Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
Homilia do Papa Leão XIV
Cemitério do Verano, Roma
Segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Leituras: Sb 3,1-9; Sl 41–42; Ap 21,1-5a.6b-7; Mt 5,1-12a.
Queridos irmãos e irmãs,
Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia neste
lugar de oração e memória, de afeto e esperança. Oferecemo-la em sufrágio dos
fiéis falecidos, em particular daqueles que aqui repousam e de quem cada um de
nós traz no coração.
Comemorar os fiéis defuntos, no dia seguinte
à Solenidade de Todos os Santos, orienta a nossa prece. Dirigimo-nos ao Pai do
céu a fim de que a vida de santidade e bem-aventurança, da qual já desfrutam
tantos dos seus filhos e filhas, envolva a alma de quantos dormem o sono da
paz.
A nossa fé é iluminada pela Palavra que foi
proclamada e que enriquece a nossa confiança nas mãos de Deus. Elas são
capazes de preservar eficazmente a alma dos justos, como nos recorda o Livro da Sabedoria: «Nenhum tormento os atingirá» (Sb
3,1). Esta é a promessa de salvação que, especialmente neste dia, se torna o
cerne da súplica que elevamos ao Senhor da vida por todos os fiéis falecidos.
Que as suas mãos paternas e seguras os
conservem para sempre, a fim de que possam desfrutar plenamente daquela
pertença recíproca e vital que o Senhor promete ao seu povo no Livro do Apocalipse: «Eles serão o seu povo e o próprio Deus
estará com eles» (Ap 21,3). A nossa oração intercede para que se
realize esta comunhão eterna de vida, prometida pelo Bom Pastor às suas ovelhas
que não se perderão para sempre e que ninguém as arrancará das suas mãos (cf. Jo 10,28).
Caríssimos, ouvimos o Evangelho das Bem-aventuranças
(Mt 5,1-12). Elas são como que o autorretrato de Jesus, que Ele mesmo
põe à disposição dos seus discípulos, proclamando: «Bem-aventurados sois vós!»
(v. 11). As Bem-aventuranças são o caminho para uma vida plena e completa, já
agora e para a eternidade. Quando as ouvimos serem proclamadas na Liturgia
sabemos que é o Senhor Ressuscitado que nos fala. E este anúncio de salvação
que são as Bem-aventuranças ressoa com particular força espiritual no
cemitério, que é como que limiar entre o aquém e o além, entre a existência
terrena e o além que nos espera. Jesus Ressuscitado nos diz: bem-aventurados
aqueles que vivem segundo este caminho, pois deles é o reino dos céus!
Entre as oito Bem-aventuranças do Evangelho de Mateus há uma que hoje nos toca de modo
particular: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» (Mt
5,4). Neste momento queremos rezar por quantos perderam recentemente um ente
querido; em particular por aqueles aos quais este lhe foi arrancado pela
violência absurda da guerra. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas
crianças, de tantos idosos comovam a consciência daqueles que têm o poder de
silenciar as armas!
No oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, é natural recordar a “bem-aventurança” que ele acrescentou
ao Cântico das Criaturas, quando compreendeu que o seu fim estava
próximo: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte
corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar: ai de quem morrer em pecados
mortais; bem-aventurados aqueles que a morte encontrar na tua santíssima
vontade, porque a segunda morte não lhes fará mal».
Queridos irmãos e irmãs, a fé em Cristo nos diz
que o nosso vínculo com os fiéis falecidos não é interrompido, mas
transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos
rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que realmente já
antecipamos aqui, no Sacramento da Eucaristia. Animados por esta fé cheia de
esperança, prossigamos o nosso caminho terreno, à espera do dia em que Ele
enxugará todas as lágrimas, quando «a morte não existirá mais e não haverá mais
luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes» (Ap 21,4).
Fonte: Santa Sé.


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