sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ângelus: XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 06 de setembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
A Palavra de Deus proclamada na Liturgia deste domingo nos oferece alguns critérios fundamentais de pensamento e ação. Lemos na Carta aos Romanos que todos os mandamentos estão resumidos em uma só frase: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo» (Rm 13,9). São Paulo insiste neste ponto com uma imagem muito forte, presente também no “Pai nosso”. Ele escreve: «Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo» (v. 8).

Jesus nos ensinou a suplicar e a praticar a remissão das dívidas. Existe, porém, um patrimônio que devemos uns aos outros, sem ficarmos presos a ele: é a dívida do amor mútuo. Toda a atenção, cuidado e bem que recebemos nos tornam mais livres e capazes de assumir responsabilidades.

No Evangelho deste domingo (Mt 18,15-20) Jesus sugere a cada comunidade cristã pelo menos duas maneiras de exercer o amor mútuo. A primeira é estarmos abertos à correção fraterna. É uma arte delicada e, muitas vezes, esquecida, que exige franqueza e gradualidade. Falar uns com os outros com sinceridade - primeiro a sós; depois, se necessário, com mais duas ou três pessoas; e, por fim, quando for preciso, com toda a comunidade - significa enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em oportunidades de crescimento. As queixas e as calúnias são mais fáceis, mas não produzem nada e paralisam muitas situações. O Evangelho, pelo contrário, nos educa para a liberdade, na caridade.

Há ainda uma segunda forma de amar fraternalmente, que, para Jesus, molda até mesmo a oração: chegar a um acordo. Não apenas quando existe um conflito, mas para pedir a Deus uma graça. O Senhor diz: «Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus» (v. 19). Esta promessa sugere que podemos ter desejos comuns, dores comuns, esperanças comuns e, através da oração, crescer na unidade. Sem fé, cada um poderia sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, vendo-os como estranhos e inimigos. Pela graça, ao contrário, somos irmãos e irmãs que podem estar unidos: encontrando-nos, perdoando-nos e ouvindo-nos uns aos outros no Senhor.

Peçamos a Maria, que após o anúncio do anjo se apressou a ir ter com a sua prima Isabel, para partilhar a alegria e o cansaço da gravidez, que também nos ensine a dívida alegre do amor fraterno.

Ícone copta da amizade:
Exortação ao “amor mútuo” (Rm 13,8)

Fonte: Santa Sé.

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