Santa Missa pelo cuidado da criação
Homilia do Papa Leão XIV
Borgo Laudato si’ (Castel Gandolfo)
Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Leituras: Sb 13,1-9; Sl 18; Mt 6,24-34.
Queridos irmãos e irmãs,
Nas leituras escolhidas para a Liturgia de
hoje, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, nos são dirigidos dois
convites à contemplação das obras do Senhor, exercício que certamente não é
difícil no contexto destes maravilhosos jardins.
O Livro
da Sabedoria nos exorta a
contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu
Artífice (cf. Sb 13,1-9). É superficial
limitar-se à contemplação do fogo, do vento, da água impetuosa ou das estrelas
do céu sem recordar o Criador de tantas maravilhas.
O Salmo 18 nos incentiva a elevar o olhar
para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que
anuncia a obra de suas mãos. Toda a criação nos fala da grandeza do Criador,
desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério.
Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6,24-34) nos convida à contemplação da criação, destacando
o amor especial do Senhor pelo ser humano. Admirar com assombro as aves do céu
e os lírios do campo, preciosos aos olhos do Criador, nos leva a compreender
quão grande é o amor de Deus por nós. Com efeito, se o Senhor não deixa de
conferir uma beleza suntuosa e de prover o necessário às plantas e aos animais,
quanto mais atento estará às necessidades dos seus amados filhos e filhas!
Esta tarde, ao aceitarmos o convite para
fazer uma pausa e refletir diante das obras de Deus, damos início ao “Tempo da
Criação”, um período de cinco semanas dedicado à oração e ao empenho no cuidado
da “casa comum”. Portanto, neste Dia Mundial de Oração e nos dias que se
seguem, reservemos alguns minutos de pausa na agitação das atividades
quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte. Coloquemos
em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz
melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.
Esse exercício contemplativo, que favorece o
encontro com o Senhor, constitui um primeiro passo para uma «autêntica
conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se
tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia» (Mensagem para
o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação).
Da contemplação da criação e do encontro com
o Criador nasce a consciência do nosso lugar especial no maravilhoso plano de
Deus e da nossa responsabilidade pessoal e coletiva no cuidado da harmonia original.
Assim, da tomada de consciência das nossas falhas e erros, nasce um esforço
renovado para restaurar as relações entre as criaturas segundo a vontade do seu
Autor.
Por isso, a Mensagem para este Dia
Mundial que celebramos hoje retoma «o apelo profético a “transformar as
espadas em arados” (Is 2,4)», «a transformar o mal em vida». Ainda
não é tarde demais, e o Tempo da Criação nos convida a uma profunda conversão:
«O que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida,
para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para o cuidado da
criação» (ibid.).
O período que hoje inauguramos terminará no
próximo dia 04 de outubro, data em que celebraremos o VIII Centenário do
Trânsito de São Francisco de Assis. Foi nele que o Papa Francisco se
inspirou particularmente para escrever a sua Encíclica Laudato
si’ e dar vida a este lugar que nos acolhe.
Portanto, unamo-nos espiritualmente ao Poverello de
Assis, fazendo nosso o seu cântico de louvor:
«Louvado sejas, meu Senhor, com todas as
tuas criaturas, especialmente meu senhor o irmão Sol, (...)
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e
pelas estrelas, (...)
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
(...)
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água
(...)
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo (...)
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã,
a mãe Terra, que nos sustenta e governa».
Com São Francisco, queremos renovar o nosso
compromisso de viver e promover aquela fraternidade universal que está
inseparavelmente ligada ao dever de cuidar da criação.
Fonte: Santa Sé.


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