sábado, 5 de setembro de 2026

Ângelus: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 30 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Hoje o Evangelho (Mt 16,21-27) nos fala de Jesus que revela aos discípulos o Mistério da sua Páscoa iminente: o Messias deverá «ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia» (v. 21).

O que Ele afirma está muito longe das expectativas deles de um Messias triunfante e poderoso, com cuja ajuda derrotariam e esmagariam os inimigos (cf. Sl 107,14). Já tinham tido oportunidade, durante o tempo que passaram com Ele, de se surpreender com muitos dos seus gestos e palavras. Esta última mensagem, porém, ultrapassa verdadeiramente todas as previsões. Em particular, Pedro manifesta o seu desacordo e repreende Jesus, dizendo-lhe: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!» (Mt 16,22).

Pouco antes tinha reconhecido n’Ele «o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). Agora, porém, surpreendido e talvez desapontado com o que ouviu, em contraste com a belíssima profissão de fé que acabara de fazer, o repreende. Parece dizer-lhe: “Sim, creio que és o Messias, mas não é assim que se salva o mundo”. O seu é um impulso de zelo, certamente animado por um amor sincero, e, no entanto, nos leva a refletir.

Com efeito, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós. Diante dessa incerteza, Pedro, apesar da sua impulsividade, nos ensina duas coisas importantes.

A primeira é nunca interromper, nem mesmo nesses momentos, o diálogo com o Senhor; pelo contrário, manifestar-lhe com confiança até mesmo a nossa dificuldade em compreender o que Ele nos pede.

A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está nos revelando através da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.

E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também nisto.

Jesus lhe responde: «Vai para longe, Satanás!» (v. 23), e explica a ele e aos outros discípulos que, para seguirem os seus passos, deverão negar-se a si mesmos, tomar a sua cruz e segui-lo (cf. v. 24). Pedro o fará: depois de tê-lo ouvido, aceitará o desafio e permanecerá fiel às palavras de Cristo - a quem reconheceu como seu Redentor - durante toda a sua vida, até o martírio.

Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.

Que Maria nos ajude, ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.

Jesus carregando a cruz e Pedro

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
(...) Continuemos a rezar pela paz. Santo Agostinho, cuja memória celebramos nestes dias, dizia que «a paz (...) é semelhante àquele pão que se multiplicava nas mãos dos discípulos do Senhor enquanto eles o partiam e o distribuíam» (Sermão 357, 2). Que aumentem no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça, praticando o perdão, para o bem de todos.
(...)

Fonte: Santa Sé.

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