paz, derivantes da Ressurreição do Senhor. Foi o que fizeram os Santos, aqueles que viveram em plenitude a vida cristã e o testemunho da caridade, porque foram verdadeiros ramos da videira do Senhor. Mas para sermos santos «não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. (...) Todos», todos nós, «somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra» (Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, n. 14). Todos nós somos chamados a ser santos; devemos ser santos com esta riqueza que recebemos do Senhor ressuscitado. Qualquer atividade - o trabalho e o repouso, a vida familiar e social, o exercício das responsabilidades políticas, culturais e econômicas - qualquer atividade, pequena ou grande, se for vivida em união com Jesus e com a atitude de amor e de serviço, é ocasião para viver em plenitude o Batismo e a santidade evangélica.

Nos seja de ajuda Maria, Rainha dos Santos e modelo de comunhão perfeita com o seu Filho divino. Ela nos ensine a permanecer em Jesus, como ramos na videira, e a nunca nos separarmos do seu amor. Com efeito, nada podemos sem Ele, porque a nossa vida é Cristo vivo, presente na Igreja e no mundo.


Fonte: Santa Sé.

Beatificação de Hanna Chrzanowska em Cracóvia

No último dia 28 de abril o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, celebrou no Santuário da Divina Misericórdia no Distrito de Łagiewniki em Cracóvia a Santa Missa para a Beatificação de Hanna Chrzanowska, uma enfermeira durante a II Guerra Mundial.

Entrada do Cardeal
Oração diante do Santíssimo Sacramento

Procissão de entrada

sábado, 5 de maio de 2018

Homilia: VI Domingo de Páscoa - Ano B

São Leão Magno
Tratado 74
Pelo caminho do amor, também nós podemos ascender até Cristo

Exultemos, amadíssimos, com júbilo espiritual e, alegrando-nos diante de Deus com uma digna ação de graças, elevemos livremente os olhos do coração para aquelas alturas onde se encontra Cristo. Que os desejos terrenos não consigam deprimir a quem tem vocação de sublimidade, nem as coisas perecedoras atraiam àqueles que estão predestinados às eternas; que os incentivos enganadores não atrasem aos que têm empreendido o caminho da verdade. Pois de tal maneira os fiéis hão de passar por estas coisas temporais que se considerem como peregrinos no vale deste mundo, no qual, ainda que certas comodidades os adulem, não se entregarão a elas de forma incontrolável, mas superá-las com valentia.

A tal devoção realmente nos estimula o Apóstolo Pedro. Ele, situado na linha daquela dileção que sentiu renascer em seu coração a sombra da trina profissão de amor ao Senhor, que lhe capacita para apascentar o rebanho de Cristo, nos faz esta recomendação: Queridos irmãos, vos recomendo que vos aparteis dos desejos carnais, que combatem em vós. Pelas ordens de quem, senão as do diabo, vos combatem os desejos carnais? Ele se empenha em submeter aos deleites dos bens corruptíveis as almas que tendem aos bens do céu, tratando de afastá-las das sedes das quais ele foi precipitado. Contra suas insídias deve todo fiel vigiar com sabedoria, para que consiga repelir ao seu inimigo servindo-se de sua própria tentação.

Queridos irmãos, nada há de mais eficaz contra os enganos do diabo do que a benignidade da misericórdia e a generosidade da caridade, pela qual se evita ou vence qualquer pecado. Porém, a sublimidade desta virtude não se consegue sem antes eliminar o que lhe é contrário. E existe algo mais contrário à misericórdia e às obras de caridade do que a avareza, de cuja raiz procede o germe de todos os males? Pelo que, se não se contém a avareza em seus próprios incentivos, é inevitável que no campo do coração - daquele em quem a planta deste mal cresce com toda pujança - nasçam mais os espinhos e abrolhos dos vícios do que alguma semente de uma autêntica virtude.

Resistamos, pois, amadíssimos, a este pestífero mal e cultivemos a caridade, sem a qual nenhuma virtude pode resplandecer. De maneira que por este caminho do amor, que Cristo percorreu para descer até nós, possamos também nós subir até ele. A ele a honra e a glória, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 357-358. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Agostinho para este domingo, clique aqui.

Meditações de Dom Bernardo Bonowitz sobre Maria

Neste primeiro sábado do mês de maio, mês que a devoção popular confia à Mãe de Deus, gostaríamos de compartilhar quatro meditações de Dom Bernardo Bonowitz, Abade do Mosteiro Trapista de Nossa Senhora do Novo Mundo (Campo do Tenente - PR), proferidas durante a 55ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil em Aparecida (maio de 2017), no contexto dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Estas meditações podem contribuir muito para compreendermos melhor o lugar que Maria ocupa na Igreja e como deve ser nossa devoção mariana: 

Maria, a Vivente:


Maria, a Vidente:


Maria, a Regente:


Cristo, sujeito da contemplação; Maria, modelo de contemplação:


Dom Bernardo Bonowitz

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Mistério Pascal: centro da Liturgia

Continuando as postagens sobre “Dez aspectos da renovação litúrgica do Concílio Vaticano II”, publicada pelo site Vatican News, trazemos aqui dois textos sobre a centralidade do Mistério Pascal na Liturgia:


No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a reforma litúrgica, abordando na edição de hoje o tema “Mistério Pascal na renovação litúrgica”
Temos dedicado uma série de programas à renovação litúrgica trazida pelo Concílio Vaticano II. Em particular, neste tempo pascal, dedicamos nossos dois últimos programas à valorização da Vigília Pascal. Nesta quarta-feira da segunda semana da Páscoa, Padre Gerson Schmidt nos propõe uma reflexão sobre o tema “O mistério Pascal na Renovação Litúrgica”:
“Na oportunidade anterior, falamos da Vigília Pascal. Hoje, falamos do ponto mais relevante da liturgia. É o ponto-alvo, o target, o centro de tudo: o Mistério Pascal. O Mistério Pascal não está contido somente na Santa Missa, mas em todas as liturgias, em todos os sacramentos e sacramentais.
Diz assim o Catecismo da Igreja Católica a respeito do Mistério Pascal: “Para os fiéis bem-dispostos, quase todo acontecimento da vida é santificado pela graça divina que flui do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual todos os sacramentos e sacramentais adquirem sua eficácia” (CIC, 1670).
Como o sol atrai para sua órbita todos os astros, o Mistério Pascal atrai todas as ações litúrgicas e toda a vida da Igreja. É do mistério pascal que todas as atividades da Igreja recebem sua eficácia. Todos os acontecimentos da nossa vida recebem efusão da vitória de Cristo sobre a morte.
No número 61 da Sacrosanctum Concilium, diz assim: “A liturgia dos sacramentos e dos sacramentais permite que a graça divina, que promana do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual recebem a sua eficácia todos os sacramentos e sacramentais, santifique todos os acontecimentos da vida dos fiéis que os recebem com a devida disposição”.
No número 05 da SC reza assim:  (...) Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, que tem o seu prelúdio nas maravilhas divinas operadas no povo do Antigo Testamento, completou-a o Cristo Senhor, especialmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão; por este mistério, Cristo “morrendo, destruiu a nossa morte e, ressurgindo, deu-nos a vida” (Anáfora da Páscoa). Pois, do lado de Cristo agonizante sobre a cruz nasceu “o admirável sacramento de toda a Igreja”.
Interessante essa frase que repetimos: do lado de Cristo agonizante sobre a cruz nasceu “o admirável sacramento de toda a Igreja”. De fato, a Igreja nasce do lado aberto de Cristo. Somos filhos do coração traspassado de Cristo, que morto, ressuscita glorioso para nossa santificação.
Os liturgistas Ione Buyst e Dom Manoel João Francisco comentam que na época do Concílio foi uma grande novidade usar o termo “Mistério Pascal” como conceito fundamental para a Eucaristia. Muitos padres conciliares estranharam essa expressão, pois até então somente a paixão e morte de Jesus eram consideradas “memórias” da graça da salvação. A eucaristia era entendida simplesmente como sacrifício expiatório, um memorial. Não se podia entender essa linguagem da Missa como atualização concreta para nós hoje do Mistério da Paixão, morte e ressurreição de Cristo". 


No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a renovação litúrgica trazida pelo evento conciliar.
Até Pentecostes vivemos o Tempo Pascal, isto é, o período do Ano litúrgico que segue 50 dias após o Domingo de Páscoa. A palavra "Aleluia" é usada no final das antífonas, temos o Círio Pascal em todas as missas, fala-se da ressurreição e da vida eterna, do batismo, cantamos o Glória.
"Do lado de Cristo agonizante sobre a Cruz - afirma a Sacrosanctum Concilium - nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja". Somos filhos do coração traspassado de Cristo, que morto, ressuscita glorioso para a nossa santificação. Assim, o Mistério Pascal, é o centro de tudo, de toda a liturgia, como vimos em nosso último programa.
Na edição desta quarta-feira, padre Gerson Schmidt - sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre - dá continuidade a este tema, nos trazendo a reflexão: "O Mistério Pascal atualiza-se no agora":
"Pe. Pedro Mosén Farnés foi um dos grandes liturgistas e expoentes do Concílio Vaticano II para trazer a renovação litúrgica proposta na Sacrosanctum Concilium – a Constituição pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos, o mais importante documento litúrgico de todos os tempos (Pedro Farnés faleceu em 24 de março de 2017, em Barcelona, com 91 anos de idade). Apontou diversas vezes que no centro de toda a liturgia está a Páscoa, a vigília Pascal por excelência e a Eucaristia é entendida como Mistério Pascal. O esplendor da Liturgia centrou-se no centro - o Mistério Pascal.
Em cada liturgia, entro nesse dinâmica renovadora dos sacramentos, que não são ritos exteriores e eu um mero expectador, da mesma forma como vou a um cinema. Posso até me envolver emocionalmente, mas sei que apenas sou um assistente, um mero expectador de um espetáculo até bonito e atraente, mas que não me envolve e não me transforma.
Na liturgia, o Mistério Pascal me ressuscita.  Por isso, a Constituição Dogmática Lumen Gentium, no número 03, fala dessa atualização na liturgia do Mistério Pascal em nossas vidas: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção” (LG  03).
O Catecismo da Igreja Católica, renovado na perspectiva conciliar, fala que o mistério Pascal não é coisa do passado simplesmente, mas iluminador do hoje:
“Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente seu mistério pascal. Durante sua vida terrestre, Jesus anunciava seu Mistério pascal por seu ensinamento e o antecipava por seus atos. Quando chegou sua hora, viveu o único evento da história que não passa: Jesus morre, é sepultado, ressuscita dentre os mortos e está sentado à direita do Pai “uma vez por todas” (Rm 6,10; Hb 7,27; 9,12). É um evento real, acontecido em nossa história, mas é único: todos os outros eventos da história acontecem uma vez e depois passam, engolidos pelo passado. O Mistério pascal de Cristo, ao contrário, não pode ficar somente no passado, já que por sua morte destruiu a morte, e tudo o que Cristo é, fez e sofreu por todos os homens participa da eternidade divina, e por isso abraça todos os tempos e nele se mantém presente. O evento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida” (CIC, 1085)
Sobre essa atualização do Mistério da fé em nossas vidas, no agora de nossa história, o catecismo ainda é mais enfático, falando de uma Páscoa mística que não tem ocaso, que perdura ao longo de toda a história:
“Quando celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que marca a oração da Igreja: hoje!, fazendo eco à oração que seu Senhor lhe ensinou e o apelo do Espírito Santo'. Este “hoje” do Deus vivo em que O homem é chamado a entrar é “a hora”; da Páscoa de Jesus que atravessa e leva toda a história: A vida estendeu-se sobre todos os seres, e todos ficam repletos de uma generosa luz; o Oriente dos orientes invadiu o universo, e aquele que era “antes da estrela da manhã” e antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo brilha sobre todos os seres mais que o sol! É por isso que, para nós que cremos nele, se instaura um dia de luz, longo, eterno, que não se apaga: a páscoa mística' (CIC, 1165)".

[1] Palavra técnica inglesa que significa ponto-alvo, a finalidade, a meta a ser atingida.

III Catequese do Papa sobre o Batismo: Força para vencer o mal

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 25 de abril de 2018
O Batismo (3): A força para vencer o mal

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuemos a nossa reflexão sobre o Batismo, sempre à luz da Palavra de Deus.
É o Evangelho que ilumina os candidatos e suscita a adesão de fé: «O Batismo é, de modo totalmente particular, o “sacramento da fé”, uma vez que é a entrada sacramental na vida de fé» (Catecismo da Igreja Católica, 1236). E a fé é a entrega de nós mesmos ao Senhor Jesus, reconhecido como «nascente de água [...] para a vida eterna» (Jo 4,14), «luz do mundo» (Jo 9,5), «vida e ressurreição» (Jo 11,25), como ensina o itinerário percorrido, ainda hoje, pelos catecúmenos já prestes a receber a iniciação cristã. Educados pela escuta de Jesus, pelo seu ensinamento e pelas suas obras, os catecúmenos voltam a viver a experiência da mulher samaritana sedenta de água viva, do cego de nascença que adquire a vista, de Lázaro que sai do sepulcro. O Evangelho traz em si a força de transformar quem o recebe com fé, arrancando-o do domínio do maligno, a fim de que aprenda a servir o Senhor com alegria e novidade de vida.
À pia batismal nunca vamos sozinhos, mas acompanhados pela oração da Igreja inteira, como recordam as ladainhas dos Santos que precedem a prece de exorcismo e a unção pré-batismal com o óleo dos catecúmenos. São gestos que, desde a antiguidade, asseguram a quantos se preparam para renascer como filhos de Deus, que a oração da Igreja os assiste na luta contra o mal, os acompanha no caminho do bem, os ajuda a libertar-se do poder do pecado, a fim de passar para o reino da graça divina. A prece da Igreja. A Igreja reza, e reza por todos, por todos nós! Nós, Igreja, oramos pelos outros. É bom rezar pelos outros. Quantas vezes, quando não temos uma necessidade urgente, não rezamos. Devemos orar pelos outros, unidos à Igreja: “Senhor, peço-vos pelas pessoas que estão em necessidade, por quantos não têm fé...”. Não vos esqueçais: a oração da Igreja está sempre em ação. Mas nós devemos entrar nesta prece e rezar por todo o povo de Deus, e por aqueles que precisam de orações. Por isso, o caminho dos catecúmenos adultos está marcado por reiterados exorcismos pronunciados pelo sacerdote (cf. CIC, 1237), ou seja, por orações que invocam a libertação de tudo o que separa de Cristo e impede a íntima união com Ele. Pede-se a Deus até pelas crianças, para que as liberte do pecado original e as consagre como morada do Espírito Santo (cf. Rito do Batismo das Crianças, n. 56). As crianças. Rezar pelas crianças, pela sua saúde espiritual e corporal. É um modo de proteger as crianças com a oração. Como testemunham os Evangelhos, o próprio Jesus combateu e expulsou os demónios para manifestar a vinda do reino de Deus (cf. Mt 12,28): a sua vitória sobre o poder do maligno deixa espaço ao senhorio de Deus, que rejubila e reconcilia com a vida.
O Batismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que torna quem o recebe capaz de «lutar contra o espírito do mal», acreditando que «Deus enviou ao mundo o seu Filho para destruir o poder de Satanás e transferir o homem das trevas para o seu Reino de luz infinita» (cf. Rito do Batismo das Crianças, n. 56). Sabemos por experiência que a vida cristã está sempre sujeita à tentação, sobretudo à tentação de se separar de Deus, da sua vontade, da comunhão com Ele, para voltar a cair na rede das seduções mundanas. E o Batismo prepara-nos, dá-nos força para esta luta quotidiana, até para a luta contra o diabo que - como diz São Pedro - como um leão, procura devorar-nos, destruir-nos.
Além da oração, há a unção no peito com o óleo dos catecúmenos, os quais «dele recebem vigor para renunciar ao diabo e ao pecado, antes de se aproximarem da fonte e ali renascerem para a nova vida» (Bênção dos óleos, Premissas, n. 3). Devido à propriedade do óleo de penetrar nos tecidos do corpo, proporcionando-lhe benefício, os antigos lutadores costumavam ungir-se de óleo para tonificar os músculos e para ativar mais facilmente as garras do adversário. À luz deste simbolismo, os cristãos dos primeiros séculos adotaram o uso de ungir o corpo dos candidatos ao Batismo com o óleo benzido pelo do Bispo [Eis a prece de bênção, expressiva do significado deste óleo: «Ó Deus, sustentáculo e defesa do vosso povo, abençoai este óleo, no qual quisestes oferecer-nos um sinal da vossa fortaleza divina; concedei energia e vigor aos catecúmenos que serão por ele ungidos, a fim de que, iluminados pela vossa sabedoria, compreendam mais profundamente o Evangelho de Cristo; sustentados pelo vosso poder, assumam com generosidade os compromissos da vida cristã; e, tornando-se dignos da adoção de filhos, tenham a alegria de renascer e viver na vossa Igreja»: Bênção dos óleos, n. 21], com a finalidade de significar, mediante este «sinal de salvação», que o poder de Cristo Salvador fortalece para lutar contra o mal e para o derrotar (cf. Rito do Batismo das Crianças, n. 105).
É cansativo combater contra o mal, escapar dos seus enganos, recuperar a força depois de uma luta extenuante, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Contudo, devemos saber também que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Batismo, não sucumbam às emboscadas do maligno, mas que as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo. Fortalecidos pelo Senhor Ressuscitado, que derrotou o príncipe deste mundo (cf. Jo 12,31), também nós podemos repetir com a fé de São Paulo: «Tudo posso n’Aquele que me dá força» (Fl 4,13). Todos nós podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que nos vem de Jesus.


Fonte: Santa Sé

Festa de Santo Adalberto em Cracóvia

No último dia 23 de abril o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Festa de Santo Adalberto (Święty Wojciech), Co-padroeiro da Polônia (juntamente com Santo Estanislau) na Paróquia de Santo Adalberto e Nossa Senhora das Dores em Cracóvia.

Após a Missa, como é costume nas grandes festas na Polônia, houve procissão com o Santíssimo Sacramento ao redor da igreja e a Bênção.

Imagem de Nossa Senhora das Dores e relíquia de Santo Adalberto
Procissão de entrada

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra