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terça-feira, 26 de maio de 2026

Homilia do Papa: Exéquias do Cardeal Tscherrig

Santa Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig
Homilia do Papa Leão XIV
Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Leituras: Ap 21,1-5a.6b-7; Sl 121; Jo 11,17-27.

Queridos irmãos e irmãs,
Reunidos em torno do Altar, acompanhamos o nosso irmão Paul Emil Tscherrig, Cardeal, no momento em que ele se apresenta ao Senhor para receber a recompensa pelo bem realizado nesta vida e o perdão pelas falhas que a fragilidade humana possa ter causado.

É o momento grande e solene do encontro com o Senhor a quem ele serviu generosamente, com o Amigo ao lado do qual ele caminhou fielmente por toda a sua vida, mais da metade da qual dedicada ao serviço da Sé Apostólica em várias Representações Pontifícias e na Secretaria de Estado.

Ele contribuiu, com o trabalho muitas vezes discreto, mas não por isso menos diligente e árduo, típico do ministério que exerceu, ao crescimento daquele Reino de cujo pleno cumprimento nos falou a 1ª Leitura: Reino no qual o mar do caos já não existe e, ao contrário, resplandece a nova Jerusalém, edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, iluminada pela luz do Cordeiro e enriquecida pelos méritos dos Santos.


O compromisso como Diplomata, e antes ainda como Pastor da Igreja, levou este nosso irmão a trabalhar por tantos anos, com paciência e abnegação, para levar à concórdia os povos que lhe foram confiados pela obediência (cf. Sl 121), enfrentando também os obstáculos e desafios que um Representante Pontifício é chamado a abraçar para o bem de todos. Ele cumpriu a sua missão primeiramente como colaborador em diversas Nunciaturas, até a sua nomeação, em 1996, como Nuncio Apostólico no Burundi; depois em Trinidad e Tobago e em diversos países do Caribe; na Coreia do Sul e Mongólia; posteriormente na Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega; depois na Argentina; chegando, em 2017, à Itália e San Marino. Uma vasta experiência eclesial e internacional, que testemunha a sua disponibilidade e a sua capacidade de adaptação, na sua caridade de Pastor, a ambientes muito diferentes entre si: lugares e povos aos quais foi enviado, em nome do Santo Padre, para tecer relações de comunhão entre as Igrejas locais e a Sé Apostólica, bem como para reforçar vínculos de amizade.

Agora o Cardeal Paul Emil encontra o seu Senhor, Alfa e Ômega, princípio e fim da sua existência (cf. Ap 21,6). Nós o acompanhamos nesta misteriosa passagem, iluminada pelo Mistério Pascal, oferecendo por ele o Sacrifício Eucarístico e os nossos sufrágios; e queremos fazer deste momento também uma ocasião de reflexão e encorajamento, para fazer tesouro do bem que ele, por graça de Deus, partilhou com fé e dedicação.

O Papa Francisco - que o Cardeal Tscherrig conheceu quando era Arcebispo de Buenos Aires - em um discurso aos Diplomatas lhes convidava a fazer florescer a esperança em torno de si, como resposta ao desejo e à expectativa de bem dos povos (cf. Discurso ao Corpo Diplomático, 09 de janeiro de 2025). É um convite que hoje também nós podemos acolher, colocando-o em prática lá onde somos chamados a servir e amar os irmãos. O nosso mundo tem grande necessidade de mensageiros que o ajudem a recuperar a confiança, e o bom testemunho daqueles que Deus escolheu como seus ministros pode nos sustentar na resposta a esse apelo.

Ao mesmo tempo, porém, diante do mistério da morte, queremos recordar também que, para além das vicissitudes deste mundo, por cujo bem somos chamados a nos dedicar nesta vida, o fundamento último de toda a nossa esperança está além da história e se fundamenta na Páscoa de Cristo, na sua vitória gloriosa sobre o pecado e a morte.

O Evangelho nos recordou como Jesus, pouco antes da sua Paixão, prefigurou o seu mistério devolvendo à vida o amigo Lázaro, cuja libertação do sepulcro é um sinal a ser contemplado com fé para colher sua profunda mensagem. É um sinal que podemos encontrar em tantos milagres de retorno à vida que a caridade produz também por meio do nosso ministério e do nosso compromisso diário pelo Evangelho. Tudo isso, porém, nos fala do milagre maio: o da ressurreição para a vida eterna, que coroa todo esforço e trabalho desta vida e leva a cumprimento seus acontecimentos para além dos limites do tempo.

Isso também nos recorda a dimensão essencial da missão da Igreja, que abraça e ilumina todos os níveis do seu agir terreno. Com efeito, ela age no tempo, mas a meta dos seus trabalhos está além da realidade deste mundo, visando «recapitular em Cristo o universo inteiro» (Ef 1,10), e «a redenção do povo que Ele adquiriu» (v. 14).

É nesta grande luz que saudamos o caríssimo Cardeal Paul Emil Tscherrig, enquanto no coração sentimos dirigidas a nós as palavras que Jesus disse a Marta: «Teu irmão ressuscitará» (Jo 11,23), «Eu sou a ressurreição e a vida» (v. 25). Nós escutamos essas palavras juntamente com aquelas escolhidas pelo próprio Cardeal, há trinta anos, como lema por ocasião da sua Ordenação Episcopal: “Spes mea Christus”. Cristo, nosso Senhor, foi a sua esperança ao longo de toda a vida: uma esperança que não o decepcionou, porque enraizada no amor que Deus derramou no seu coração por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5) e que hoje se cumpre para sempre.


Tradução nossa a partir do texto italiano. Fonte: Santa Sé.

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