terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Natal 2022

Papa Francisco
Mensagem Urbi et Orbi de Natal
Domingo, 25 de dezembro de 2022

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, feliz Natal!
Que o Senhor Jesus, nascido da Virgem Maria, traga a todos vós o amor de Deus, fonte de confiança e esperança, juntamente com o dom da paz, que os anjos anunciaram aos pastores de Belém: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2,14).

Neste dia de festa, voltemos o olhar para Belém. O Senhor vem ao mundo numa gruta e é recostado numa manjedoura para os animais, porque os seus pais não conseguiram encontrar hospedagem, apesar de estar quase na hora de Maria dar à luz. Vem entre nós no silêncio e escuridão da noite, porque o Verbo de Deus não precisa de holofotes nem do clamor das vozes humanas. Ele mesmo é a Palavra que dá sentido à existência. Ele é a luz que ilumina o caminho. «O Verbo era a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo - diz o Evangelho -, a todo o homem ilumina» (Jo 1,9).


Jesus nasce no meio de nós, é Deus-conosco. Vem para acompanhar a nossa vida quotidiana, partilhar tudo conosco, alegrias e amarguras, esperanças e inquietações. Vem como menino indefeso. Nasce no frio, pobre entre os pobres. Carecido de tudo, bate à porta do nosso coração para encontrar calor e abrigo.

Como os pastores de Belém, deixemo-nos envolver pela luz e saiamos para ver o sinal que Deus nos deu. Vençamos o torpor do sono espiritual e as falsas imagens da festa que fazem esquecer Quem é o Festejado. Saiamos do tumulto que anestesia o coração induzindo-nos mais a preparar enfeites e presentes do que a contemplar o Evento: o Filho de Deus nascido para nós.

Irmãos, irmãs, voltemo-nos para Belém, onde ressoa o primeiro choro do Príncipe da paz. Sim, porque Ele mesmo - Jesus - é a nossa paz: aquela paz que o mundo não se pode dar a si mesmo e Deus Pai concedeu-a à humanidade enviando o seu Filho ao mundo. São Leão Magno tem uma frase que, na sua concisão latina, bem resume a mensagem deste dia: «Natalis Domini, Natalis est pacis» - «O Natal do Senhor é o Natal da paz» (Sermão 26,5).

Homilia: Festa de São João, Apóstolo e Evangelista

Santo Agostinho, Bispo
Dos Tratados sobre a Primeira Carta de São João
A vida se manifestou em nossa carne

O que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida (1Jo 1,1). Quem poderia tocar a Palavra com suas mãos, a não ser porque a Palavra se fez carne e habitou entre nós? (Jo 1,14).

A Palavra que se fez carne para ser tocada com as mãos, começou a ser carne no seio da Virgem Maria; mas não foi então que a Palavra começou a existir porque, diz João, ela era desde o princípio. Vede como sua Carta é confirmada pelas palavras do seu Evangelho, que acabais de escutar: No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus (Jo 1,1).

Alguns talvez julguem que a expressão Palavra da Vida designe de modo geral a Cristo e não o próprio Corpo de Cristo que foi tocado pelas mãos. Reparai no que vem em seguida: E a Vida manifestou-se (1Jo 1,2). Por conseguinte, Cristo é a Palavra da Vida.

E como se manifestou esta Vida? Ela existia desde o início, mas não tinha se manifestado aos homens; manifestara-se aos anjos que a contemplavam e se alimentavam dela como de seu pão. E o que diz a Escritura? O homem se nutriu do pão dos anjos (Sl 77,25).

Portanto, a Vida se manifestou na carne, para que, nesta manifestação, aquilo que só o coração podia ver, fosse visto também com os olhos, e desta forma curasse os corações. De fato, o Verbo só pode ser visto com o coração, ao passo que a carne pode ser vista também com os olhos corporais. Éramos capazes de ver a carne, mas não éramos capazes de ver a Palavra. Por isso, a Palavra se fez carne que nós podemos ver, para curar em nós o que nos torna capazes de vê-la.

E somos testemunhas, diz João, e vos anunciamos a Vida eterna, que estava junto do Pai e que se tornou visível para nós (1Jo 1,2), isto é, que se manifestou entre nós ou, falando mais claramente, nos foi manifestada.

Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos (1Jo 1,3). Prestai atenção: Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos. Eles viram o próprio Senhor presente na carne, ouviram da boca do Senhor suas palavras e no-las anunciaram. E nós ouvimos certamente, mas não vimos.

Somos, por isso, menos felizes do que eles que viram e ouviram? Por que então acrescenta: Para que estejais em comunhão conosco? (1Jo 1,3). Eles viram, nós não vimos e, contudo, estamos em comunhão com eles porque temos uma fé comum.

E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas, diz João, para que a vossa alegria fique completa (1Jo 1,4). Essa alegria completa encontra-se na mesma comunhão, na mesma caridade, na mesma unidade.

Santo Agostinho

Responsório:

João, na última Ceia reclinou sua cabeça sobre o peito do Senhor.
R. Quão feliz é este Apóstolo, a quem foram revelados os mistérios celestiais!

Bebeu da própria fonte do lado do Senhor as torrentes do Evangelho.
R. Quão feliz é este Apóstolo, a quem foram revelados os mistérios celestiais!

Oração
Ó Deus, que pelo apóstolo São João nos revelastes os mistérios do vosso Filho, tornai-nos capazes de conhecer e amar o que ele nos ensinou de modo incomparável. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das Horas, vol. I, pp. 1092-1094.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Fotos da Missa da Noite de Natal no Vaticano

No dia 24 de dezembro de 2022 o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Santa Missa da Noite na Solenidade do Natal do Senhor na Basílica de São Pedro.

A Liturgia Eucarística foi celebrada pelo Cardeal Giovanni Battista Re, Decano do Colégio Cardinalício, assistido por Monsenhor Ján Dubina.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Diego Ravelli e Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

O Papa acompanha o canto da Kalenda
O diácono desvela a imagem do Menino Jesus
Crianças de diversos países depositam flores junto à imagem
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa da Noite de Natal 2022

Solenidade do Natal do Senhor - Santa Missa da Noite
Homilia do Papa Francisco
Basílica Vaticana
Sábado, 24 de dezembro de 2022

Esta noite, que significado tem ainda para as nossas vidas? Transcorridos dois milênios desde o nascimento de Jesus, após tantos Natais comemorados no meio de enfeites e presentes, depois de tanto consumismo que envolveu o mistério que celebramos, corremos um risco: o de sabermos muitas coisas sobre o Natal, mas esquecermos o seu significado. Como voltar a encontrar o significado do Natal? E sobretudo aonde ir procurá-lo? O Evangelho do nascimento de Jesus parece escrito precisamente para isto: tomar-nos pela mão e levar-nos lá onde Deus quer. Sigamos o Evangelho!

De fato, começa com uma situação parecida com a nossa: todos estavam preocupados e atarefados com um evento importante em desenvolvimento - o grande recenseamento - que exigia muitos preparativos. Neste sentido, o clima de então era semelhante ao que nos envolve, hoje, no Natal. Mas a narração do Evangelho distancia-se daquele cenário mundano. Deixa de lado rapidamente aquela imagem para enquadrar e insistir noutra realidade; detém-se num pequeno objeto, aparentemente insignificante, que menciona três vezes e para o qual convergem os protagonistas da narração: primeiro Maria, que recostou Jesus «numa manjedoura» (Lc 2,7); depois os anjos, que anunciam aos pastores «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (v. 12); em seguida os pastores, que encontram «o menino deitado na manjedoura» (v. 16). A manjedoura! Para voltar a encontrar o sentido do Natal, é preciso fixar nela o olhar. E por que é tão importante a manjedoura? Porque é o sinal, não casual, com que Cristo entra em cena no mundo. É o manifesto com que Se apresenta, o modo como Deus nasce na história para fazer renascer a história. Que nos quer dizer então a manjedoura? Quer-nos dizer pelo menos três coisas: proximidadepobreza concretude.


1. Proximidade. A manjedoura serve para deixar o alimento mais próximo da boca e assim consumi-lo mais depressa. Deste modo pode simbolizar um aspecto da humanidade: a voracidade em consumir. Pois, enquanto os animais no estábulo consomem alimento, os homens no mundo, esfomeados de poder e dinheiro, consomem mesmo os seus vizinhos, os seus irmãos. Tantas guerras! Em tantos lugares, ainda hoje, são espezinhadas a dignidade e a liberdade! E as principais vítimas da voracidade humana são sempre os frágeis, os vulneráveis. Também neste Natal, uma humanidade insaciável de dinheiro, insaciável de poder e insaciável de prazer, não dá lugar - como sucedeu com Jesus (cf. Lc 2,7) - aos mais pequenos, a tantos nascituros, pobres, abandonados. Penso sobretudo nas crianças devoradas por guerras, pobreza e injustiça. Mas é precisamente lá que vem Jesus, menino na manjedoura do descarte e da rejeição. N’Ele, menino de Belém, está cada criança. E está o convite a olhar a vida, a política e a história com os olhos das crianças.

Homilia: Festa de Santo Estêvão, Diácono e Protomártir

São Fulgêncio de Ruspe, Bispo
Sermão III
As armas da caridade

Ontem, celebrávamos o nascimento temporal de nosso Rei eterno; hoje celebramos o martírio triunfal do seu soldado.
Ontem o nosso Rei, revestido de nossa carne e saindo da morada de um seio virginal, dignou-se visitar o mundo; hoje o soldado, deixando a tenda de seu corpo, parte vitorioso para o céu.
O nosso Rei, o Altíssimo, veio por nós na humildade, mas não pôde vir de mãos vazias. Trouxe para seus soldados um grande dom, que não apenas os enriqueceu imensamente, mas deu-lhes uma força invencível no combate: trouxe o dom da caridade que leva os homens à comunhão com Deus.
Ao repartir tão liberalmente o que trouxera, nem por isso ficou mais pobre: enriquecendo do modo admirável a pobreza dos seus fiéis, ele conservou a plenitude dos seus tesouros inesgotáveis.
Assim, a caridade que fez Cristo descer do céu à terra, elevou Estêvão da terra ao céu. A caridade de que o Rei dera o exemplo logo refulgiu no soldado.
Estêvão, para alcançar a coroa que seu nome significa, tinha por arma a caridade e com ela vencia em toda parte. Por amor a Deus não recuou perante a hostilidade dos judeus, por amor ao próximo intercedeu por aqueles que o apedrejavam. Por esta caridade, repreendia os que estavam no erro para que se emendassem, por caridade orava pelos que o apedrejavam para que não fossem punidos.
Fortificado pela caridade, venceu Saulo, enfurecido e cruel, e mereceu ter como companheiro no céu aquele que tivera como perseguidor na terra. Sua santa e incansável caridade queria conquistar pela oração, a quem não pudera converter pelas admoestações.
E agora Paulo se alegra com Estêvão, com Estêvão frui da glória de Cristo, com Estêvão exulta, com Estêvão reina. Aonde Estêvão chegou primeiro, martirizado pelas pedras de Paulo, chegou depois Paulo, ajudado pelas orações de Estêvão.
É esta a verdadeira vida, meus irmãos, em que Paulo não se envergonha mais da morte de Estêvão, mas Estêvão se alegra pela companhia de Paulo, porque em ambos triunfa a caridade. Em Estêvão, a caridade venceu a crueldade dos perseguidores, em Paulo, cobriu uma multidão de pecados; em ambos, a caridade mereceu a posse do reino dos céus.
A caridade é a fonte e origem de todos os bens, é a mais poderosa defesa, o caminho que conduz ao céu.  Quem caminha na caridade não pode errar nem temer.  Ela dirige, protege, leva a bom termo.
Portanto, meus irmãos, já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns para com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição.

São Fulgêncio de Ruspe

Responsório

Ontem Cristo na terra nasceu, para que Estêvão nascesse nos céus; ontem Cristo entrou neste mundo,
R. Para que Estêvão entrasse nos céus.

Revestido de carne humana, saindo do seio da Virgem, nosso Rei se dignou visitar-nos.
R. Para que Estêvão entrasse nos céus.

Oração
Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos Santo Estêvão, nosso primeiro mártir, que soube rezar por seus perseguidores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das Horas, vol. I, pp. 1082-1084. 

domingo, 25 de dezembro de 2022

Eleito novo Arcebispo Ortodoxo do Chipre

No dia 24 de dezembro de 2022 o Sínodo da Igreja Ortodoxa do Chipre elegeu o Metropolita Georgios de Paphos como novo Arcebispo de Nova Justiniana e todo o Chipre, assumindo o nome de Georgios III (Γεώργιος Γ).


Georgios Papachrysostomou (Γεώργιος Παπαχρυσοστόμου) nasceu em 25 de maio de 1949 em Athienou (Chipre). Estudou química na Universidade de Atenas entre 1968 e 1972, onde posteriormente realizaria os estudos de teologia (1976-1980).

Recebeu a ordenação diaconal em 23 de dezembro de 1984 e a ordenação presbiteral no dia 17 de maio de 1985, esta última pela imposição das mãos do então Arcebispo do Chipre, Chrysostomos I (†2007).

Em 1994 tornou-se Secretário do Sínodo da Igreja do Chipre e dois anos depois, em 24 de abril de 1996, foi eleito Bispo de Arsinois e Auxiliar da Metropolia de Paphos, recebendo a ordenação episcopal no dia 26 de maio do mesmo ano.

Dez anos depois, no dia 29 de dezembro de 2006, foi eleito Metropolita de Paphos, sucedendo o recém-eleito Arcebispo do Chipre, Chrysostomos II (†2022).


O Metropolita Georgios de Paphos representou diversas vezes a Igreja do Chipre em encontros com as demais Igrejas Ortodoxas e no diálogo ecumênico. Foi também Presidente da Comissão de Bioética e Educação da Igreja cipriota.

Após a morte de Chrysostomos II no dia 07 de novembro de 2022, o Metropolita Georgios tornou-se o locum tenens, isto é, o administrador da Igreja até a eleição do novo Arcebispo.

No dia 24 de dezembro de 2022 foi eleito Arcebispo de Nova Justiniana e todo o Chipre, assumindo o nome de Georgios III (Γεώργιος Γ).

Εἰς πολλὰ ἔτη, Δέσποτα! Ad multos annos!


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Homilia de São Beda o Venerável sobre o Magnificat

No dia 22 de dezembro, no contexto da preparação próxima para o Natal do Senhor, lemos no Evangelho da Missa o cântico da Virgem Maria, o Magnificat (Lc 1,46-55). Eis a reflexão que a Igreja nos propõe no Ofício das Leituras desse dia:

São Beda, o Venerável, Presbítero
Da Exposição sobre o Evangelho de São Lucas
Magnificat

E Maria disse: A minh’alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador (Lc 1,46-47).
O Senhor, diz ela, elevou-me por um dom tão grande e inaudito, que nenhuma palavra o pode descrever e mesmo no íntimo do coração é difícil compreendê-lo. Por isso dedico todas as forças de meu ser ao louvor e à ação de graças, contemplando a grandeza daquele que é eterno, e ofereço com alegria minha vida, tudo que sinto e penso, porque meu espírito rejubila pela divindade eterna de Jesus, o Salvador, que concebi e é gerado em meu seio.

O Poderoso fez em mim maravilhas, e santo é o seu nome! (Lc 1,49). 
Estas palavras se relacionam com o início do cântico que diz: A minh’alma engrandece o Senhor. De fato, só a alma em quem o Senhor se dignou fazer maravilhas pode engrandecê-lo e louvá-lo dignamente e dizer, exortando os que compartilham seus desejos e aspirações: Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome (Sl 33,4).
Quem conhece o Senhor e é negligente em proclamar sua grandeza e santificar o seu nome, será considerado o menor no Reino dos Céus (Mt 5,19). Diz-se que santo é o seu nome porque, pelo seu poder ilimitado, transcende toda criatura e está infinitamente separado de todas as coisas criadas.

Acolhe Israel, seu servidor, fiel ao seu amor (Lc 1,54). 
Israel é, com razão, denominado servidor do Senhor, porque, sendo obediente e humilde, foi por ele acolhido para ser salvo, como diz Oséias: Quando Israel era criança, eu já o amava (Os 11,1). Aquele que recusa humilhar-se não pode certamente ser salvo, nem dizer com o Profeta: Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta a minha vida! (Sl 53,6). Mas, quem se fizer humilde como uma criança, esse é o maior no Reino dos Céus (cf. Mt 18,4).

Como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre (Lc 1,55).
Trata-se da descendência de Abraão segundo o espírito e não segundo a carne, isto é, não apenas dos filhos segundo a natureza, mas de todos que seguiram o exemplo da sua fé, fossem eles circuncidados ou incircuncisos. Pois o próprio Abraão, ainda incircunciso, acreditou e isto lhe foi imputado como justiça.
A vinda do Salvador foi, portanto, prometida a Abraão e a seus filhos para sempre, isto é, aos filhos da promessa, dos quais se diz: Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3,29).
É com razão que, antes do nascimento do Senhor e de João, suas mães profetizam, para que, tendo o pecado começado pela mulher, os bens comecem igualmente por ela; e se foi pela sedução de uma só mulher que a morte foi introduzida no mundo, agora é pela profecia de duas mulheres que se anuncia ao mundo a salvação.

São Beda, o Venerável

Responsório (Lc 1,48-50)

As gerações hão de chamar-me de bendita.
R. O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem.
R. O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

Oração

Deus de misericórdia, vendo o homem entregue à morte, quisestes salvá-lo pela vinda do vosso Filho; fazei que, ao proclamar humildemente o mistério da Encarnação, entremos em comunhão com o Redentor. Que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das Horas, vol. I, pp. 325-327.