quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Em que momento cantar o hino da Campanha da Fraternidade?

Estamos nos aproximando do Tempo da Quaresma, que tem início com a Quarta-feira de Cinzas. Desde o ano de 1964 em nosso país  tem lugar nesse período a chamada “Campanha da Fraternidade” (CF), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2026

A Campanha da Fraternidade não toca diretamente a Liturgia, sendo uma proposta para a Pastoral e para a Catequese. Nesta Campanha reflete-se sobre algum tema que afeta a sociedade, geralmente à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja.

Para cada Campanha é composto um hino, inspirado no tema a ser refletido, que muitas vezes é entoado nas celebrações litúrgicas. Diante disso, surge a pergunta: Em que momento da Missa (ou da Celebração da Palavra) se deve cantar o hino da Campanha da Fraternidade?

Primeiramente não se “deve” cantar e sim se “pode” cantar. Como afirmamos acima, a CF não tem relação direta com a Liturgia, portanto seu hino não é obrigatório nas celebrações. A prioridade será sempre dos cantos litúrgicos próprios do Tempo da Quaresma, sobretudo aqueles que refletem os textos bíblicos proclamados.

A própria CNBB nos indica em que momentos da celebração este hino pode ser cantado em seu Guia Litúrgico Pastoral (4ª edição, p. 148):

“O hino da Campanha da Fraternidade de cada ano tem uma finalidade pastoral-catequética... Ele é proposto para encontros, formações e reuniões das comunidades sobre a Campanha da Fraternidade. Ainda que não seja um canto ritual, pode, esporadicamente, ser entoado ao final da celebração” [1].

Edições anteriores do Guia Litúrgico-Pastoral indicavam que o hino da CF poderia ser entoado também em algum momento da homilia (cf. 3ª edição, p. 106) [2]. Na edição atual, revista e atualizada após a publicação da 3ª edição do Missal, se recomenda entoar o hino apenas como canto final. Além disso, se acrescenta o advérbio esporadicamente, reforçando seu caráter facultativo.

Fica claro, portanto, que o hino da Campanha da Fraternidade não é um canto litúrgico (ou ritual), sendo proposto para um momento em que não há canto litúrgico previsto, isto é, a procissão de saída.

Mas então o hino da Campanha não pode ser entoado como canto de entrada? Não. O hino da Campanha não pode ser entoado como canto de entrada.

Com efeito, a Instrução Geral do Missal Romano afirma que “a finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembleia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros” (3ª edição, n. 47) [2].

O canto de entrada, portanto, deve ser adequado ao tempo litúrgico. Ora, o tempo litúrgico é a Quaresma, e não a “Campanha da Fraternidade”. Assim, o canto de entrada deve estar em sintonia com a espiritualidade quaresmal. Há muitos cantos excelentes para este tempo, profundamente inspirados na Palavra de Deus proclamada.

Resumindo: hino da Campanha da Fraternidade nas celebrações litúrgicas apenas, esporadicamente, como canto final.


Notas:
[1] CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Guia Litúrgico-Pastoral: Revisado e atualizado. 4ª edição. Brasília: Edições CNBB, 2025, p. 148.
[2] cf. idemGuia Litúrgico-Pastoral. 3ª edição. Brasília: Edições CNBB, 2017, p. 106.
[3] INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO E INTRODUÇÃO AO LECIONÁRIO. Texto oficial da 3ª edição típica do Missal Romano. Brasília: Edições CNBB, 2023, p. 26.

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9 comentários:

  1. Olá meu irmão André, quanto tempo não te vejo na Catedral! Muito obrigado por partilhar esse conhecimento conosco

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  2. A Cf está se tornando desprezível devido a conotação política que está existindo em nossa igreja. A Cnbb é tida como de esquerda. Acabemos com isto meus irmãos. Vivamos somente a espiritualidade baseada em Jesus Cristo. Cuidemos de nosso espírito. A carne voltará ao pó. Paz e bem. ARI PONTES

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    1. Infelizmente percebo isso também. Pra quê tanta divisão? O que nos resta é orar pra que entendam que Jesus é Luz e não trevas.

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  3. Boa tarde! Sou animadora de canto nas missas. Penso que deveria sim casar o canto da campanha, com a liturgia. Não vejo o porquê, separa -lo da litrugia, se as letras são inspiradas na palavra de Deus e relacionadas a situação presente e mais carente no mundo.

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    1. A própria CNBB nos indica em seu Guia Litúrgico Pastoral (p. 106) que o lugar do hino da Campanha da Fraternidade é na homilia ou como "canto final".

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  4. Graças a Deus não é necessário, prefiro cantar cantar de Conversão ao final da Missa, do q o Hino da CF

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