terça-feira, 7 de abril de 2026

Vigília pelos novos mártires em Roma (2026)

No dia 31 de março de 2026, Terça-feira da Semana Santa, o Cardeal Claudio Gugerotti, Prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, presidiu uma Vigília pelos novos mártires na Basílica de Santa Maria in Trastevere em Roma.

A iniciativa, promovida pela Comunidade de Santo Egídio (Comunità di Sant'Egidio), teve um alcance ecumênico, recordando os “mártires do nosso tempo” (séculos XX e XXI) das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais cristãs.

Após o Evangelho (Mc 13,5-13) e a homilia do Cardeal Gugerotti, foram recordados os mártires dos vários continentes: África, Ásia, América, Europa... Após a invocação dos nomes dos mártires e algumas preces - intercaladas pela súplica Kyrie, eleison - foi entronizada uma cruz representando cada continente, ladeada por velas e ramos de oliveira [1].

Ícone da face de Jesus e “cruzes dos continentes” junto ao altar
Procissão de entrada
Homilia

Entronização da cruz da África

Domingo de Ramos no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 29 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano A) na Praça de São Pedro.

A celebração teve início junto ao obelisco central da Praça com a bênção dos ramos. Seguiu-se a procissão até o adro da Basílica Vaticana, onde a Missa prosseguiu como de costume.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor  Yala Banorani Djetaba. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada


Ritos iniciais
Bênção dos ramos: Aspersão

Homilia do Papa: Domingo de Ramos - Ano A (2026)

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 29 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor.

Olhemos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência. Ele, que se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus. Ele, que é a luz do mundo, enquanto as trevas estão prestes a cobrir a terra. Ele, que veio trazer a vida, enquanto se cumpre o plano para condená-lo à morte.

Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2,14).


Como Rei da paz, entra em Jerusalém montado em um jumento, não em um cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias: «Eis que teu rei vem ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado em um jumento, um potro, cria de jumenta. Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações» (Zc 9,9-10).

Como Rei da paz, quando um dos seus discípulos desembainha a espada para defendê-lo e fere o servo do sumo sacerdote, imediatamente Ele o detém, dizendo: «Guarda a espada na bainha, pois todos os que usam a espada pela espada morrerão» (Mt 26,52).

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Catequese do Papa Bento XVI: Páscoa (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 19 de abril de 2006, Quarta-feira da Oitava da Páscoa, exatamente um anos após sua eleição como Bispo de Roma, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre a Páscoa que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 19 de abril de 2006
A Páscoa

Queridos irmãos e irmãs,
1. O evangelista João narra que Jesus, precisamente depois da sua Ressurreição, chamou Pedro a cuidar do seu rebanho (cf. Jo 21,15-23). Quem poderia imaginar então o desenvolvimento que alcançaria ao longo dos séculos aquele pequeno grupo de discípulos do Senhor? Pedro, juntamente com os outros Apóstolos e depois os seus sucessores, primeiro em Jerusalém e, em seguida, até os últimos confins da terra, difundiram com coragem a mensagem evangélica cujo núcleo fundamental e imprescindível é constituído pelo Mistério Pascal: a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo.

A Igreja celebra esse mistério na Páscoa, prolongando seu eco jubiloso nos dias seguintes; canta o aleluia pelo triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte.


«A celebração da Páscoa segundo uma data do calendário - observa o Papa São Leão Magno - nos recorda a festa eterna que supera todo tempo humano». «A Páscoa atual - observa ainda - é a sombra da Páscoa futura. É por isso que a celebramos para passar de uma festa anual a uma festa que será eterna».

A alegria desses dias se estende a todo o Ano Litúrgico e se renova particularmente no domingo, dia dedicado à recordação da Ressurreição do Senhor. Nele, que é como a “pequena Páscoa” de cada semana, a assembleia litúrgica reunida para a Santa Missa proclama no Creio que Jesus ressuscitou ao terceiro dia, acrescentando que nós esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir». Indica-se assim que o acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus constitui o centro da nossa fé e é sobre este anúncio que se fundamenta e cresce a Igreja.

Catequese do Papa João Paulo II: Páscoa (2001)

Nesta Oitava da Páscoa recordamos a Catequese proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 18 de abril de 2001, Quarta-feira da Oitava Pascal, intitulada: “Contemplar o rosto do Ressuscitado”.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 18 de abril de 2001
Contemplar o rosto do Ressuscitado

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. A tradicional Audiência Geral da quarta-feira hoje é inundada pela alegria luminosa da Páscoa. Nestes dias a Igreja celebra com júbilo o grande mistério da Ressurreição. É uma alegria profunda e inextinguível, fundamentada no dom por parte de Cristo Ressuscitado da nova e eterna Aliança, que permanece porque Ele já não morre mais. Uma alegria que se prolonga não só pela Oitava da Páscoa, considerada pela Liturgia como um único dia, mas que se estende por cinquenta dias, até o Pentecostes. Mais ainda, chega a abraçar todos os tempos e todos os lugares.

Durante esse período a Comunidade cristã é convidada a uma nova e mais profunda experiência do Cristo Ressuscitado, vivo e atuante na Igreja e no mundo.


2. Neste esplêndido marco de luz e de alegria próprios do Tempo Pascal, desejamos agora nos deter a contemplar juntos o rosto do Ressuscitado, retomando e atualizando aquilo que não hesitei em indicar como «núcleo essencial» da grande herança que o Jubileu do Ano 2000 nos deixou. Com efeito, como realcei na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, «se quiséssemos reconduzir ao núcleo essencial a grande herança que a experiência jubilar nos deixa, não hesitaria em vê-lo na contemplação do rosto de Cristo... acolhido na sua multiforme presença na Igreja e no mundo, confessado como sentido da história e luz do nosso caminho” (n. 15).

Como na Sexta-feira e no Sábado Santo contemplamos o rosto doloroso de Cristo, agora dirigimos o olhar cheio de fé, de amor e de gratidão para o rosto do Ressuscitado. Para Ele olha nestes dias a Igreja, seguindo os passos de Pedro, que confessa o seu amor a Cristo (cf. Jo 21,15-17), e de Paulo, iluminado por Jesus Ressuscitado no caminho de Damasco (cf. At 9,3-5).

domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem do Papa Bento XVI: Páscoa (2006)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa Bento XVI (†2005) há 20 anos, no dia 16 de abril de 2006, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa Bento XVI
Mensagem Urbi et Orbi
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo de Páscoa, 16 de abril de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
Christus resurrexit! Cristo ressuscitou!
1. A grande Vigília desta noite nos fez reviver o acontecimento decisivo e sempre atual da Ressurreição, mistério central da fé cristã. Inumeráveis círios pascais foram acesos nas igrejas para simbolizar a luz de Cristo que iluminou e ilumina a humanidade, vencendo para sempre as trevas do pecado e do mal. E hoje ressoam com força as palavras que deixaram admiradas as mulheres que, na madrugada do primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, onde o corpo de Cristo, descido apressadamente da cruz, havia sido depositado. Tristes e desoladas pela perda do seu Mestre, encontraram a grande pedra removida e, entrando, não encontraram o seu corpo. Enquanto estavam ali, incertas e desorientadas, dois homens com roupas brilhantes as surpreenderam dizendo: «Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,5-6). «Non est hic, sed resurrexit». Desde aquela manhã, estas palavras não cessam de ressoar pelo universo como um anúncio de alegria que atravessa os séculos imutável e, ao mesmo tempo, cheio de infinitas e sempre novas ressonâncias.


2. «Ele não está aqui. Ressuscitou!». Os mensageiros celestes comunicam, antes de tudo, que Jesus «não está aqui»: o Filho de Deus não ficou no sepulcro, porque não podia permanecer prisioneiro da morte (cf. At 2,24) e o túmulo não podia reter «o Vivente» (Ap 1,18), que é a própria fonte da vida. Como Jonas no ventre do peixe, do mesmo modo o Cristo Crucificado permaneceu engolido no seio da terra (cf. Mt 12,40) pelo transcorrer de um sábado. Aquele sábado verdadeiramente «era dia de festa solene», como escreve o evangelista João (Jo 19,31): o mais solene da história, porque nele o «Senhor do sábado» (Mt 12,8) levou a cumprimento a obra da criação (cf. Gn 2,1-4a), elevando o homem e o universo inteiro à liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21). Cumprida esta obra extraordinária, o corpo inanimado foi atravessado pelo sopro vital de Deus e, rompidas as barreiras do sepulcro, ressuscitou glorioso. Por isso os anjos proclamam: «Não está aqui», não pode mais ser encontrado no túmulo. Peregrinou na terra dos homens, terminou o seu caminho no túmulo como todos, mas venceu a morte e de modo absolutamente novo, por um ato de puro amor, abriu a terra de par em par para o Céu.

Mensagem do Papa João Paulo II: Páscoa (2001)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 15 de abril de 2001, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo de Páscoa, 15 de abril de 2001

1. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos» (cf. Prefácio da Páscoa II).
Que o anúncio pascal chegue a todos os povos da terra e toda pessoa de boa vontade se sinta protagonista neste dia que o Senhor fez para nós, dia da sua Páscoa, no qual a Igreja, com sentimentos de júbilo, proclama que o Senhor verdadeiramente ressuscitou.

Esse grito, saído do coração dos discípulos no primeiro dia depois do sábado, atravessou os séculos e agora, neste preciso momento da história, volta a alentar as esperanças da humanidade com a certeza imutável da Ressurreição de Cristo, Redentor do homem.


2. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos».
O assombro incrédulo dos Apóstolos e das mulheres, que foram ao sepulcro ao nascer do sol, hoje se torna experiência comum de todo o Povo de Deus. Enquanto o novo milênio dá os seus primeiros passos, desejamos confiar às jovens gerações a certeza fundamental da nossa existência: Cristo ressuscitou e n’Ele ressurge a vida para todos.

«Glória a vós, Cristo Jesus, hoje e sempre vós reinareis» [1]. Volta à memória este cântico de fé, que tantas vezes repetimos ao longo da recente caminhada jubilar, aclamando Aquele que é «o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim» (Ap 22,13). A Ele permanece fiel a Igreja peregrina «entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus (Santo Agostinho). Ela eleva o olhar a Ele e não teme. Caminha contemplando a sua face e repete aos homens do nosso tempo que Ele, o Ressuscitado, é «o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb 13,8).