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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Homilia do Papa: Missa em Douala

Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial
Missa em Douala
Homilia do Papa Leão XIV
“Japoma Stadium” em Douala (Camarões)
Sexta-feira, 17 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa da sexta-feira da II semana da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabamos de ouvir (Jo 6,1-15) é palavra de salvação para toda a humanidade. Por toda a parte se proclama hoje essa Boa Nova, que para a Igreja em Camarões ressoa como um anúncio providencial do amor de Deus e da nossa comunhão.

Com efeito, o testemunho do Apóstolo João nos fala de uma grande multidão (vv. 2-5), como nós somos aqui e agora. Para toda essa gente, porém, há muito pouca comida: apenas «cinco pães de cevada e dois peixes» (v. 9). Observando esta desproporção, Jesus nos pede hoje, como pediu então aos seus discípulos: de que forma resolveis este problema? Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?


Esta pergunta é dirigida a cada um de nós: é dirigida aos pais e mães que cuidam das suas famílias. É dirigida aos pastores da Igreja, que velam pelo rebanho do Senhor. É dirigida a todos os que têm a responsabilidade social e política de olhar pelo povo e pelo seu bem. Cristo dirige esta pergunta aos poderosos e aos fracos, aos ricos e aos pobres, aos jovens e aos idosos, porque todos sentimos fome da mesma maneira. Esta carência nos lembra que somos criaturas. Precisamos comer para viver. Não somos Deus: mas, precisamente, onde está Deus perante a fome das pessoas?

Enquanto aguarda as nossas respostas, Jesus dá a sua: «Tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes» (v. 11). Um grave problema é resolvido abençoando a pouca comida que há e repartindo-a por todos os que têm fome. A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de tudo dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.

Fazendo assim, a comida torna-se abundante: não é racionada por causa de uma emergência, não é roubada por causa de disputas, não é desperdiçada por quem se banqueteia diante daqueles que não têm nada para comer. Passando das mãos de Cristo para as dos seus discípulos, a comida aumenta para todos; mais ainda, sobra (vv. 12-13). A multidão, admirada com o que Jesus fez, exclama: «Este é verdadeiramente o Profeta» (v. 14), ou seja, aquele que fala em nome de Deus, o Verbo do Onipotente. E é verdade, mas Jesus não usa estas palavras tendo em vista um sucesso pessoal: não quer se tornar rei (v. 15), porque veio para servir com amor, não para dominar.

O milagre que Ele realizou é um sinal desse amor: mostra-nos não só como Deus alimenta a humanidade com o pão da vida, mas também como podemos levar esse alimento a todos os homens e mulheres que, como nós, têm fome de paz, de liberdade, de justiça. Cada gesto de solidariedade e perdão, cada iniciativa de bem é um pedaço de pão para a humanidade necessitada de cuidado. E, no entanto, isso não basta. Na verdade, ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma, que nutre a nossa consciência, que nos sustenta na hora sombria do medo, nas trevas do sofrimento. Esse alimento é Cristo, que sempre alimenta em abundância a sua Igreja e nos fortalece ao longo do caminho com o seu Corpo.

Irmãos e irmãs, a Eucaristia que estamos celebrando torna-se, assim, fonte de uma fé renovada, pois Jesus está presente no meio de nós. O Sacramento não reaviva uma memória distante no tempo, mas realiza uma “com-panhia” que nos transforma, porque nos santifica. Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Em torno da Eucaristia, esta mesma mesa torna-se anúncio de esperança nas provações da história e nas injustiças que vemos à nossa volta. Torna-se sinal da caridade de Deus, que em Cristo nos convida a partilhar o que temos, para que seja multiplicado na fraternidade eclesial.

O Senhor abraça o céu e a terra, conhece o nosso coração e todas as situações, felizes ou tristes, que atravessamos. Fazendo-se homem para nos salvar, Ele quis partilhar as necessidades da humanidade, começando pelas mais simples e quotidianas. A fome revela, então, não só a nossa carência, mas sobretudo o seu amor: lembremo-nos disso sempre que o nosso olhar se cruzar com o do irmão e da irmã a quem falta o necessário. Com efeito, aqueles olhos nos repetem a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: «O que fazeis por toda essa gente?». É certo que ser testemunhas de Cristo, imitando os seus gestos de amor, implica frequentemente dificuldades e obstáculos, tanto fora como dentro de nós, onde o orgulho pode corromper o coração. Nesses momentos, porém, repitamos com o salmista: «O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo?» (Sl 26,1). Mesmo que às vezes vacilemos, Deus nos encoraja sempre: «Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!» (v. 14).

Caríssimos jovens, dirijo esse convite especialmente a vós, porque sois os filhos amados da terra africana! Como irmãos e irmãs de Jesus, multiplicai os vossos talentos com a fé, a tenacidade e a amizade que vos animam. Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida: alimento de sabedoria e de libertação de tudo aquilo que não nos nutre, mas que, pelo contrário, confunde os nossos bons desejos e nos rouba a dignidade.

Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e o tornam insensível. Não vos esqueçais que o vosso povo é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho. Sede, pois, protagonistas do futuro, seguindo a vocação que Deus concede a cada um, sem vos deixar comprar por tentações que desperdiçam as energias e não servem ao progresso da sociedade.

Para que o vosso espírito corajoso se torne uma profecia do mundo novo, tomai como exemplo o que ouvimos nos Atos dos Apóstolos. Os primeiros cristãos, com efeito, dão um testemunho corajoso do Senhor Jesus perante dificuldades e ameaças, e perseveram mesmo entre os ultrajes (cf. At 5,40-41). Esses discípulos «cada dia, no Templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo» (v. 42), isto é, o Messias, o Libertador do mundo. Sim, o Senhor liberta do pecado e da morte. Anunciar com constância esse Evangelho é a missão de todo o cristão: é a missão que confio especialmente a vós, jovens, e a toda a Igreja que vive em Camarões. Tornai-vos boa-nova para o vosso país, como é, por exemplo, o Beato Floribert Bwana Chui para o povo congolês.

Irmãos e irmãs, ensinar significa deixar uma marca, como o agricultor faz com o arado no campo, para que a semente dê fruto. É assim que o anúncio cristão muda a nossa história, transformando as mentes e os corações. Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça em uma terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença. Com esse Evangelho no coração, daqui a pouco partilharemos o Pão eucarístico, que nos sacia para a vida eterna. Com fé alegre, peçamos ao Senhor que multiplique entre nós o seu dom, para o bem de todos.


Fonte: Santa Sé.

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