terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Missa no aniversário de posse do Arcebispo de Cracóvia

No último dia 28 de janeiro o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa do IV Domingo do Tempo Comum na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel, por ocasião do primeiro ano de sua posse como Arcebispo de Cracóvia (para ver as fotos da posse, clique aqui).

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
 
Evangelho
Homilia

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Fotos da Visita do Papa à Basílica de Santa Sofia em Roma

No último dia 28 de janeiro o Papa Francisco visitou a Basílica de Santa Sofia na Via Boccea em Roma, igreja nacional da comunidade greco-católica ucraniana.

O Santo Padre, acolhido pelo Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk, dirigiu algumas palavras à comunidade e rezou no túmulo do Bispo Stefan Chmil, que foi seu professor na Argentina.

Chegada do Santo Padre
Acolhida com pão e sal
Entrada na igreja


Discurso do Papa na Visita à Basílica de Santa Sofia em Roma

Visita do Santo Padre à Basílica Santa Sofia em Roma
Discurso do Papa Francisco à Comunidade Greco-Católica Ucraniana
Domingo, 28 de janeiro de 2018

Beatitude Amado Irmão Sviatoslav 
Estimados Bispos, sacerdotes irmãos e irmãs!
Saúdo-vos cordialmente, feliz por estar convosco. Agradeço-vos a vossa hospitalidade e a fidelidade de sempre, fidelidade a Deus e ao Sucessor de Pedro, a qual não poucas vezes custou caro.
Entrando neste lugar sagrado, tive a alegria de olhar para os vossos rostos, de ouvir os vossos cânticos. Se estamos aqui, reunidos em comunhão fraterna, devemos dar graças também por tantos rostos que agora já não vemos, mas que foram um reflexo do olhar de amor de Deus sobre nós. Penso, de modo particular, em três figuras: a primeira é o Cardeal Slipyj, de quem no ano recém-concluído foi recordado o 125º aniversário de nascimento. Ele quis e edificou esta Basílica luminosa, para que resplandecesse como sinal profético de liberdade nos anos em que era proibido o acesso a muitos lugares de culto. Mas com os sofrimentos padecidos e oferecidos ao Senhor, ele contribuiu para construir outro templo, ainda maior e mais bonito, o edifício de pedras vivas, que sois vós (cf. 1 Pd 2,5).
Uma segunda figura é a do Bispo Chmil, falecido há quarenta anos e aqui sepultado: uma pessoa que me fez muito bem. É indelével em mim a recordação de quando, ainda jovem - tinha doze anos - eu assistia à sua Missa; ele ensinou-me a servir a Missa, a ler o vosso alfabeto, a responder às várias partes...; neste serviço à Missa aprendi dele - eu fazia-o três vezes por semana - a beleza da vossa Liturgia; das suas narrações, o testemunho vivo do modo como a fé foi provada e forjada no meio das terríveis perseguições ateias do século passado. Estou muito grato a ele e aos vossos numerosos “heróis da fé”: aqueles que, como Jesus, semearam percorrendo o caminho da cruz, gerando uma messe fecunda. Porque a verdadeira vitória cristã é sempre no sinal da cruz, nosso estandarte de esperança.
E a terceira pessoa que gostaria de recordar é o Cardeal Husar. Fomos criados Cardeais no mesmo dia. Ele não só foi “pai e chefe” da vossa Igreja, mas guia e irmão mais velho de muitos; Vossa Beatitude trá-lo no coração, e muitas pessoas conservarão para sempre o seu carinho, a sua gentileza, a sua presença vigilante e orante até ao fim. Era cego, mas via além!
Estas testemunhas do passado permaneceram abertas ao futuro de Deus e por isso dão esperança ao presente. Várias de vós, talvez, tiveram a graça de os conhecer. Quando atravessais o limiar deste templo, recordai, fazei memória dos pais e das mães na fé, porque ele são os fundamentos que nos sustêm: aqueles que nos ensinaram o Evangelho com a vida, ainda nos orientam e nos acompanham ao longo do caminho. O Arcebispo-Mor falou das mães, das avós ucranianas que transmitem a fé, que transmitiram a fé com coragem; que batizaram os filhos e os netos com coragem. E ainda hoje [é grande] o bem - e digo isto porque o sei - o bem que estas mulheres praticam aqui em Roma, na Itália, ajudando as crianças, ou como cuidadores de idosos: transmitem a fé nas famílias, às vezes tíbias na experiência de fé... mas vós tendes uma fé corajosa. E vem-me à memória a leitura de sexta-feira passada, quando Paulo diz a Timóteo: “A tua mãe e a tua avó”. Atrás de cada um de vós há uma mãe, uma avó que transmitiu a fé. As mulheres ucranianas são verdadeiramente heroicas! Demos graças ao Senhor!
No caminho da vossa comunidade romana a referência estável é esta reitoria. Juntamente com as comunidades greco-católicas ucranianas do mundo inteiro, expressastes bem o vosso programa pastoral com uma frase: A paróquia viva é o lugar de encontro com Cristo vivo. Gostaria de sublinhar duas palavras. A primeira é encontro. A Igreja é encontro, é o lugar onde curar a solidão, onde vencer a tentação de se isolar e de se retirar, onde encontrar a força para superar os fechamentos em si mesmo. Então, a comunidade é o lugar onde partilhar as alegrias e as dificuldades, onde carregar os pesos do coração, as insatisfações da vida e as saudades de casa. Deus espera por vós aqui para tornar a vossa esperança cada vez mais segura, porque quando encontramos o Senhor tudo acontece através da sua esperança. Faço votos a fim de que encontreis sempre aqui o pão para o caminho de cada dia, a consolação do coração, a cura das feridas.
A segunda palavra é vivo. Jesus é vivo, ressuscitou e vive, e é assim que o encontramos na Igreja, na Liturgia, na Palavra. Então, cada uma das suas comunidades só pode perfumar de vida. A paróquia não é um museu de recordações do passado, nem um símbolo de presença no território, mas constitui o coração da missão da Igreja, onde se recebe e se partilha a vida nova, aquela vida que vence o pecado, a morte, a tristeza, toda a tristeza, mantendo jovem o coração. Se a fé nascer do encontro e falar à vida, o tesouro que recebestes dos vossos pais será bem conservado. Assim sabereis oferecer os bens inestimáveis da vossa tradição inclusive às jovens gerações, que acolhem a fé sobretudo quando sentem a Igreja próxima e vivaz. Os jovens têm necessidade de sentir isto: que a Igreja não é um museu, que a Igreja não é uma sepultura, que Deus não é uma coisa ali... não, a Igreja está viva, a Igreja dá vida e Deus é Jesus Cristo no meio da Igreja, é Cristo vivo!
Gostaria de dirigir também um pensamento grato às numerosas mulheres - falei um pouco de modo improvisado sobre isto, repito-me - que nas vossas comunidades são apóstolas de caridades e de fé. Sois preciosas e levais a muitas famílias italianas o anúncio de Deus do melhor modo possível quando, mediante o vosso serviço, cuidais das pessoas através de uma presença atenciosa e não atrevida. Isto é muito importante: não atrevida... [feita de] testemunho... E então [faz dizer]: “Esta mulher é boa...”; e a fé chega, assim se transmite a fé. Convido-vos a considerar o vosso trabalho, cansativo e muitas vezes pouco gratificante, não apenas como uma profissão, mas como uma missão: sois os pontos de referência na vida de muitos idosos, as irmãs que os fazem sentir que não estão sozinhos. Levai a consolação e a ternura de Deus a quem, na vida, se dispõe a preparar-se para o encontro com Ele. É um grande ministério de proximidade e de vizinhança, agradável a Deus, pelo que vos estou grato. E vós, que desempenhais esta profissão de cuidadores de idosos, ajudando-os a ir além, e talvez vos esqueçais deles, porque vem outro, e outro ainda... Sim, recordai os nomes... Mas serão eles que vos abrirão a porta lá em cima, serão eles.
Compreendo que, enquanto estais aqui, o coração palpita pelo vosso país, e bate não só de afeto, mas também de angústia, sobretudo pelo flagelo da guerra e pelas dificuldades económicas. Estou aqui para vos dizer que me sinto próximo de vós: próximo com o coração, perto com a oração, próximo quando celebro a Eucaristia. Ali suplico ao Príncipe da Paz para que as armas se calem. Peço-lhe também que já não tenhais necessidade de realizar enormes sacrifícios para manter os vossos entes queridos. Rezo a fim de que, no coração de cada um, nunca se apague a esperança, mas que se renove a coragem de ir em frente, de recomeçar sempre. Agradeço-vos, em nome da Igreja inteira, enquanto concedo a minha Bênção a todos vós e às pessoas que trazeis no coração. E peço-vos, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim.
E gostaria também de vos fazer uma confidência, de vos revelar um segredo. À noite, antes de ir para a cama, e de manhã, quando acordo, sempre “me encontro com os ucranianos”. Porquê? Porque quando o vosso Arcebispo-Mor veio à Argentina, quando o vi, pensei que fosse o “ministrante” da Igreja ucraniana: mas era o Arcebispo! Ele fez um bom trabalho na Argentina. Encontrávamo-nos com bastante frequência. Depois, um dia foi ao Sínodo e voltou Arcebispo-Mor, para se despedir. No dia em que se despediu, ofereceu-me um ícone muito bonito - assim, metade [dobra ao meio as folhas que tem na mão, para mostrar a dimensão] - de Nossa Senhora da ternura. Em Buenos Aires levei-o para o meu quarto, e saudava-o todas as noites e também de manhã; tornou-se um hábito. Depois, coube a mim realizar a viagem a Roma e não pude voltar; ele conseguiu voltar, mas eu não! Mandei trazer os três livros do breviário que eu não tinha trazido, além das coisas mais essenciais, e aquela Nossa Senhora da ternura. E todas as noites, antes de ir para a cama, beijo a Nossa Senhora da ternura, que recebi de presente do vosso Arcebispo-Mor, e saúdo-a também de manhã. Assim, pode-se dizer que começo e termino o dia “em ucraniano”.
E agora convido-vos a rezar a Nossa Senhora, e dar-vos-ei a Bênção, que eu gostaria de conceder com o vosso Arcebispo.

Saudação final aos fiéis que se encontravam no adro do templo
Estimados irmãos e irmãs, muito obrigado pela vossa calorosa hospitalidade. O meu coração está cheio de alegria por este encontro. Obrigado pela vossa perseverança na fé. Permanecei firmes na fé! Conservai a fé recebida dos vossos antepassados e transmiti-a aos vossos filhos. É o dom mais bonito que um povo pode oferecer aos filhos: a fé, a fé recebida.
Eu continuarei a rezar por vós, a começar e a terminar o dia “em ucraniano”, diante da Nossa Senhora que me foi oferecida pelo arcebispo em Buenos Aires.


Fonte: Santa Sé

Angelus do Papa: IV Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 28 de janeiro de 2018

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo (cf. Mc 1,21-28) faz parte da narração mais ampla indicada como o “dia de Cafarnaum”. No centro da narração de hoje encontra-se o evento do exorcismo, através do qual Jesus é apresentado como profeta poderoso em palavras e ações.
Ele entra na sinagoga de Cafarnaum no dia de sábado e começa a ensinar; as pessoas ficam admiradas com as suas palavras, porque não eram palavras comuns, não se assemelhavam com o que eles normalmente ouviam. Com efeito, os escribas ensinavam mas sem ter autoridade própria. E Jesus ensina com autoridade. Ao contrário, Jesus ensina como alguém que tem autoridade, revelando-se assim como o Enviado de Deus, e não como um simples homem que tem que fundar o seu ensinamento unicamente nas tradições precedentes. Jesus tem plena autoridade. A sua doutrina é nova e o Evangelho diz que as pessoas comentavam: «Um ensinamento novo, dado com autoridade» (v. 27).
Ao mesmo tempo, Jesus revela-se poderoso também nas obras. Na sinagoga de Cafarnaum há um homem possuído por um espírito imundo, que se manifesta gritando estas palavras: «Que tens que ver conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem és: o santo de Deus» (v. 24). O diabo diz a verdade: Jesus veio para destruir o diabo, para destruir o demônio, para o vencer. Este espírito imundo conhece o poder de Jesus e proclama também a sua santidade. Jesus repreende-o dizendo-lhe: «Cala-te, e sai dele» (v. 25). Estas poucas palavras de Jesus são suficientes para obter a vitória sobre Satanás, o qual sai daquele homem «depois de o sacudir com força e dando um grande grito», diz o Evangelho (v. 26).
Este fato impressiona muito os presentes; todos são tomados pelo medo e perguntam uns aos outros: «Que é isto? [...] até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-lhe!» (v. 27). O poder de Jesus confirma a autoridade do seu ensinamento. Ele não pronuncia apenas palavras, mas age. Assim manifesta o projeto de Deus com as palavras e com o poder das obras. Com efeito, no Evangelho vemos que Jesus, na sua missão terrena, revela o amor de Deus tanto com a pregação como com numerosos gestos de atenção e socorro aos doentes, aos necessitados, às crianças, aos pecadores.
Jesus é o nosso mestre, poderoso em palavras e obras. Jesus comunica-nos toda a luz que ilumina o caminho, por vezes escuros, da nossa existência; comunica-nos também a força necessária para superar as dificuldades, as provas, as tentações. Pensemos na grande graça que é para nós ter conhecido este Deus tão poderoso e bondoso! Um mestre e um amigo, que nos indica o caminho e cuida de nós, sobretudo quando estamos em necessidade.
A Virgem Maria, mulher da escuta, nos ajude a fazer silêncio à nossa volta e dentro de nós, para ouvir, entre os ruídos das mensagens do mundo, a palavra mais influente que existe: a do seu Filho Jesus, que anuncia o sentido da nossa existência e nos liberta de qualquer escravidão, também do Maligno.


Fonte: Santa Sé

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Homilia: V Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Pedro Crisólogo
Sermão 18
Deus busca aos homens, não as coisas dos homens

A leitura evangélica de hoje ensina ao ouvinte atento porque o Senhor do céu e restaurador do universo entrou nos domicílios terrenos de seus servos. Mesmo que nada tenha de estranho que se tenha mostrado afavelmente próximo a todos, ele que com grande clemência tinha vindo para socorrer a todos.
Já conheceis o que moveu Cristo a entrar na casa de Pedro: com certeza não o prazer de recostar-se à mesa, mas a enfermidade daquela que se encontrava na cama; não a necessidade de comer, mas a oportunidade de curar; a obra do poder divino, somente se derramavam lágrimas. Por isso Cristo entrou ali, não para banquetear, mas para vivificar. Deus busca aos homens, não as coisas dos homens; deseja dispensar bens celestiais, não espera conseguir as terrenas. Em resumo: Cristo veio buscar-me, e não buscar as nossas coisas.
Ao chegar Jesus à casa de Pedro, encontrou sua sogra na cama com febre. Entrando Cristo na casa de Pedro, viu ao que vinha buscando. Não se fixou na qualidade da casa, nem na afluência de pessoas, nem nas cerimoniosas saudações, nem na reunião familiar; também não pensou no adorno dos preparativos: fixou-se nos gemidos da enferma, dirigiu sua atenção ao ardor daquela que estava sob a ação da febre. Viu o perigo daquela que estava para além de toda esperança, e imediatamente coloca mãos para a obra de sua deidade: Cristo nem se sentou para tomar alimento humano, antes que a mulher que jazia na cama se levantasse para as coisas divinas.
Tomou sua mão, e sua febre passou. Vês como a febre abandona a quem segura a mão de Cristo. A enfermidade não resiste, onde o autor da saúde assiste; a morte não tem acesso algum, onde entrou o doador da vida.
Ao anoitecer, levaram-lhe muitos endemoninhados; ele expulsou os espíritos. O anoitecer acontece ao acabar-se o dia do século, quando o mundo pende para o entardecer da luz dos tempos. Ao cair da tarde vem o restaurador da luz para introduzir-nos no dia sem ocaso, a nós que viemos da noite secular do paganismo.
Ao anoitecer, ou seja, no último momento, a piedosa e solene devoção dos apóstolos nos oferece a Deus Pai, a nós que somos procedentes do paganismo: são expulsos de nós os demônios, que nos impunham o culto aos ídolos. Desconhecendo ao único Deus, cultuávamos a inumeráveis deuses em nefanda e sacrílega servidão.
Como Cristo já não vem a nós na carne, vem na palavra: e aonde quer que a fé nasça da mensagem, e a mensagem consiste em falar de Cristo, ali a fé nos liberta da servidão do demônio, enquanto que os demônios, de ímpios tiranos, converteram-se em prisioneiros. Por isso os demônios, submetidos a nosso poder, são atormentados a nossa vontade. O único que importa, irmãos, é que a infidelidade não volte a reduzir-nos a sua servidão: coloquemos antes em nosso ser e nosso fazer, nas mãos de Deus, entreguemo-nos ao Pai, confiemo-nos a Deus: porque a vida do homem está nas mãos de Deus; em consequência, como Pai dirige as ações de seus filhos, e como Senhor não deixa de preocupar-se por sua família.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 380-382.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Fotos da Festa de Maria Salus Populi Romani

No último dia 28 de janeiro o Papa Francisco celebrou a Santa Missa na Basílica de Santa Maria Maior por ocasião da Festa da Transladação do Ícone de Maria "Salus Populi Romani" (Proteção do Povo Romano), Festa celebrada na Basílica Liberiana no último domingo de janeiro.

Concelebraram a Santa Missa o Arcipreste da Basílica, Cardeal Stanislaw Rylko, e o Capítulo dos Cônegos.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Vincenzo Peroni. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Para ler a homilia do Papa, clique aqui.

Procissão de entrada

Incensação


Homilia do Papa: Festa de Maria Salus Populi Romani

Santa Missa por ocasião da Festa da Trasladação do Ícone Mariano da « Salus Populi Romani»
Homilia do Papa Francisco
Basílica de Santa Maria Maior
Domingo, 28 de janeiro de 2018

Como povo de Deus a caminho, estamos aqui para uma pausa no templo da Mãe. A presença da Mãe faz deste templo uma casa familiar para nós, filhos. Associando-nos a gerações e gerações de romanos, reconhecemos nesta casa materna a nossa casa, a casa onde encontrar repouso, consolação, proteção, refúgio. O povo cristão compreendeu, desde o início, que, nas dificuldades e provações, é preciso recorrer à Mãe, como indica a mais antiga antífona mariana: À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
Recorremos, procuramos refúgio. Os nossos pais na fé ensinaram-nos que, nos momentos turbulentos, é preciso acolhermo-nos sob o manto da Santa Mãe de Deus. Outrora os perseguidos e os necessitados procuravam refúgio junto das mulheres nobres da alta sociedade: quando o seu manto, que era considerado inviolável, se estendia em sinal de acolhimento, a proteção era concedida. O mesmo, fazemos nós em relação a Nossa Senhora, a mulher mais excelsa do gênero humano. O seu manto está sempre aberto para nos acolher e recolher-nos. Bem o recorda o Oriente cristão, onde muitos celebram a Proteção da Mãe de Deus, que, num lindo ícone, é representada com o seu manto abrigando os filhos e cobrindo o mundo inteiro. Os próprios monges antigos recomendavam que, nas provações, nos refugiássemos sob o manto da Santa Mãe de Deus: invocá-La – «Santa Mãe de Deus» – já era garantia de proteção e ajuda, repetindo apenas assim: «Santa Mãe de Deus», «Santa Mãe de Deus»…
Esta sabedoria, que vem de longe, ajuda-nos: a Mãe guarda a fé, protege as relações, salva nas intempéries e preserva do mal. Onde Nossa Senhora é de casa, o diabo não entra. Onde Nossa Senhora é de casa, o diabo não entra. Onde está a Mãe, a perturbação não prevalece, o medo não vence. Quem de nós não precisa disto? Quem de nós não se sente às vezes perturbado ou inquieto? Quantas vezes o coração é um mar em tempestade, onde as ondas dos problemas se amontoam e os ventos das preocupações não cessam de soprar! Maria é a arca segura no meio do dilúvio. Não serão as ideias ou a tecnologia a dar-nos conforto e esperança, mas o rosto da Mãe, as suas mãos que acariciam a vida, o seu manto que nos abriga. Aprendamos a encontrar refúgio, indo todos os dias junto da Mãe.
Não desprezeis as súplicas: continua a antífona. Quando nós A imploramos, Maria pede por nós. Há um lindo título em grego – Grigorusa – que significa «Aquela que intercede prontamente». E este termo «prontamente», usa-o Lucas no Evangelho para Maria quando foi visitar Isabel: à pressa, imediatamente! Intercede prontamente, não demora, como ouvimos no Evangelho, onde imediatamente leva a Jesus a necessidade concreta daquelas pessoas: «Não têm vinho» (Jo 2,3), e não acrescenta mais nada! Assim faz, sempre que A invocamos: quando nos falta a esperança, quando escasseia a alegria, quando se esgotam as forças, quando se obscurece a estrela da vida, a Mãe intervém. Está atenta ao cansaço, sensível às turbulências – as turbulências da vida –, próxima do coração. E nunca, nunca despreza as nossas orações; não deixa perder-se uma sequer. É Mãe, nunca Se envergonha de nós; antes, só espera poder ajudar os seus filhos.
Um episódio pode ajudar-nos a compreender isto. Junto duma cama de hospital, uma mãe velava pelo seu filho, sofrendo em consequência dum acidente. Aquela mãe estava sempre ali, dia e noite. Uma vez lamentou-se com o sacerdote, dizendo: «Mas a nós, mães, o Senhor não permitiu uma coisa!» «O quê?»: perguntou o padre. «Carregar a dor dos filhos»: replicou a mulher. Eis o coração de mãe: não se envergonha das feridas, das fraquezas dos filhos, mas quer tomá-las sobre si mesma. E a Mãe de Deus e nossa sabe tomar sobre Si, consolar, velar, curar.
Continua a antífona: livrai-nos de todos os perigos. O próprio Senhor sabe que precisamos de refúgio e proteção em meio de tantos perigos. Por isso, no momento mais alto, na cruz, disse ao discípulo amado, a cada discípulo: «Eis a tua Mãe!» (Jo 19,27). A Mãe não é um optional, uma coisa opcional, é o testamento de Cristo. E precisamos d’Ela como de repouso um viandante, como de ser levado nos braços um bebé. É um grande perigo para a fé viver sem Mãe, sem proteção, deixando-nos arrastar pela vida como as folhas pelo vento. O Senhor sabe isso, e recomenda-nos acolher a Mãe. Não é um galanteio espiritual, é uma exigência de vida. Amá-La, não é poesia; é saber viver. Porque, sem Mãe, não podemos ser filhos. E, antes de tudo, nós somos filhos, filhos amados, que têm Deus por Pai e Nossa Senhora por Mãe.
Concílio Vaticano II ensina que Maria é «sinal de esperança segura e de consolação para o povo de Deus ainda peregrinante» (Const. dogm. Lumen gentium, 68). É sinal: é o sinal que Deus posicionou para nós. Se não o seguirmos, extraviamo-nos. Com efeito, há uma sinalização da vida espiritual, que deve ser observada. A nós, «que, entre perigos e angústias, caminhamos ainda na terra» (ibid., 62), tal sinalização indica-nos a Mãe, que já chegou à meta. Quem melhor do que Ela nos pode acompanhar no caminho? Por que esperamos? Como o discípulo que, ao pé da cruz, acolheu consigo a Mãe – diz o Evangelho – «como sua» (Jo 19,27), também nós convidamos Maria, desta casa materna, para a nossa casa, o nosso coração, a nossa vida. Não se pode ficar indiferente, nem separado da Mãe, caso contrário perdemos a nossa identidade de filhos e a nossa identidade de povo, e vivemos um cristianismo feito de ideias, de programas, sem consagração, sem ternura, nem coração. Mas, sem coração, não há amor; e a fé corre o risco de se tornar uma linda fábula doutros tempos. Ao contrário, a Mãe guarda e prepara os filhos. Ama-os e protege-os, para que amem e protejam o mundo. Façamos da Mãe o hóspede do nosso dia-a-dia, a presença constante em nossa casa, o nosso refúgio seguro. Consagremos-Lhe cada dia. Invoquemo-La em cada turbulência. E não nos esqueçamos de voltar junto d’Ela para Lhe agradecer.
Agora olhando-A, acabada de sair do «hospital», fixemo-La com ternura e saudemo-La como A saudaram os cristãos de Éfeso. Todos juntos, três vezes: «Santa Mãe de Deus». Todos juntos: «Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus».


Fonte: Santa Sé