quarta-feira, 1 de abril de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Missa Crismal (2006)

Há cerca de 20 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006

Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. A Quinta-feira Santa é o dia no qual o Senhor confiou aos Doze a tarefa sacerdotal de celebrar, no pão e no vinho, o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue até a sua volta. O cordeiro pascal e todos os sacrifícios da Antiga Aliança são substituídos pelo dom do seu Corpo e do seu Sangue, pelo dom de si mesmo. Assim, o novo culto se fundamenta no fato de que, antes de tudo, Deus nos concede um dom e nós, repletos deste dom, nos tornamos seus: a criação regressa ao Criador. Assim, também o sacerdócio se tornou uma coisa nova: não é mais questão de descendência, mas um encontrar-se no mistério de Jesus Cristo.


Ele é sempre Aquele que doa e nos eleva, nos atrai a si. Somente Ele pode dizer: «Isto é o meu Corpo - Isto é o meu Sangue». O mistério do sacerdócio da Igreja se encontra no fato de que nós, pobres seres humanos, em virtude do Sacramento podemos falar com o seu Eu: in persona Christi. Ele quer exercer o seu sacerdócio através de nós. Este mistério comovedor, que em cada celebração do Sacramento nos toca novamente, nós o recordamos de maneira particular na Quinta-feira Santa. Para que a vida quotidiana não desperdice o que é grande e misterioso, temos necessidade dessa lembrança específica, precisamos retornar àquela hora em que Ele impôs as suas mãos sobre nós e nos tornou participantes desse mistério.

Homilia do Papa João Paulo II: Missa Crismal (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «Spiritus Domini super me, eo quod unxerit Dominus me» - «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu» (Is 61,1).

Nestes versículos, tomados do Livro de Isaías, está contido o “fio-condutor” da Missa Crismal. A nossa atenção se concentra sobre a unção, dado que daqui a pouco serão abençoados o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o Crisma.

Vivemos esta manhã uma festa particular no sinal do «óleo da alegria» (Sl 44,8). É festa do povo de Deus, que hoje fixa o olhar no mistério da unção, que marca a vida de cada cristão, a partir do dia do Batismo.


É festa, de maneira especial, de todos nós, caríssimos e venerados irmãos no Sacerdócio, ordenados presbíteros para o serviço do povo cristão. Agradeço-vos cordialmente pela vossa numerosa presença em torno do altar da Confissão de São Pedro. Vós representais o presbitério romano e, em certo sentido, o presbitério do mundo.

Celebramos a Missa Crismal às portas do Tríduo Pascal, centro e ápice do Ano Litúrgico. Este sugestivo rito toma a sua luz, por assim dizer, do Cenáculo, isto é, do mistério de Cristo Sacerdote, que na Última Ceia se consagra a si mesmo, antecipando o sacrifício cruento do Gólgota. É da Mesa eucarística que desce a sagrada unção. O Espírito divino difunde o seu místico perfume em toda a casa (cf. Jo 12,3), isto é, na Igreja, e torna especialmente os sacerdotes participantes da mesma consagração de Jesus (cf. Coleta).

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 4

Quase concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira as duas meditações do Papa Leão XIV ligadas ao Sábado Santo: o sepulcro (Jo 19,38-42) e a descida (1Pd 3,18-19).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.7. A Páscoa de Jesus: O sepulcro (Jo 19,38-42)

Queridos irmãos e irmãs,
No nosso caminho de Catequeses sobre Jesus, nossa esperança, contemplemos hoje o mistério do Sábado Santo. O Filho de Deus jaz no sepulcro. Mas esta sua “ausência” não é um vazio: é espera, plenitude contida, promessa guardada na escuridão. É o dia do grande silêncio, no qual o céu parece mudo e a terra imóvel, mas é precisamente ali que se realiza o mistério mais profundo da fé cristã. É um silêncio “grávido” de sentido, como o ventre de uma mãe que guarda o filho que ainda não nasceu, mas já está vivo.

O corpo de Jesus, descido da cruz, é cuidadosamente envolvido em faixas, como se faz com o que é precioso. O evangelista João nos diz que foi sepultado em um jardim, dentro de «um túmulo novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado» (Jo 19,41). Nada é deixado ao acaso. Aquele jardim remete ao Éden perdido, o lugar onde Deus e o homem estavam unidos. E aquele sepulcro nunca usado fala de algo que ainda deve acontecer: é um limiar, não um fim. No início da criação, Deus plantou um jardim; agora também a nova criação tem início em um jardim: com um túmulo fechado que logo se abrirá!

Sepultamento de Jesus (Alessandro Tiarini)

O Sábado Santo é também um dia de repouso. Segundo a Lei judaica, no sétimo dia não se deve trabalhar: com efeito, após seis dias de criação, Deus descansou (cf. Gn 2,2). Agora também o Filho, depois de ter completado a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até o fim. Não há mais nada a acrescentar. Esse descanso é o selo da obra realizada, é a confirmação de que aquilo que devia ser feito foi verdadeiramente concluído. É um descanso repleto da presença oculta do Senhor.

Temos dificuldade de parar e descansar. Vivemos como se a vida nunca fosse suficiente. Corremos para produzir, para demonstrar, para não perder terreno. Mas o Evangelho nos ensina que saber parar é um gesto de confiança que devemos aprender a realizar. O Sábado Santo nos convida a descobrir que a vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também de como sabemos nos desapegar daquilo que pudemos fazer.

terça-feira, 31 de março de 2026

Posse do Arcebispo de Lódz (2026)

No dia 28 de março de 2026, sábado da V semana da Quaresma, o Cardeal Konrad Krajewski, após sua nomeação pelo Papa Leão XIV no dia 12 de março, tomou posse como novo Arcebispo Metropolitano de Łódź (Polônia) durante a Missa celebrada na Catedral de Santo Estanislau Kostka.

Como no caso da recente posse do Arcebispo de Cracóvia, o início da celebração foi presidido pelo Núncio Apostólico na Polônia, Dom Antonio Guido Filipazzi, que entregou o báculo ao novo Arcebispo (dois gestos, porém, que não são previstos pelo Cerimonial dos Bispos).

Cardeais Nycz, Krajewski e Ryś
Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento

Ritos iniciais

Fotos da Missa do Papa em Mônaco (2026)

Na tarde do dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II em Mônaco durante sua Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Mônaco (2026)

Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco
Santa Missa
Homilia do Papa Leão XIV
Estádio Luís II
Sábado, 28 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do sábado da V semana da Quaresma.

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabamos de ouvir (Jo 11,45-57) relata uma sentença cruel contra Jesus: nos fala, com efeito, do dia em que os membros do Sinédrio «tomaram a decisão de matar Jesus» (v. 53). Por que acontece isso? Porque Ele ressuscitou Lázaro dos mortos; porque devolveu a vida ao seu amigo, chorando junto ao seu túmulo e unindo-se à dor de Marta e Maria. Justamente Ele, que veio ao mundo para nos libertar da condenação da morte, é condenado à morte. Não se trata de uma fatalidade, mas de uma vontade precisa e ponderada.


Na verdade, o veredito de Caifás e do Sinédrio é fruto de um cálculo político, fundamentado no medo: se Jesus continua a fomentar esperança, transformando a dor do povo em alegria, «virão os romanos» e destruirão a nação (v. 48). Em vez de reconhecerem no Nazareno o Messias, ou seja, o Cristo tão esperado, os chefes religiosos veem n’Ele uma ameaça. O olhar deles está a tal ponto enviesado que são exatamente os doutores da Lei a violá-la. Esquecendo a promessa de Deus ao seu povo, querem matar o inocente, porque por trás do seu temor está o apego ao poder. No entanto, se os homens esquecem a Lei que ordena não matar, Deus não esquece a promessa que prepara o mundo para a salvação. A sua providência faz daquela sentença homicida o meio para manifestar um supremo desígnio de amor: por mais perverso que fosse, Caifás «profetizou que Jesus iria morrer pela nação» (v. 51).

segunda-feira, 30 de março de 2026

Catequese do Papa Bento XVI: Semana Santa (2006)

Na manhã da Quarta-feira da Semana Santa de 2006, há cerca de 20 anos, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre o Tríduo Pascal que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 12 de abril de 2006
O Tríduo Pascal

Queridos irmãos e irmãs,
1. Inicia amanhã o Tríduo Pascal, que é o centro de todo o Ano Litúrgico. Ajudados pelos ritos sagrados de Quinta-feira Santa, da Sexta-feira Santa e da solene Vigília Pascal, reviveremos o mistério da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor. Estes são dias adequados para despertar em nós um desejo mais profundo de aderir a Cristo e de segui-lo generosamente, conscientes de que Ele nos amou a ponto de dar a sua vida por nós.

Com efeito, o que são os acontecimentos que o Tríduo santo nos repropõe, senão a manifestação sublime desse amor de Deus pelo homem? Portanto, preparemo-nos para celebrar o Tríduo Pascal acolhendo a exortação de Santo Agostinho: «Considera agora atentamente os três dias santos da Crucificação, da Sepultura e da Ressurreição do Senhor. Destes três mistérios realizamos na vida presente aquilo de que a Cruz é símbolo, enquanto cumprimos por meio da fé e da esperança aquilo de que são símbolo a Sepultura e a Ressurreição» (Carta 55, 14, 24:  Nova Biblioteca Agostiniana, XXI/II, Roma, 1969, p. 477).


2. O Tríduo Pascal se abre amanhã, Quinta-feira Santa, com a Missa vespertina da Ceia do Senhor (in Cena Domini), embora pela manhã normalmente tenha lugar outra significativa celebração litúrgica, a Missa Crismal, durante a qual, reunido em torno ao Bispo, todos os presbíteros de cada Diocese renovam as promessas sacerdotais e participam da bênção dos Óleos dos Catecúmenos, dos Enfermos e do Crisma, e assim faremos amanhã cedo também aqui, em São Pedro.

Além da instituição do Sacerdócio, neste dia santo se comemora a oferta total que Cristo fez de si mesmo à humanidade no sacramento da Eucaristia. Naquela mesma noite em que foi entregue, Ele nos deixou, como recorda a Sagrada Escritura, o “mandamento novo” - “mandatum novum - do amor fraterno realizando o gesto tocante do lava-pés, que recorda o humilde serviço dos servos.