terça-feira, 24 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Anunciação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 25 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 24 de março [1]. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade da Anunciação do Senhor
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa Bento XVI 
Praça de São Pedro
Sábado, 25 de março de 2006

Senhores Cardeais e Patriarcas,
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. É um grande motivo de alegria presidir esta Concelebração com os novos Cardeais, depois do Consistório de ontem, e considero providencial que ela se realize na Solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor e sob o sol que o Senhor nos dá. Na Encarnação do Filho de Deus, com efeito, reconhecemos os inícios da Igreja. Tudo provém dali. Toda realização histórica da Igreja e também todas as suas instituições devem se referir a essa Fonte originária. Devem se referir a Cristo, Verbo de Deus encarnado. É Ele que nós celebramos sempre: o Emanuel, o Deus-conosco, por meio do qual se cumpriu a vontade salvífica de Deus Pai.


E, contudo - precisamente hoje contemplamos este aspecto do Mistério -, a Fonte divina flui através de um canal privilegiado: a Virgem Maria. Com uma imagem eloquente São Bernardo fala, a respeito, de aquaeductus, “aqueduto” (cf. Sermo in Nativitate B.V. Mariae: PL 183, 437-448). Celebrando a Encarnação do Filho, portanto, não podemos deixar de honrar a Mãe. A ela foi dirigido o anúncio angélico; ela o acolheu e, quando do fundo do coração respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), nesse momento o Verbo eterno começou a existir como ser humano no tempo.

2. De geração em geração permanece viva a admiração por esse inefável mistério. Santo Agostinho, imaginando dirigir-se ao Anjo da Anunciação, pergunta: “Diz-me, ó Anjo, por que aconteceu isso em Maria?”. A resposta, diz o Mensageiro, está contida nas próprias palavras da saudação: “Ave, ó cheia de graça” (cf. Sermo 291, 6). Com efeito, “entrando onde ela estava”, o Anjo não a chama pelo seu nome terreno, Maria, mas pelo seu “nome divino”, assim como Deus a vê desde sempre e a qualifica: “cheia de graça”, gratia plena, que no original grego é κεχαριτωµενη, “plena de graça”, e a graça nada mais é do que o amor de Deus; assim, em última instância poderíamos traduzir essa palavra como “amada” por Deus (cf. Lc 1,28).

Ângelus: V Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste V Domingo da Quaresma é proclamado na Liturgia o Evangelho da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45).

No caminho quaresmal, este é um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1265). Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais» (Jo 11,25-26).

Assim, nesta perspectiva, a Liturgia nos convida a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor - a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento - para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram.

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que esses acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida.

A sua graça ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes - tempo, energia, valores, afetos -, como se a fama, os bens materiais, as diversões e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou nos tornar imortais. É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efêmero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele (cf. Confissões, I, 1.1).

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nestes lugares não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Também a nós Jesus ordena: «Vem para fora!» (Jo 11,43), encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como homens e mulheres novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho Ressuscitado.

Ressurreição de Lázaro
(Giotto - Basílica de São Francisco, Assis)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Domingo da Santa Cruz em Kiev (2026)

Neste ano de 2026 as Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas), devido ao uso de distintos calendários, celebram a Páscoa no dia 12 de abril, uma semana após as comunidades de Rito Romano.

Por isso, no dia 15 de março de 2026 as Igrejas de Rito Bizantino celebraram o III Domingo da Grande Quaresma, o “Domingo da Santa Cruz”.

Na Catedral na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia) a Divina Liturgia desse Domingo foi celebrada pelo Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), seguida do tradicional rito da adoração da “Venerável e Vivificante Cruz”:

Relíquia da Cruz
O Arcebispo abençoa os fiéis
Litania da paz

Homilia

quinta-feira, 19 de março de 2026

Missa do IV Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A), o chamado Domingo Laetare, por ocasião da Visita Pastoral à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Sacro Cuore di Gesù a Ponte Mammolo)

Essa foi a última das cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral, correspondendo a Paróquia do bairro de Ponte Mammolo ao Setor Norte.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: IV Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Roma)
Domingo, 15 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
A nossa Celebração Eucarística de hoje está, mais do que nunca, em sintonia com a alegria. Com efeito, a beleza deste nosso encontro se insere no contexto do Domingo chamado “Laetare”, ou seja, “alegra-te”, segundo as palavras de Isaías: «Alegra-te, Jerusalém» (Antífona de entrada, cf. Is 66,10).

Isso nos leva a refletir. Atualmente, no mundo, muitos dos nossos irmãos e irmãs sofrem devido a conflitos violentos, provocados pela absurda pretensão de resolver os problemas e as divergências com a guerra, quando é necessário dialogar sem trégua pela paz. Há quem pretenda, inclusive, envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte, mas Deus não pode ser recrutado pelas trevas. Pelo contrário, Ele vem sempre dar luz, esperança e paz à humanidade, e é a paz que devem procurar aqueles que o invocam.


É a mensagem deste Domingo: para além de qualquer abismo em que o homem possa cair por causa dos seus pecados, Cristo vem trazer uma luz mais forte, capaz de libertá-lo da cegueira do mal, para que comece uma vida nova.

O encontro entre Jesus e o cego de nascença (cf. Jo 9,1-41), com efeito, pode ser comparado à cena de um parto, graças ao qual ele, como uma criança que vem à luz, descobre um mundo novo, vendo-se a si mesmo, os outros e a vida com os olhos de Deus (cf. 1Sm 16,9).

Perguntemo-nos, então: em que consiste este olhar? O que revela? O que significa “ver com os olhos de Deus”?

quarta-feira, 18 de março de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Solenidade de São José (2001)

Há 25 anos, no dia 19 de março de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, durante a qual conferiu a Ordenação Episcopal a nove Bispos. Confira sua homilia na ocasião:

Solenidade de São José
Concelebração Eucarística para a Ordenação de nove Bispos
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Segunda-feira, 19 de março de 2001

1. «Eis o servo fiel e prudente, a quem o Senhor confiou a sua família» (cf. Lc 12,42).
Assim a Liturgia de hoje nos apresenta São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Guardião do Redentor. Ele, servo fiel e prudente, acolheu com obediente docilidade a vontade do Senhor, que lhe confiou a “sua” família na terra, para que cuidasse dela com dedicação quotidiana.

São José perseverou nessa missão com fidelidade e amor. Por isso a Igreja o indica como singular modelo de serviço a Cristo e ao seu misterioso desígnio de salvação. E o invoca como especial padroeiro e protetor de toda a família dos que creem. De modo especial, José é indicado hoje, no dia da sua festa, como o Santo sob cujo eficaz patrocínio a Providência divina quis pôr as pessoas e o ministério dos que são chamados a ser “pais” e “guardiões” no âmbito do povo cristão.


2. «Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura» - «Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?» (Lc 2,48-49).
Neste diálogo simples e familiar entre a Mãe e o Filho, que ouvimos há pouco no Evangelho, encontram-se as coordenadas da santidade de José. Elas correspondem ao desígnio divino sobre ele, que, homem justo que era, ele soube realizar com admirável fidelidade.

«Teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura», diz Maria. «Devo estar na casa de meu Pai», responde Jesus. São precisamente estas palavras do Filho que nos ajudam a compreender o mistério da “paternidade” de José. Recordando aos pais o primado d’Aquele que chama “meu Pai”, Jesus revela a verdade do papel tanto de Maria como de José. Ele é verdadeiramente “esposo” de Maria e “pai” de Jesus, como ela afirma quando diz: «Teu pai e eu estávamos à tua procura». Mas a sua esponsalidade e a sua paternidade são totalmente relativas às de Deus. Eis o modo como José de Nazaré é chamado a se tornar, por sua vez, discípulo de Jesus: dedicando a existência ao serviço do Filho Unigênito do Pai e da Virgem Mãe, Maria.

Nota de falecimento: Patriarca Ilia II da Geórgia

Faleceu na terça-feira, 17 de março de 2026, aos 93 anos, o Patriarca Ilia II (Elias II) da Igreja Ortodoxa da Geórgia.


Irakli Ghudushauri-Shiolashvili (ირაკლი ღუდუშაური-შიოლაშვილი) nasceu no dia 04 de janeiro de 1933 em Vladikavkaz, (Rússia). Após concluir seus estudos na Academia Teológica de Moscou, professou os votos monásticos em 16 de abril de 1957, assumindo o nome religioso de Ilia (Elias).

Recebeu a Ordenação Diaconal no dia 18 de abril de 1957 e a Ordenação Presbiteral no dia 10 de maio de 1959. Após a Ordenação foi para a Geórgia, sendo designado para a Catedral de São Nicolau em Batumi.

No dia 25 de agosto de 1963 recebeu a Ordenação Episcopal, sendo nomeado Vigário Patriarcal e Bispo de Shemokmedi. No ano seguinte foi nomeado também como reitor do Seminário Teológico de Mtskheta, ofício que exerceu até 1972.

De 1964 a 1977, ademais, o Bispo Ilia coordenou o Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Georgiana, responsável por garantir que as demais Igrejas Ortodoxas reconhecessem sua autocefalia, concedida pela Igreja Ortodoxa Russa em 1917 e confirmada em 1943 (objetivo que só seria alcançado plenamente em 1990).


No dia 01 de setembro de 1967 foi transferido como Bispo da Eparquia de Sukhum-Abkhazia, sendo “promovido” a Metropolita no dia 17 de maio de 1969.

Após a morte do Patriarca David V, no dia 23 de dezembro de 1977 o Metropolita Ilia foi eleito como novo hierarca da Igreja Ortodoxa Georgiana, como o título de Ilia II (ილია II), Catholicos-Patriarca de toda a Geórgia e Arcebispo de Mtskheta e Tbilisi. Sua entronização na Catedral de Svetitskhoveli em Mtskheta teve lugar no dia 25 de dezembro.

Em junho de 1980 Ilia II realizou uma visita ao Papa João Paulo II (†2005), tornando-se o primeiro Patriarca georgiano a se encontrar com o Bispo de Roma. Nos anos seguintes o Patriarca acolheria os dois Papas que visitaram a Geórgia: o mesmo João Paulo II em novembro de 1999 e Francisco (2025) entre setembro e outubro de 2016.

Ilia II guiou o povo nos últimos anos de controle soviético sobre a Geórgia. Nesse período também supervisionou a publicação de uma versão atualizada da Bíblia em língua georgiana.

Faleceu no dia 17 de março de 2026 em um hospital de Tbilisi (Geórgia). Com 93 anos, era o mais velho dos hierarcas das Igrejas Ortodoxas Bizantinas e aquele que exercia a mais tempo o seu ministério (48 anos).


Concede, ó Salvador nosso, o repouso às almas dos teus servos, com os justos que alcançaram a perfeição, guarda-os contigo, na vida divina, no lugar do teu repouso, Senhor, onde descansam os teus santos
(Da Liturgia Bizantina pelos falecidos)

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