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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Homilia do Papa: Ordenações Episcopais (2026)

Santa Missa com Ordenações Episcopais
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica do Latrão
Sábado, 02 de maio de 2026

Foi celebrada a Missa do V Domingo da Páscoa (Ano A).

Amados irmãos e irmãs,
Unindo-nos a Cristo, nos tornamos uma casa sólida e hospitaleira: esta é a alegria que experimentamos sobretudo no Tempo Pascal e, de modo especial, hoje, celebrando a Ordenação de quatro novos Bispos Auxiliares da Diocese de Roma.

Esta Igreja tem uma vocação singular para a universalidade e a caridade, graças ao seu vínculo peculiar com Cristo, ressuscitado e vivo, fundamento do edifício espiritual de pedras vivas que é o povo santo de Deus. Assim, aproximar-se de Cristo significa aproximar-nos uns dos outros e crescermos juntos na unidade: eis o Mistério que nos envolve e, a partir de dentro, transforma também a cidade. A serviço do seu dinamismo, trazido a Roma pelos Apóstolos Pedro e Paulo, os nossos irmãos Andrea, Stefano, Marco e Alessandro são ordenados Bispos. É uma festa de povo, pois eles provêm deste povo e do presbitério que, com amor, cuida dele.


A nossa Comunidade diocesana reúne-se hoje na invocação do Espírito Santo, que ungirá os novos Bispos, para que sejam plenamente consagrados ao serviço do Evangelho de Cristo. Ele é a pedra rejeitada que, escolhida por Deus, «tornou-se a pedra angular» (1Pd 2,4.7; cf. Sl 117,22).

Aos primeiros cristãos essa metáfora, tão familiar porque está presente em um salmo, devia parecer particularmente reveladora. O Messias Jesus foi rejeitado não só porque não era reconhecido como Filho de Deus, mas antes ainda porque tinha assumido a condição de criatura, considerada indigna de Deus. Fiel a esta senda de amor misericordioso, Ele ia à procura das ovelhas perdidas, sentava-se à mesa com elas, desarmava as mãos e os corações que queriam apedrejá-las. Desse modo, como diz o Evangelho proclamado nesta Liturgia, o Filho mostrou o rosto do Pai: é n’Ele que se cumprem as suas obras. « Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: “Mostra-nos o Pai”? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em mim?» (Jo 14,9-10).

Igreja que vives em Roma, a pedra rejeitada é o âmago do anúncio messiânico, diante daqueles que a sociedade descartava e continua a descartar. É o cerne do nosso anúncio, da nossa missão. Vimos o Santo tocar o impuro, o Justo perdoar os pecadores, a Vida curar os enfermos, o Mestre lavar os pés sujos e cansados dos seus discípulos.

Nesta cidade, capital do grande império, a pedra rejeitada tornou-se o estandarte de uma nova esperança, a do Reino de Deus, como antecipam as Bem-Aventuranças e como canta o Magnificat. Invertendo a lógica do domínio, de quem persegue a ambição insensata de determinar a arquitetura da Terra, é em Cristo que os rejeitados reencontram a própria dignidade, sentindo-se eleitos para o Reino de Deus. «Se assim não fosse - diz Jesus aos seus discípulos -, Eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando Eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde Eu estiver estejais também vós» (Jo 14,2-3).

Caríssimos irmãos e irmãs, eis porque até hoje nos tornamos pedras rejeitadas pelos homens e escolhidas por Deus: quando, com a vida e a palavra, nos opomos aos projetos que esmagam os fracos, que não respeitam a dignidade de cada pessoa, que se servem dos conflitos para selecionar os mais fortes, enquanto negligenciam quem fica para trás, quem não resiste, considerando quantos sucumbem como lixo da história. Jesus caminhou entre nós como profeta desarmado e desarmante, e quando foi rejeitado não mudou de estilo.

E agora dirijo-me a vós, caríssimos irmãos que a partir de hoje sereis Bispos Auxiliares desta Igreja, cujo cuidado recebi como dom; a vós que, com o Cardeal Vigário, podereis ajudar-me a ser reflexo do Bom Pastor para o povo romano e a presidir na caridade todo o povo santo de Deus espalhado pela terra.

Encorajo-vos a chegar às pedras rejeitadas desta cidade e a anunciar-lhes que, em Cristo, nossa pedra angular, ninguém está excluído de se tornar parte ativa do edifício santo que é a Igreja e da fraternidade entre os seres humanos. Reverbera nesta imagem o apelo da Exortação Apostólica Evangelii gaudium do Papa Francisco: ser Igreja “hospital de campanha”, ser pastor de rua, ter no coração as periferias materiais e existenciais. Como presbíteros, acolhestes este convite com as comunidades paroquiais que acompanhastes. Agora surge um novo chamado, mais uma vocação, que tem sempre o mesmo coração: ninguém, absolutamente ninguém, deve sentir-se rejeitado por Deus, e vós sereis arautos dessa boa nova que está no cerne do Evangelho.

Deixai agir em vós o Espírito de profecia: não vos acomodeis nos privilégios que a vossa condição vos poderia oferecer, não sigais a lógica mundana dos primeiros lugares, sede testemunhas de Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir (cf. Mc 10,45). Sereis profetas no vosso ministério se fordes homens de paz e unidade, tecendo com fios de graça e misericórdia os espaços amplos e populosos desta Diocese, harmonizando as diferenças, acolhendo, ouvindo, perdoando.

Não vos deixeis procurar, deixai-vos encontrar. E fazei com que os presbíteros, os diáconos, os religiosos e religiosas, os leigas e leigas comprometidos no apostolado nunca se sintam sozinhos. Ajudai-os a reanimar a esperança nos seus vários ministérios e a sentir-se parte de uma única missão. Sabei sempre, incansavelmente, motivar as pessoas e as comunidades, exortando com simplicidade à beleza do Evangelho.

Os pobres de Roma, os peregrinos, os visitantes que aqui chegarem de todas as partes do mundo possam encontrar nos habitantes desta cidade, nas suas instituições, nos seus pastores, a maternidade que é o rosto autêntico da Igreja. A Salus Populi Romani, Mãe da nossa confiança, nos guie e nos ampare sempre ao longo do caminho!


Fonte: Santa Sé.

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