segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Bispos melquitas participam de Missa com o Papa

No último dia 13 de fevereiro, terça-feira da VI semana do Tempo Comum, os Bispos da Igreja Greco-Melquita com seu Patriarca, Youssef Absi, participaram da Missa com o Papa Francisco na Capela da Casa Santa Marta para expressar a Ecclesiastica Communio (Comunhão Eclesiástica) após a eleição do Patriarca, em junho de 2017.

Procissão de entrada
Palavras do Papa no início da celebração
Oração do dia
Liturgia da Palavra
Epiclese

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Homilia: I Domingo da Quaresma - Ano B

São João Crisóstomo
Sermão 2 aos Neófitos
“Preparemo-nos com confiança para o combate”

Quanto a vós, irmãos bem-amados, eu posso chamar-vos deste modo, pois recebi um dia a mesma graça do novo nascimento (Batismo), e a causa de meu grande amor para convosco. Eu vos rogo que, depois de ter recebido tão grande graça, proveis vossa boa vontade. Mostrai-vos dignos da graça, pois a honra que vos será feita é incomparável. Estes últimos tempos só representaram para vós um exercício preparatório, a queda era sempre possível. Hoje começa o verdadeiro combate que decidirá a coroa. O combate começa, o estádio está aberto. Acorrem como espectadores não somente os homens, mas também os exércitos celestes dos anjos: Fomos dados em espetáculo, está escrito, ao mundo, aos anjos e aos homens. Os anjos vos contemplam, o Senhor dos anjos vos apresenta a coroa. Está em jogo não somente nossa glória, mas também nossa salvação, o juiz é aquele que deu sua vida por nós.
Nos jogos olímpicos, aquele que concede a coroa ocupa um lugar no meio dos concorrentes, não favorece a ninguém com um sinal de simpatia, ele é imparcial. Espera o resultado incerto do combate. Na luta com o demônio, Cristo não é neutro: coloca-se do nosso lado. Para convencer-te, recorda que ele nos unge com o óleo da alegria, que ele estende ciladas ao demônio para conseguir sua perda. Se ele vê o demônio cair durante o combate, grita para nós: Esmagai-o. Se ele nos vê vacilar, nos reanima com a mão de sua majestade e nos diz: Por acaso o que cai não pode levantar-se? Ele desperta aqueles que dormem dizendo: Desperta, tu que dormes. Quereis conhecer outras maravilhas? Deus nos preparou o céu como recompensa; o demônio, ainda que venha a ser vencedor, é devolvido ao inferno e ameaçado com o castigo. Se eu alcanço a vitória, serei coroado. Ele será castigado, ainda que vença...
Preparemo-nos com confiança para o combate. Nossas armas são mais brilhantes que o ouro, mais duras que o diamante, mais cintilantes que o fogo, mais rápidas que plumas. Elas não ferem nem cortam o teu corpo, mas o afirmam e o tornam flexível. Com elas pode sem dificuldade chegar ao céu. As armas da terra com as quais o estreante se treina dia após dia são demasiado rudes e inúteis no combate espiritual.
Sou homem, mas fui chamado a enfrentar os demônios. Nascido com um corpo devo lutar contra um inimigo sem corpo. É por isso que Deus me deu uma couraça que não é de metal, mas de simplicidade e justiça. Deus me armou com o escudo da fé. A Palavra de Deus é minha espada. O inimigo utiliza-se de flechas; eu, de uma espada. Ele confia em seus tiros; a mim não faltam nem defesa, nem armas. O inimigo não se sente seguro, mantém-se à distância, lança suas flechas de longe, elas só podem alcançar ao imprudente.
Deus me concedeu outro sustento. Qual? Preparou-me uma mesa com manjares escolhidos, para que, fortificado com alimentos tonificantes, combata ao inimigo até a vitória. Quando o demônio gesticulante te vê afastar-se da mesa do festim celestial, foge como que perseguido por um leão que lança chamas, e desaparece com a velocidade do vento e não ousa mais aproximar-se. Pois só ao enxergar de longe tua língua enrubescida pelo sangue do Senhor, creia-me, abandona o combate rapidamente. Se de longe enxerga sobre teus lábios o sangue de Cristo, foge aterrorizado.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 308-310.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Missa pelos Enfermos em Londres

O Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Gerard Nichols, celebrou no último dia 11 de fevereiro a Santa Misa com o Sacramento da Unção dos Enfermos na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres, por ocasião do Dia Mundial do Enfermo.

Procissão de entrada com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes

Ritos iniciais
Homilia
Preces pelos enfermos

Missa pelos Enfermos em Cracóvia

No último dia 11 de fevereiro, por ocasião do Dia Mundial do Enfermo, o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa no Santuário da Divina Misericórdia, durante a qual foi administrado o Sacramento da Unção dos Enfermos.

Oração do Terço antes da Missa

Procissão de entrada

Incensação

Angelus do Papa: VI Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 11 de fevereiro de 2018

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nestes domingos o Evangelho, segundo a narração de Marcos, apresenta-nos Jesus que cura os doentes de todos os tipos. Em tal contexto insere-se bem o Dia Mundial do Doente, que se celebra precisamente hoje, 11 de fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes. Por isso, com o olhar do coração voltado para a gruta de Massabielle, contemplemos Jesus como verdadeiro médico dos corpos e das almas, que Deus Pai enviou ao mundo para curar a humanidade, marcada pelo pecado e pelas suas consequências.
A hodierna página evangélica (cf. Mc 1,40-45) apresenta-nos a cura de um homem doente de lepra, uma patologia que no Antigo Testamento era considerada uma grave impureza e comportava a separação do leproso da comunidade: eles viviam sozinhos. A sua condição era verdadeiramente penosa, porque a mentalidade dessa época o levava a sentir-se impuro até diante de Deus, não só perante os homens. Até diante de Deus! Por isso, o leproso do Evangelho suplica a Jesus com estas palavras: «Se quiseres, podes purificar-me!» (v. 40).
Ao ouvir isto, Jesus sente compaixão (cf. v. 41). É muito importante prestar atenção a esta ressonância interior de Jesus, como fizemos prolongadamente, durante o Jubileu da Misericórdia. Não se entende a obra de Cristo, não se compreende o próprio Cristo, se não se entra no seu Coração cheio de compaixão e de misericórdia. É ela que o impele a estender a mão àquele homem doente de lepra, a tocá-lo e a dizer-lhe: «Eu quero, sê curado!» (v. 40). O facto mais surpreendente é que Jesus toca o leproso, porque isto era absolutamente proibido pela lei mosaica. Tocar um leproso significava ser contagiado inclusive dentro, no espírito, ou seja, tornar-se impuro. Mas neste caso o influxo não passa do leproso para Jesus, transmitindo o contágio, mas de Jesus para o leproso, concedendo-lhe a purificação. Nesta cura nós admiramos, além da compaixão, da misericórdia, também a audácia de Jesus, que não se preocupa nem com o contágio, nem com as prescrições, mas é movido unicamente pela vontade de libertar aquele homem da maldição que o oprime.
Irmãos e irmãs, nenhuma enfermidade é causa de impureza: a doença certamente abrange a pessoa inteira, mas de modo algum atinge ou impede a sua relação com Deus. Aliás, uma pessoa doente pode estar ainda mais unida a Deus. Ao contrário, é o pecado que nos torna impuros! O egoísmo, a soberba, o entrar no mundo da corrupção, são estas as enfermidades do coração das quais é preciso ser purificado, dirigindo-se a Jesus como o leproso: «Se quiseres, podes purificar-me!».
E agora, guardemos um instante de silêncio, e cada um de nós - todos vós, eu, todos - pode pensar no seu coração, olhar para dentro de si mesmo e ver as suas impurezas, os seus pecados. E cada um de nós, em silêncio, mas com a voz do coração, diga a Jesus: “Se quiseres, podes purificar-me!”. Façamo-lo todos, em silêncio.
“Se quiseres, podes purificar-me!”.
“Se quiseres, podes purificar-me!”.
E cada vez que nos aproximamos do sacramento da Reconciliação com o coração arrependido, o Senhor repete-nos também a nós: «Eu quero, sê curado!». Quanta alegria há nisto! Assim a lepra do pecado desaparece, voltamos a viver com júbilo a nossa relação filial com Deus e somos readmitidos plenamente na comunidade.
Por intercessão da Virgem Maria, nossa Mãe Imaculada, peçamos ao Senhor, o qual trouxe a saúde aos doentes, que cure também as nossas feridas interiores com a sua misericórdia infinita, para nos restituir deste modo a esperança e a paz do coração.


Fonte: Santa Sé

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Homilia: Quarta-feira de Cinzas

São João Crisóstomo
Sermão 2 sobre o Diabo Tentador
“Cinco caminhos de penitência”

Quereis que vos recorde os diversos caminhos de penitência? Existem certamente muitos, distintos e diferentes, e todos eles conduzem ao céu.
O primeiro caminho de penitência consiste na acusação dos pecados: Confessa primeiro teus pecados, e serás justificado. Por isso afirma o salmista: Eu propus: confessarei ao Senhor minha culpa e tu a perdoaste e ao meu pecado. Condena, pois, tu mesmo aquilo no que pecaste, e esta confissão te obterá o perdão diante do Senhor, pois, quem condena aquilo no qual faltou, com mais dificuldade voltará a cometê-lo. Faz que tua consciência esteja sempre desperta e seja como que tua acusadora doméstica, e assim não terás quem te acuse diante do tribunal de Deus.
Este é um primeiro e ótimo caminho de penitência; existe também outro, não inferior ao primeiro, e que consiste em perdoar as ofensas que recebemos de nossos inimigos, de tal forma que, colocando limites a nossa ira, esqueçamos as faltas de nossos irmãos. Agindo assim, obteremos que Deus perdoe aquelas dívidas que diante dele temos contraído; eis aqui, pois, um segundo modo de expiar nossas culpas. Porque se perdoais as culpas dos outros, diz o Senhor, também vosso Pai do céu vos perdoará.
Queres conhecer um terceiro caminho de penitência? O tens na oração fervorosa e contínua, que brota do íntimo do coração.
Se ainda desejas que te fale de um quarto caminho, te direi que o tens na esmola: ela possui uma enorme e extraordinária virtualidade.
Também, se és humilde e realiza obras com modéstia, neste proceder encontrarás – não menos do que até agora temos dito –, uma maneira de destruir o pecado. Disso tens um exemplo naquele publicano que, ainda que não possa recordar diante de Deus sua boa conduta, em lugar de boas obras apresentou sua humildade e percebeu-se aliviado do grande peso de seus numerosos pecados.
Recordei-te, pois, cinco caminhos de penitência: primeiro, a acusação dos pecados; segundo, o perdoar as ofensas de nosso próximo; terceiro, a oração; quarto, a esmola; e quinto, a humildade.
Não fiques, portanto, ocioso; antes procura caminhar cada dia pela senda destes caminhos: isso, de fato, resulta fácil, e não te podes escusar alegando tua pobreza, pois, ainda que vivas em grande penúria, poderias destituir tua ira e mostrar-te humilde, poderias orar assiduamente e confessar teus pecados; a pobreza não é obstáculo para dedicar-te a estas práticas. Porém, o que estou dizendo? A pobreza não impede de forma alguma o andar por aquele caminho de penitência, e que consiste em seguir o mandato do Senhor, distribuindo os próprios bens – digo da esmola –, pois isto o realizou inclusive aquela viúva pobre que deu suas duas pequenas moedas.
Já que tens aprendido com estas palavras a curar tuas feridas, decide-te a usar destas medicinas, e assim, já recuperada tua saúde, poderás aproximar-te com confiança à santa mesa e sair com grande glória ao encontro do Senhor, Rei da glória, e alcançar os bens eternos pela graça, a misericórdia e a benignidade de nosso Senhor Jesus Cristo.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 305-306.

Confira também outras duas homilias: São Leão Magno e São João Crisóstomo.

Mensagem do Papa: Quaresma 2018

Papa Francisco
Mensagem para a Quaresma de 2018
«Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24,12)

Amados irmãos e irmãs!
Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão» [1], que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.
Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24,12).
Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas
Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?
Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!
Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8,44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo [2]; habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?
O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1Tm 6,10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n'Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos [3]. Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.
A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.
E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário [4].

Que fazer?
Se porventura detectamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.
Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos [5], para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.
A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2Cor 8,10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade? [6]
Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.
Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa
Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.
Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.
Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito» [7], para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.
Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.
Vaticano, 1 de novembro de 2017, Solenidade de Todos os Santos.

FRANCISCO

[1] Missal Romano, I Domingo da Quaresma, Oração Coleta.
[2] «Imperador do reino em dor tamanho / saía a meio peito ao gelo baço» (Inferno XXXIV, 28-29).
[3] «É curioso, mas muitas vezes temos medo da consolação, medo de ser consolados. Aliás, sentimo-nos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabeis porquê? Porque, na tristeza, quase nos sentimos protagonistas; enquanto, na consolação, o protagonista é o Espírito Santo» (Angelus, 7/XII/2014).
[4] N. 76-109.
[5] Cf. Bento XVI, Carta Enc. Spe salvi, 33.
[6] Cf. Pio XII, Carta Enc. Fidei donum, III.
[7] Missal Romano, Vigília Pascal, Lucernário.


Fonte: Santa Sé