A palavra “asterisco” (do grego ἀστερίσκος, diminutivo de ἀστήρ,
“estrela”), além de designar o respectivo sinal gráfico (*) e inspirar o nome
do célebre gaulês das histórias de Uderzo e Goscinny (Asterix), é também o nome
de um objeto litúrgico.
A origem do asterisco litúrgico está no Rito Bizantino.
Trata-se de um objeto formado por dois aros de metal cruzados que se coloca na
patena (chamada nesse rito de diskos)
para evitar que o véu que se coloca sobre ela toque o pão a ser consagrado.
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O asterisco sobre o diskos (patena) |
Alguns asteriscos orientais possuem uma estrela pendente do centro,
simbolizando a estrela de Belém. Na verdade o próprio asterisco simboliza esta
estrela, como indica a oração que o sacerdote recita ao cobrir a patena com o
asterisco: “Assim que a estrela chegou, ela parou sobre o lugar onde estava o
menino” (Mt 2,9) [1].
Este objeto foi posteriormente introduzido no Rito Romano,
na solene Liturgia presidida pelo Papa. Como este comungava em sua sede, o
diácono levava a patena do altar até ele. Para evitar que a hóstia caísse
durante o trajeto, o cerimoniário colocava sobre ela um asterisco.
O asterisco romano, porém, tinha um formato distinto do
oriental: era um disco sólido, encimado por uma cruz, do qual saíam doze raios
nos quais estavam inscritos os nomes dos doze Apóstolos.
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Asterisco de doze pontas com os nomes dos Apóstolos |
No século XVIII algumas igrejas de Portugal começaram a
adotar o asterisco em suas celebrações, sobretudo quando realizadas ao ar
livre. Enquanto algumas dioceses possuíam um asterisco idêntico ao de Roma, com
doze aros, outras, talvez para não equipar-se ao Romano Pontífice, possuíam um
asterisco de seis aros, que em vez do nome dos Apóstolos trazia decorações
florais.
A partir de 2008 o Papa Bento XVI resgatou o uso do
asterisco nas Missas campais, praxe continuada pelo Papa Francisco (mesmo em
celebrações fora de Roma), adotando porém um modelo mais simples.
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Note-se o asterisco de oito pontas na parte inferior da imagem |
Assim, é possível supor que este objeto litúrgico possa ser
adotado em qualquer lugar, dado que possui um caráter funcional: evitar que
a hóstia seja levada pelo vento nas Missas ao ar livre. Na sua ausência, porém,
poderia usar-se uma pala.
Notas:
[1] SPERANDIO, João Manoel; TAMANINI, Paulo Augusto (orgs.).
Hieratikon: Pequeno Missal bizantino.
Teresina: Editora da Universidade Federal do Piauí, 2015, p. 21.
Sobre o uso do asterisco em Portugal:
DA VINHA, Marco. Curiosidades litúrgicas lusitanas: asteriscos litúrgicos em Portugal.
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