sexta-feira, 8 de maio de 2026

Homilia do Papa: Missa em Mongomo

Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial
Missa em Mongomo
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica da Imaculada Conceição em Mongomo (Guiné Equatorial)
Quarta-feira, 22 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa da quarta-feira da III semana da Páscoa.

Caríssimos irmãos e irmãs,
Nesta esplêndida Catedral Basílica, dedicada à Imaculada Conceição, Mãe do Verbo Encarnado e Padroeira da Guiné Equatorial, estamos reunidos para ouvir a Palavra do Senhor e celebrar o Memorial que Ele nos deixou como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. A Eucaristia abarca verdadeiramente todo o bem espiritual da Igreja: é Cristo, nossa Páscoa, que se entrega a nós; é o Pão vivo que nos sacia; é a presença que nos revela o amor infinito de Deus por toda a família humana e o seu vir ao encontro de cada homem e cada mulher também hoje.

Estou contente por poder celebrar convosco, dando graças ao Senhor pelos 170 anos de evangelização nestas terras da Guiné Equatorial. Trata-se de uma ocasião propícia para fazer memória de todo o bem que o Senhor realizou e, ao mesmo tempo, desejo expressar a minha gratidão a tantos missionários, missionárias, sacerdotes diocesanos, catequistas e fiéis leigos que gastaram a sua vida a serviço do Evangelho.


Eles acolheram as expectativas, as interrogações e as feridas do vosso povo, iluminando-as com a Palavra do Senhor e tornando-se sinal do amor de Deus no meio de vós; com o seu testemunho de vida, colaboraram para o advento do Reino de Deus, não temendo sofrer pela sua fidelidade a Cristo.

É uma história que não podeis esquecer, pois, por um lado, vos liga à Igreja apostólica e universal que vos precede e, por outro, vos acompanhou no processo de vos tornardes vós mesmos protagonistas no anúncio do Evangelho e no testemunho da fé, cumprindo aquelas palavras proféticas proferidas em terra africana pelo Papa São Paulo VI: «Africanos, a partir de agora, vós mesmos sois os vossos missionários. A Igreja de Cristo está verdadeiramente enraizada nesta terra abençoada» (Homilia na conclusão do Simpósio dos Bispos na África, Kampala, Uganda, 31 de julho de 1969).

Nesta perspectiva, sois chamados a continuar hoje o caminho traçado pelos missionários, pelos pastores e pelos leigos que vos precederam. A todos e a cada um é exigido um empenho pessoal que envolva totalmente a vida, para que a fé, celebrada de forma tão festiva nas vossas comunidades e Liturgias, alimente as vossas atividades caritativas e a responsabilidade em relação ao próximo, em vista da promoção do bem de todos.

Esse compromisso exige perseverança, requer muito esforço e, por vezes, sacrifício, mas é o sinal de que somos verdadeiramente a Igreja de Cristo. Na verdade, a 1ª Leitura que acabamos de ouvir nos relata, em poucos versículos, como uma Igreja que anuncia o Evangelho com alegria e sem medo é também uma Igreja que, precisamente por isso, pode ser perseguida (At 8,1-8). Por outro lado, porém, o Livro dos Atos dos Apóstolos nos diz que, enquanto os cristãos são obrigados a fugir e se dispersam, muitos se aproximam da Palavra do Senhor e podem ver com os seus próprios olhos que os doentes de corpo e de espírito são curados: são os sinais prodigiosos da presença de Deus, que geram grande alegria em toda a cidade (vv. 6-8).

Assim, irmãos e irmãs, mesmo que as situações pessoais, familiares e sociais que vivemos nem sempre sejam favoráveis, podemos confiar na obra do Senhor, que faz germinar a boa semente do seu Reino por caminhos que nos são desconhecidos, mesmo quando tudo à nossa volta parece árido, e mesmo nos momentos de escuridão. Com esta confiança, enraizada mais na força do seu amor que nos nossos méritos, somos chamados a permanecer fiéis ao Evangelho, a anunciá-lo, a vivê-lo em plenitude e a testemunhá-lo com alegria. Deus não nos privará dos sinais da sua presença e, mais uma vez, como nos disse Jesus no Evangelho que acabamos de ouvir, será para nós «o pão da vida» que saciará a nossa fome (cf. Jo 6,35).

Que tipo de fome sentimos? E do que tem fome hoje este país? O lema da minha visita é «Cristo, luz da Guiné Equatorial rumo a um futuro de esperança», e talvez seja precisamente essa a maior fome de hoje: há fome de futuro, mas de um futuro habitado pela esperança, capaz de gerar uma nova justiça, capaz de dar frutos de paz e fraternidade. E não se trata de um futuro desconhecido, que devemos aguardar de forma passiva, mas de um futuro que nós mesmos, com a graça de Deus, somos chamados a construir. O futuro da Guiné passa pelas vossas escolhas; está confiado ao vosso sentido de responsabilidade e ao empenho partilhado em proteger a vida e a dignidade de cada pessoa.

Portanto, é necessário que todos os batizados se sintam envolvidos na obra de evangelização, se tornem apóstolos da caridade e testemunhas de uma nova humanidade.

Trata-se de participar, com a luz e a força do Evangelho, no desenvolvimento integral desta terra, na sua renovação, na sua transformação. Dado que são tantas as riquezas naturais com que o Criador vos dotou, vos exorto a colaborar para que elas possam ser uma bênção para todos. Que o Senhor vos ajude a vos tornar cada vez mais uma sociedade em que cada um, de acordo com as suas diversas responsabilidades, trabalha ao serviço do bem comum e não de interesses particulares, superando as desigualdades entre privilegiados e desfavorecidos. Que cresçam espaços de liberdade e que a dignidade da pessoa humana seja sempre salvaguardada: penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldades; penso nos presos, muitas vezes obrigados a viver em condições higiênicas e sanitárias preocupantes.

Irmãos e irmãs, são necessários cristãos que tomem nas suas mãos o destino da Guiné Equatorial. Por isso, gostaria de vos encorajar: não tenhais medo de anunciar e testemunhar o Evangelho! Sede vós os construtores de um futuro de esperança, de paz e de reconciliação, continuando a obra que os missionários iniciaram há 170 anos.

A Virgem Maria Imaculada vos acompanhe neste caminho. Que ela interceda por vós e vos torne discípulos generosos e alegres de Cristo.


Fonte: Santa Sé.

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