sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Ângelus: Solenidade de Todos os Santos (2026)

Solenidade de Todos os Santos
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 01 de novembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
A Solenidade de Todos os Santos, que hoje celebramos, nos convida a saborear a alegria daquela família incontável de homens e mulheres que, seguindo o Senhor Jesus, fizeram da sua vida uma oferta a Deus e ao próximo e que, nos diferentes percursos de santificação, desejaram «o oceano do amor infinito», segundo uma bela expressão do Papa Bento XVI (Encíclica Spe salvi, n. 12).

A Liturgia da Palavra desta festa os descreve como «uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar» (Ap 7,9). Com efeito, celebramos hoje todos os santos: aqueles já reconhecidos pela Igreja e também muitos que não o foram, mas que Deus conhece. Como nos recorda o Evangelho de hoje (Mt 5,1-12), trata-se de pobres de espírito, mas ricos no amor de Deus. Têm rostos marcados pelas lágrimas, mas consolados na oração. São mansos perante a violência e recompensados pelo Pai. Famintos de justiça e saciados no íntimo da consciência. Dispostos ao perdão e abraçados pela misericórdia. Desarmados no coração, mas guardados por Deus. Construtores da paz, chamados por Ele pelo nome. Perseguidos e ofendidos, mas fortes na fé e na caridade.

É verdade que é impossível “contar” a multidão desses irmãos e irmãs, e não apenas em termos numéricos: na realidade, a santidade não se reduz a nenhum cálculo, pois assim é o bem que todos os santos espalharam à sua volta pelo mundo. Olhando para eles com admiração, nos perguntamos: o que geraram essas pessoas, com a graça de Deus? Essencialmente, gestos e escolhas de amor, que ultrapassam os cálculos da ganância e a prepotência do mal que, por vezes, parece prevalecer. Os santos e as santas são o sinal mais belo e mais forte do Reino de Deus que vem, ou melhor - como ensina Jesus - que já está no meio de nós (cf. Lc 17,20-21). Além disso, essa multidão bem-aventurada abrange as mais diversas origens, culturas e situações de vida: a santidade não é um privilégio para poucos, mas é uma vocação universal que interpela cada um de nós ali onde vivemos. Esta é a mensagem cheia de esperança da festa de hoje: Deus vê o bem que nós não vemos, conhece histórias que nós não conhecemos, alcança corações aos quais não temos acesso.

Que a Virgem Maria, bem-aventurada por ter acreditado na palavra do Senhor, acompanhe os nossos passos no caminho da santidade, para que não nos cansemos de construir a paz, tanto nas situações mais importantes como nas da vida quotidiana.

Batistério de Pádua (Itália)

Fonte: Santa Sé.

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