Santa Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig
Homilia do Papa Leão XIV
Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Leituras: Ap 21,1-5a.6b-7; Sl 121; Jo 11,17-27.
Queridos irmãos e irmãs,
Reunidos em torno do Altar, acompanhamos o nosso irmão Paul Emil Tscherrig,
Cardeal, no momento em que ele se apresenta ao Senhor para receber a recompensa
pelo bem realizado nesta vida e o perdão pelas falhas que a fragilidade humana
possa ter causado.
É o momento grande e solene do encontro com o Senhor a quem ele serviu
generosamente, com o Amigo ao lado do qual ele caminhou fielmente por toda a
sua vida, mais da metade da qual dedicada ao serviço da Sé Apostólica em várias
Representações Pontifícias e na Secretaria de Estado.
Ele contribuiu, com o trabalho muitas vezes discreto, mas
não por isso menos diligente e árduo, típico do ministério que exerceu, ao
crescimento daquele Reino de cujo pleno cumprimento nos falou a 1ª Leitura:
Reino no qual o mar do caos já não existe e, ao contrário, resplandece a nova
Jerusalém, edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, iluminada pela luz do
Cordeiro e enriquecida pelos méritos dos Santos.
O compromisso como Diplomata, e antes ainda como Pastor da
Igreja, levou este nosso irmão a trabalhar por tantos anos, com paciência e
abnegação, para levar à concórdia os povos que lhe foram confiados pela obediência
(cf. Sl 121), enfrentando também os obstáculos e
desafios que um Representante Pontifício é chamado a abraçar para o bem de
todos. Ele cumpriu a sua missão primeiramente como colaborador em diversas
Nunciaturas, até a sua nomeação, em 1996, como Nuncio Apostólico no Burundi; depois
em Trinidad e Tobago e em diversos países do Caribe; na Coreia do Sul e
Mongólia; posteriormente na Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega; depois
na Argentina; chegando, em 2017, à Itália e San Marino. Uma vasta experiência
eclesial e internacional, que testemunha a sua disponibilidade e a sua
capacidade de adaptação, na sua caridade de Pastor, a ambientes muito
diferentes entre si: lugares e povos aos quais foi enviado, em nome do Santo
Padre, para tecer relações de comunhão entre as Igrejas locais e a Sé Apostólica,
bem como para reforçar vínculos de amizade.
Agora o Cardeal Paul Emil encontra o seu Senhor, Alfa e
Ômega, princípio e fim da sua existência (cf. Ap 21,6).
Nós o acompanhamos nesta misteriosa passagem, iluminada pelo Mistério Pascal, oferecendo
por ele o Sacrifício Eucarístico e os nossos sufrágios; e queremos fazer deste
momento também uma ocasião de reflexão e encorajamento, para fazer tesouro do
bem que ele, por graça de Deus, partilhou com fé e dedicação.
O Papa Francisco - que o Cardeal Tscherrig conheceu quando
era Arcebispo de Buenos Aires - em um discurso aos Diplomatas lhes convidava a
fazer florescer a esperança em torno de si, como resposta ao desejo e à
expectativa de bem dos povos (cf. Discurso ao Corpo Diplomático, 09
de janeiro de 2025). É um convite que hoje também nós podemos acolher,
colocando-o em prática lá onde somos chamados a servir e amar os irmãos. O
nosso mundo tem grande necessidade de mensageiros que o ajudem a recuperar a
confiança, e o bom testemunho daqueles que Deus escolheu como seus ministros
pode nos sustentar na resposta a esse apelo.
Ao mesmo tempo, porém, diante do mistério da morte, queremos
recordar também que, para além das vicissitudes deste mundo, por cujo bem somos
chamados a nos dedicar nesta vida, o fundamento último de toda a nossa
esperança está além da história e se fundamenta na Páscoa de Cristo, na sua
vitória gloriosa sobre o pecado e a morte.
O Evangelho nos recordou como Jesus, pouco antes da sua Paixão,
prefigurou o seu mistério devolvendo à vida o amigo Lázaro, cuja libertação do
sepulcro é um sinal a ser contemplado com fé para colher sua profunda mensagem.
É um sinal que podemos encontrar em tantos milagres de retorno à vida que a
caridade produz também por meio do nosso ministério e do nosso compromisso
diário pelo Evangelho. Tudo isso, porém, nos fala do milagre maio: o da
ressurreição para a vida eterna, que coroa todo esforço e trabalho desta vida e
leva a cumprimento seus acontecimentos para além dos limites do tempo.
Isso também nos recorda a dimensão essencial da missão da Igreja, que
abraça e ilumina todos os níveis do seu agir terreno. Com efeito, ela age no
tempo, mas a meta dos seus trabalhos está além da realidade deste mundo,
visando «recapitular em Cristo o universo inteiro» (Ef 1,10), e «a
redenção do povo que Ele adquiriu» (v. 14).
É nesta grande luz que saudamos o caríssimo Cardeal Paul Emil
Tscherrig, enquanto no coração sentimos dirigidas a nós as palavras que Jesus
disse a Marta: «Teu irmão ressuscitará» (Jo 11,23), «Eu sou a ressurreição e a
vida» (v. 25). Nós escutamos essas palavras juntamente com aquelas escolhidas
pelo próprio Cardeal, há trinta anos, como lema por ocasião da sua Ordenação
Episcopal: “Spes mea Christus”. Cristo, nosso Senhor, foi a sua
esperança ao longo de toda a vida: uma esperança que não o decepcionou, porque
enraizada no amor que Deus derramou no seu coração por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5)
e que hoje se cumpre para sempre.
Tradução nossa a partir do texto italiano. Fonte: Santa Sé.


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