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domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem do Papa Bento XVI: Páscoa (2006)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa Bento XVI (†2005) há 20 anos, no dia 16 de abril de 2006, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa Bento XVI
Mensagem Urbi et Orbi
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo de Páscoa, 16 de abril de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
Christus resurrexit! Cristo ressuscitou!
1. A grande Vigília desta noite nos fez reviver o acontecimento decisivo e sempre atual da Ressurreição, mistério central da fé cristã. Inumeráveis círios pascais foram acesos nas igrejas para simbolizar a luz de Cristo que iluminou e ilumina a humanidade, vencendo para sempre as trevas do pecado e do mal. E hoje ressoam com força as palavras que deixaram admiradas as mulheres que, na madrugada do primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, onde o corpo de Cristo, descido apressadamente da cruz, havia sido depositado. Tristes e desoladas pela perda do seu Mestre, encontraram a grande pedra removida e, entrando, não encontraram o seu corpo. Enquanto estavam ali, incertas e desorientadas, dois homens com roupas brilhantes as surpreenderam dizendo: «Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,5-6). «Non est hic, sed resurrexit». Desde aquela manhã, estas palavras não cessam de ressoar pelo universo como um anúncio de alegria que atravessa os séculos imutável e, ao mesmo tempo, cheio de infinitas e sempre novas ressonâncias.


2. «Ele não está aqui. Ressuscitou!». Os mensageiros celestes comunicam, antes de tudo, que Jesus «não está aqui»: o Filho de Deus não ficou no sepulcro, porque não podia permanecer prisioneiro da morte (cf. At 2,24) e o túmulo não podia reter «o Vivente» (Ap 1,18), que é a própria fonte da vida. Como Jonas no ventre do peixe, do mesmo modo o Cristo Crucificado permaneceu engolido no seio da terra (cf. Mt 12,40) pelo transcorrer de um sábado. Aquele sábado verdadeiramente «era dia de festa solene», como escreve o evangelista João (Jo 19,31): o mais solene da história, porque nele o «Senhor do sábado» (Mt 12,8) levou a cumprimento a obra da criação (cf. Gn 2,1-4a), elevando o homem e o universo inteiro à liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21). Cumprida esta obra extraordinária, o corpo inanimado foi atravessado pelo sopro vital de Deus e, rompidas as barreiras do sepulcro, ressuscitou glorioso. Por isso os anjos proclamam: «Não está aqui», não pode mais ser encontrado no túmulo. Peregrinou na terra dos homens, terminou o seu caminho no túmulo como todos, mas venceu a morte e de modo absolutamente novo, por um ato de puro amor, abriu a terra de par em par para o Céu.

3. A sua Ressurreição, graças ao Batismo que nos “incorpora” a Ele, se torna a nossa ressurreição, como havia anunciado o profeta Ezequiel: «Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel» (Ez 37,12). Estas palavras proféticas assumem um valor singular no dia de Páscoa, porque hoje se cumpre a promessa do Criador; hoje, também nesta nossa época marcada pela ansiedade e pela incerteza, revivemos o acontecimento da Ressurreição, que mudou o rosto da nossa vida, mudou a história da humanidade. No Cristo Ressuscitado buscam esperança, às vezes mesmo inconscientemente, aqueles que ainda são oprimidos por laços de sofrimento e de morte.

4. O Espírito do Ressuscitado leve, em particular, alívio e segurança às populações do Darfur, na África, que se encontram em uma dramática situação humanitária insustentável; às populações da região dos Grandes Lagos, onde muitas feridas ainda não estão curadas; aos vários povos do Chifre da África, da Costa do Marfim, de Uganda, do Zimbábue e de outras nações que anseiam pela reconciliação, pela justiça e pelo desenvolvimento.

No Iraque, sobre a trágica violência que continua ceifando vítimas impiedosamente, prevaleça finalmente a paz. Paz desejo vivamente também para os que estão envolvidos no conflito da Terra Santa, convidando todos a um diálogo paciente e perseverante que remova os obstáculos antigos e novos, evitando as tentações da represália e educando as novas gerações ao respeito mútuo. A comunidade internacional, que reafirma o justo direito de Israel de existir em paz, ajude o povo palestino a superar as condições precárias em que vive e a construir o seu futuro, avançando rumo à constituição de um verdadeiro e próprio Estado.

O Espírito do Ressuscitado suscite um renovado dinamismo no empenho dos países da América Latina, para que sejam melhoradas as condições de vida de milhões de cidadãos, eliminada a nefasta praga dos sequestros de pessoas e consolidadas as instituições democráticas, em espírito de concórdia e de verdadeira solidariedade. Em relação às crises internacionais ligadas à energia nuclear, chegue-se a um acordo honrado para todos através de negociações sérias e leais, e se reforce nos responsáveis das nações e das organizações internacionais a vontade de realizar uma pacífica convivência entre etnias, culturas e religiões, que afaste a ameaça do terrorismo. É este o caminho da paz para bem da humanidade inteira.

5. O Senhor Ressuscitado faça sentir em toda parte a sua força de vida, de paz e de liberdade. A todos são dirigidas hoje as palavras com as quais, na manhã da Páscoa, o anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: «Não tenhais medo! (...) Ele não está aqui! Ressuscitou!» (Mt 28,5-6). Jesus ressuscitou e nos dá a paz; Ele mesmo é a paz. Por isso a Igreja repete com força: «Cristo ressuscitou» - «Christós anésti». Que a humanidade do terceiro milênio não tenha medo de abrir-lhe o coração! O seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em cada coração humano. Cristo agora está vivo e caminha conosco. Imenso mistério de amor! Christus resurrexit, quia Deus caritas est! Alleluia! - Cristo ressuscitou, porque Deus é amor! Aleluia!


Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog). 

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