terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Epifania do Senhor: Cracóvia e Milão (2026)

Como fizemos com o encerramento do Jubileu 2025, nesta postagem destacamos as celebrações da Solenidade da Epifania do Senhor no dia 06 de janeiro de 2026 em duas importantes Arquidioceses: Cracóvia (Polônia) e Milão (Itália):

Em Cracóvia a Missa da Solenidade foi celebrada pelo Arcebispo, Cardeal Grzegorz Ryś, na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel:

O Arcebispo endossou uma casula que pertenceu ao seu predecessor, Cardeal Adam Stefan Sapieha (†1951), e que foi usada por São João Paulo II (†2005) em sua Ordenação Episcopal. 

Incensação do altar
(Note-se a casula do Cardeal Sapieha)
Ritos iniciais
Evangelho

Homilia

Ângelus: Solenidade da Epifania do Senhor (2026)

No dia 06 de janeiro de 2026, após o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025, e a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao balcão central da Basílica Vaticana para a oração do Ângelus:

Solenidade da Epifania do Senhor
Papa Leão XIV
Ângelus
Balcão central da Basílica de São Pedro
Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste período tivemos vários dias festivos e a Solenidade da Epifania, já no seu nome, sugere-nos o que torna possível a alegria, mesmo em tempos difíceis. Na verdade, como é sabido, a palavra “epifania” significa “manifestação”, e a nossa alegria nasce de um Mistério que já não está oculto. A vida de Deus revelou-se: muitas vezes e de muitos modos, mas com clareza definitiva em Jesus; por isso agora sabemos que, mesmo entre muitas tribulações, podemos ter esperança. “Deus salva”: não tem outras intenções, nem tem um outro nome. Provém de Deus e é epifania de Deus apenas aquilo que liberta e salva.

Ajoelhar-se como os Magos diante do Menino de Belém significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus. Em Jesus apareceu a verdadeira vida, o homem vivente, ou seja, aquele não existir só para si mesmo, mas aberto e em comunhão, que nos faz dizer «assim na terra como no céu» (Mt 6,10). Sim, a vida divina está ao nosso alcance, manifestou-se para nos envolver no seu dinamismo libertador que dissolve os medos e nos faz encontrar a paz. É uma possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser uma coação, mas o que se pode desejar mais?

No relato evangélico e nos nossos presépios os Magos oferecem ao Menino Jesus presentes preciosos: ouro, incenso e mirra (Mt 2,11). Não parecem coisas úteis para uma criança, mas expressam uma vontade que, no final do Ano Jubilar, nos faz refletir muito. Muito dá quem tudo dá. Recordemos aquela pobre viúva, notada por Jesus, que lançou no tesouro do Templo as suas últimas moedas, tudo o que tinha (cf. Lc 21,1-4). Não conhecemos os bens dos Magos, vindos do Oriente, mas a sua partida, o seu risco, os seus próprios presentes nos sugerem que tudo, realmente tudo o que somos e possuímos, pede para ser oferecido a Jesus, tesouro inestimável. E o Jubileu convocou-nos a esta justiça fundada na gratuidade: ele tem em si mesmo o apelo a reorganizar a convivência, a redistribuir a terra e os recursos, a devolver “o que se tem” e “o que se é” aos sonhos de Deus, maiores que os nossos.

Caríssimos, a esperança que anunciamos deve ter os pés bem assentados na terra: vem do céu, mas para gerar uma nova história aqui em baixo. Nos presentes dos Magos vemos, então, o que cada um de nós pode pôr em comum, o que já não pode guardar para si, mas partilhar, para que Jesus cresça no meio de nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se realizem em nós, que os desconhecidos e os adversários se tornem irmãos e irmãs, que em vez das desigualdades haja equidade, que em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz. Como tecelões de esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho (cf. Mt 2,12).

Ângelus do dia 06 de janeiro de 2026
(Visto a partir do presépio da Praça de São Pedro)

Fonte: Santa Sé.

Sobre o simbolismo dos presentes dos Magos, mencionados pelo Papa, confira nossa postagem sobre a canção We Three Kings.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Solenidade da Epifania do Senhor no Vaticano (2026)

Na manhã da terça-feira, 06 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor precedida pelo fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025

O Papa, endossando os paramentos confeccionados especialmente para o Jubileu, foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

A celebração teve início no átrio da Basílica, diante da Porta Santa, com o sinal da cruz, a saudação e uma monição introdutória. Em seguida o Papa proferiu uma oração, intercalada pelo primeiro verso do hino Te Deum como refrão.

Após o canto da antífona O Clavis David, Leão XIV ajoelhou-se na soleira e rezou por alguns instantes em silêncio, fechando em seguida a Porta Santa. A procissão de entrada dirigiu-se então ao altar central da Basílica onde, após o canto do Glória, a Missa prosseguiu como de costume.

Junto ao altar foi exposta a imagem da “Madonna della Speranza” (Nossa Senhora da Esperança) venerada na Paróquia de São Marcos de Castellabate, no sul da Itália, além de duas tapeçarias representando o Nascimento do Senhor e a adoração dos Magos.

Entrada do Papa
Ritos iniciais no átrio


O Papa reza em silêncio na soleira da Porta

Homilia do Papa: Epifania do Senhor (2026)

Solenidade da Epifania do Senhor
Fechamento da Porta Santa e conclusão do Jubileu Ordinário de 2025
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho (Mt 2,1-12) descreveu-nos a grande alegria dos Magos ao reverem a estrela (v. 10), mas também a perturbação sentida por Herodes e por toda a cidade de Jerusalém diante da sua busca (v. 3). Sempre que se trata das manifestações de Deus, a Sagrada Escritura não esconde este tipo de contrastes: alegria e perturbação, resistência e obediência, medo e desejo. Celebramos hoje a Epifania do Senhor, conscientes de que, na sua presença, nada permanece como antes. Este é o início da esperança. Deus revela-se e nada pode permanecer imóvel. Acaba certa tranquilidade, aquela que leva os melancólicos a repetir: «Não há nada de novo debaixo do sol» (Ecl 1,10). Começa algo do qual dependem o presente e o futuro, como anuncia o Profeta: «Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor» (Is 60,1).


Surpreende que seja perturbada precisamente Jerusalém, cidade palco de tantos novos começos. Dentro dela, exatamente aqueles que estudam as Escrituras e pensam ter todas as respostas dão a impressão de ter perdido a capacidade de formular perguntas e cultivar desejos. Aliás, a cidade fica assustada com aqueles que vêm de longe, movidos pela esperança, a ponto de pressentir uma ameaça naquilo que, pelo contrário, deveria dar-lhe muita alegria. Esta reação interpela também todos nós, como Igreja.

A Porta Santa desta Basílica que, por último, foi fechada hoje, recebeu o fluxo de inúmeros homens e mulheres, peregrinos de esperança, a caminho da Cidade cujas portas estão sempre abertas, a nova Jerusalém (cf. Ap 21,25). Quem foram eles e o que os motivava? No final do Ano Jubilar, questiona-nos com particular seriedade a busca espiritual dos nossos contemporâneos, muito mais rica do que talvez possamos compreender. Milhões deles atravessaram a soleira da Igreja. E o que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhida? Sim, os Magos ainda existem. São pessoas que aceitam o desafio de arriscar cada um a própria viagem, que em um mundo conturbado como o nosso, sob muitos aspectos repulsivo e perigoso, sentem a necessidade de partir, de procurar.

Ângelus: II Domingo depois do Natal (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 04 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Neste II Domingo depois do Natal do Senhor, desejo em primeiro lugar renovar os meus votos a todos vós. Depois de amanhã, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluiremos o Jubileu da Esperança. E o mistério do Natal, no qual estamos imersos, recorda-nos precisamente que o fundamento da nossa esperança é a Encarnação de Deus. O Prólogo do Evangelho de João, que a Liturgia nos propõe também hoje, lembra-nos justamente isso: «O Verbo se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). Com efeito, a esperança cristã não se baseia em previsões otimistas ou cálculos humanos, mas na escolha de Deus vir partilhar o nosso caminho, para que nunca estejamos sós na travessia da vida. Esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele se tornou um de nós, escolheu ficar junto de nós, quis ser para sempre o Deus-conosco.

A vinda de Jesus na fraqueza da carne humana, se por um lado reaviva em nós a esperança, por outro lado confere-nos um duplo compromisso: um para com Deus e outro para com o ser humano.

Para com Deus, porque se Ele se fez carne, se Ele escolheu a nossa fragilidade humana como sua morada, então somos sempre chamados a repensar Deus a partir da carne de Jesus e não de uma doutrina abstrata. Portanto, devemos sempre rever a nossa espiritualidade e as formas de expressar a fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas, ou seja, capazes de pensar, rezar e anunciar o Deus que em Jesus vem ao nosso encontro: não um Deus distante que vive em um céu perfeito acima de nós, mas um Deus próximo que habita a nossa terra frágil, se faz presente no rosto dos irmãos e se revela nas situações do dia a dia.

Para com o ser humano, o nosso compromisso deve ser igualmente coerente. Se Deus se tornou um de nós, cada criatura humana é um reflexo seu, traz em si a sua imagem, guarda uma centelha da sua luz; e isto nos convida a reconhecer em cada pessoa a sua dignidade inviolável e a nos exercitar no amor mútuo, uns para com os outros. Neste sentido, a Encarnação exige também de nós um compromisso concreto com a promoção da fraternidade e da comunhão, para que a solidariedade se torne o critério das relações humanas; com a justiça e a paz; com o cuidado dos mais fracos e a defesa dos mais vulneráveis. Deus se fez carne, por isso não há culto autêntico a Deus sem o cuidado da carne humana.

Irmãos e irmãs, enquanto pedimos à Virgem Maria que nos torne cada vez mais disponíveis para servir a Deus e ao próximo, a alegria do Natal nos anime a prosseguir o nosso caminho.

Nascimento do Senhor (Carl Bloch)

Fonte: Santa Sé.

Observação: No Brasil celebramos neste domingo a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06 de janeiro.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Batismo do Senhor (2006)

Neste domingo em que celebramos a Festa do Batismo do Senhor repropomos a homilia proferida pelo Papa Bento XVI (†2022) nesta ocasião há 20 anos, no dia 08 de janeiro de 2006, durante a Missa com o Batismo de algumas crianças na Capela Sistina, aprofundando o significado desse Sacramento:

Festa do Batismo do Senhor
Santa Missa e Batismo de algumas crianças
Homilia do Papa Bento XVI 
Capela Sistina
Domingo, 08 de janeiro de 2006

Queridos pais, padrinhos e madrinhas,
Amados irmãos e irmãs,
O que acontece no Batismo? O que esperamos do Batismo? Vós destes uma resposta ao entrar nesta Capela: esperamos para os nossos filhos a vida eterna. Esta é a finalidade do Batismo. Mas como pode se realizar isso? Como pode o Batismo dar a vida eterna? O que é a vida eterna?

Poderíamos dizer com palavras mais simples: esperamos para estas nossas crianças uma vida boa; a vida verdadeira; a felicidade mesmo em um futuro ainda desconhecido. Nós não somos capazes de garantir este dom durante todo o futuro desconhecido e, por isso, nos dirigimos ao Senhor para obter d’Ele este dom.

O Papa batiza uma criança na Capela Sistina

À pergunta: “Como acontecerá isto?” podemos dar duas respostas. A primeira: no Batismo cada criança é inserida em uma companhia de amigos que nunca a abandonará, nem na vida e nem na morte, porque esta companhia de amigos é a família de Deus, que traz em si a promessa da eternidade. Esta companhia de amigos, esta família de Deus, na qual agora a criança é inserida, a acompanhará sempre, também nos dias de sofrimento, nas noites escuras da vida; lhe dará consolo, conforto, luz. Esta companhia, esta família, lhe dará palavras de vida eterna. Palavras de luz que respondem aos grandes desafios da vida e dão a indicação justa sobre o caminho a empreender. Esta companhia oferece à criança consolo e conforto, o amor de Deus também no limiar da morte, no vale escuro da morte. Ela lhe dará amizade, lhe dará vida. E esta companhia, absolutamente fiável, nunca desaparecerá. Ninguém sabe o que acontecerá no nosso planeta, na nossa Europa, nos próximos cinquenta, sessenta, setenta anos. Mas, sobre um ponto temos a certeza: a família de Deus estará sempre presente e quem pertence a esta família nunca ficará sozinho, terá sempre a amizade segura d’Aquele que é a vida.

Solenidade da Santa Mãe de Deus em Jerusalém (2026)

O Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbatista Pizzaballa, presidiu no dia 01 de janeiro de 2026 a Missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus na Co-Catedral do Santíssimo Nome de Jesus em Jerusalém.

No início da celebração foi entoado o hino Veni, Creátor Spíritus, invocando o Espírito Santo sobre o novo ano civil (cf. Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia, n. 116; Enchiridion Indulgentiarum, n. 26).

Hino Veni Creator diante do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
Evangelho