quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fotos das Vésperas no encerramento do ano no Vaticano

No dia 31 de dezembro de 2017 o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro as I Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus com o canto do Te Deum em ação de graças pelo encerramento do ano civil.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Ján Dubina. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Confira aqui a homilia do Papa.

Veneração da imagem do Menino Jesus
Hino

Salmodia


Homilia do Papa: Vésperas no encerramento do ano

Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus
Te Deum de Ação de Graças pelo ano que passou
Homilia do Papa Francisco
Basílica Vaticana
Domingo, 31 de dezembro de 2017

«Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho» (Gl 4,4). Esta celebração vespertina respira a atmosfera da plenitude do tempo. Não porque estamos na última tarde do ano solar, longe disso, mas porque a fé nos leva a contemplar e a sentir que Jesus Cristo, Verbo que se fez carne, conferiu plenitude ao tempo do mundo e à história humana.
«Nascido de uma mulher» (v. 4). A primeira que experimentou este sentido da plenitude conferida pela presença de Jesus foi precisamente a «mulher» da qual Ele «nasceu». A Mãe do Filho encarnado, Theotokos, Mãe de Deus. Através dela, por assim dizer, brotou a plenitude do tempo: através do seu Coração humilde e cheio de fé, mediante a sua carne, totalmente imbuída de Espírito Santo.
Dela a Igreja herdou e herda continuamente esta compreensão interior da plenitude, que alimenta um sentido de gratidão, como única resposta humana digna da imensa dádiva de Deus. Uma gratidão apaixonada que, a partir da contemplação daquele Menino envolto em faixas e colocado numa manjedoura, se estende a tudo e a todos, ao mundo inteiro. É uma ação de “graças” que reflete a Graça; não provém de nós, mas dele; não vem do eu mas de Deus, envolvendo o eu e o nós.
Nesta atmosfera criada pelo Espírito Santo, nós elevamos a Deus a ação de graças pelo ano que chega ao fim, reconhecendo que todo o bem é seu dom.
Inclusive este tempo do ano de 2017, que Deus nos tinha concedido íntegro e saudável, nós humanos o desperdiçamos e ferimos de tantas maneiras, com obras de morte, com mentiras e injustiças. As guerras são o sinal flagrante deste orgulho recorrente e absurdo. Mas são-no também todas as pequenas e grandes ofensas contra a vida, a verdade e a fraternidade, que causam múltiplas formas de degradação humana, social e ambiental. Por tudo isto queremos e devemos assumir, diante de Deus, dos irmãos e da criação, a nossa responsabilidade.
Mas nesta tarde predominam a graça de Jesus e o seu reflexo em Maria. E, por isso, prevalece a gratidão que, como Bispo de Roma, sinto na alma, pensando nas pessoas que vivem com o coração aberto nesta cidade.
Tenho um sentimento de simpatia e de gratidão por todas aquelas pessoas que, cada dia, contribuem com gestos pequenos mas preciosos para o bem de Roma: procuram cumprir da melhor maneira o seu dever, movem-se no trânsito com critério e prudência, respeitam os lugares públicos e indicam aquilo que não funciona, estão atentas às pessoas idosas ou em dificuldade, e assim por diante. Estes e milhares de outros comportamentos exprimem concretamente o amor pela cidade. Sem discursos, sem publicidade, mas com um estilo de educação cívica praticada na vida quotidiana. E assim cooperam silenciosamente para o bem comum.
De igual modo, sinto em mim uma grande estima pelos pais, pelos professores e por todos os educadores que, com este mesmo estilo, procuram formar as crianças e os jovens para o sentido cívico, para uma ética da responsabilidade, educando-os a fim de que se sintam partecuidem se interessem pela realidade que os circunda.
Embora não sejam notícia, estas pessoas constituem a maior parte dos habitantes que vivem em Roma. E entre elas não poucas vivem em condições de dificuldade econômica; e no entanto não se põem a chorar, nem alimentam ressentimentos nem rancores, mas esforçam-se por fazer todos os dias a sua parte para melhorar um pouco a situação.
Hoje, na ação de graças a Deus, convido-vos a manifestar também o reconhecimento por todos estes artífices do bem comum, que amam a sua cidade não com palavras, mas com gestos.


Fonte: Santa Sé

Angelus do Papa: Festa da Sagrada Família - Ano B

Festa da Sagrada Família
Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 31 de dezembro de 2017

Bom dia, queridos irmãos e irmãs!
Neste primeiro domingo depois do Natal, celebramos a Sagrada Família de Nazaré, e o Evangelho convida-nos a refletir sobre a experiência vivida por Maria, José e Jesus, enquanto crescem juntos como família no amor recíproco e na confiança em Deus. Desta confiança é expressão o rito cumprido por Maria e José com a oferta do Filho Jesus a Deus. O Evangelho diz: «Levaram o Menino a Jerusalém para o apresentar ao Senhor» (Lc 2,22), como exigia a lei mosaica. Os pais de Jesus vão ao templo para atestar que o Filho pertence a Deus, e que eles são os guardiões da sua vida e não os donos. E isto leva-nos a refletir. Todos os pais são guardiões da vida dos filhos, não donos, e devem ajudá-los a crescer, a amadurecer.
Este gesto sublinha que somente Deus é o Senhor da história individual e familiar; tudo nos vem dele. Cada família é chamada a reconhecer este primado, protegendo e educando os filhos a abrir-se a Deus, que é a própria nascente da vida. Passa por aqui o segredo da juventude interior, testemunhado paradoxalmente no Evangelho por um casal de idosos, Simeão e Ana. O velho Simeão, em particular, inspirado pelo Espírito Santo, a propósito do Menino Jesus diz: «Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de ressurreição para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições [...] a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações» (vv. 34-35).
Estas palavras proféticas revelam que Jesus veio para fazer cair as falsas imagens que nós criamos de Deus, e também de nós mesmos; para “contradizer” as seguranças mundanas sobre as quais pretendemos apoiar-nos; a fim de nos fazer “ressurgir” para um caminho humano e cristão verdadeiro, fundamentado nos valores do Evangelho. Não existe situação familiar que esteja excluída deste caminho novo de renascimento e de ressurreição. E cada vez que as famílias, até aquelas feridas e marcadas por fragilidades, fracassos e dificuldades, voltam à fonte da experiência cristã, abrem-se caminhos novos e possibilidades impensadas.
A narração evangélica de hoje refere que Maria e José, «após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia - reza o Evangelho - e fortificava-se: era cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre Ele» (vv. 39-40). Uma grande alegria da família é o crescimento dos filhos, como todos sabemos. Eles estão destinados a desenvolver-se e a revigorar-se, a adquirir sabedoria e a receber a graça de Deus, exatamente como aconteceu com Jesus. Ele é verdadeiramente um de nós: o Filho de Deus faz-se Menino, aceita crescer, fortificar-se, é cheio de sabedoria, e a graça de Deus está sobre Ele. Maria e José têm a alegria de ver tudo isto no seu Filho; e esta é a missão para a qual a família está orientada: criar as condições favoráveis para o crescimento harmonioso e completo dos filhos, a fim de que eles possam levar uma vida boa, digna de Deus e construtiva para o mundo.
São estes os votos que dirijo a todas as famílias hoje, acompanhando-os com a invocação a Maria, Rainha da Família.


Fonte: Santa Sé

O verdadeiro sentido do sacrifício da Missa

Continuando a série de postagens da Rádio Vaticano (agora Vatican News) sobre a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, publicamos os dois últimos textos de 2017:


Vamos continuar a dedicar o nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II ao tema da reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.
Nessa reforma do Concílio, percebemos 10 aspectos derenovação, a partir da Constituição Sacrosanctum Concilium. Aqui neste nosso espaço já tratamos sobre “O valor da assembleia litúrgica”, “O uso da língua vernácula” e “A importância das duas espécieseucarísticas - Pão e vinho”.
No programa de hoje, padre Gerson Schmidt, incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre, nos traz uma reflexão sobre “O verdadeiro sentido do sacrifício da Santa Missa”:

“Queremos hoje falar de um quarto aspecto da Reforma Litúrgica proposta pelo Concilio Vaticano II – o novo sentido do ofertório na Missa. A constituição Sacrosanctum Concilium afirma que Jesus instituiu o sacrifício da Santa Missa, a fim de perpetuar nos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz [1].
Por isso, o “sacrifício dos cristãos não pretende completar o sacrifício da cruz, porém, torná-lo presente, atualizá-lo, desenvolver no hic et nunc a sua dimensão interna” [2].
Entenda-se bem aqui o termo sacrifício, não como oferta penitencial meramente humana para merecer a misericórdia de Deus, mas como sacrifício verdadeiramente propiciatório de Cristo que se imola, da mesma forma como se ofereceu na cruz, uma vez por todas, que agora é oferecido e atualizado pelo ministério do sacerdote que preside o mistério [3].
Na história da controvérsia luterana, fora questionado a compreensão da Santa Missa como sacrifício, haja vista tantas ofertas votivas e exageradas dos fiéis.
O Concílio de Trento, e posteriormente com o movimento da reforma litúrgica que fomentou o Concílio Vaticano II, veio a definir com mais clareza essa realidade: ...diante das negações e distorções a respeito da eucaristia, o Concílio tridentino afirmou claramente que “a missa é verdadeiro sacrifício” e que “este carácter sacrifical, que não coincide simplesmente como a refeição como tal, mas é antes uma realidade particular, não contradiz de modo algum a unicidade do sacrifício redentor de Cristo; pelo contrário, sacrifício da cruz e sacrifício da missa são, em certo sentido, um único sacrifício [4].
A palavra sacrifício, referendada à Santa Missa, portanto, precisa ser bem entendida. Na religião pagã, a palavra é traduzida por “sacrum facere”, ou seja, fazer o sagrado. A missa, sabemos não é apenas sacrifício, mas também banquete, festa, uma celebração que é memorial, refeição alegre, festiva e atual da Páscoa de Jesus Cristo.
Assim, a Eucaristia seria muito mais um “sacrificium laudis”, um louvor e uma rica ação de graças (do grego, eukharistós) pela vitória de Cristo sobre a morte – e também nossas mortes. O sacrifício da cruz tem razão de ser em vista da Ressurreição, da festiva passagem (Pessach) da morte para a vida. 
O caráter sacrifical da missa, demasiadamente penitencial, foi acentuado por uma época na Igreja. Aqui usamos o termo “sacrifício”, usado também pelo Papa João XXIII, não em sentido absoluto, mas como um dos aspectos do Mistério de Cristo, em sua oferta na cruz como sacrifício único e total. São Cipriano afirma: “e uma vez que, em todos os sacrifícios, nós fazemos a memória da paixão de Cristo – é de fato a paixão de Cristo que nós oferecemos – nós não podemos fazer diferente do que Ele fez” (Carta, 63,17).
Por isso, a Eucaristia não é um sacrifício do fiel a Deus, mas de Deus ao fiel. Precisamos tirar a ideia pagã do sacrifício que seria oferecido para aplacar a ira de Deus, como os antigos holocaustos e sacrifícios pagãos. Como aponta a Constituição Dogmática Lumen Gentium: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da redenção” (LG  03)".

[1] SC, 47.
[2] BETZ, J. Em Mysterium Salutis 8. In: Dicionário de Liturgia, Organizado por Dominico Sartore e Achille M. Triancca, Paulus, SP, 1992, p. 1078.
[3] DS 1743. In: Dicionário de Liturgia, Organizado por Dominico Sartore e Achille M. Triancca, Paulus, SP, 1992, p. 1077.
[4] Idem, p.1077-1078.


“Por isso, a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou expectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, piedosa e ativamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos na palavra de Deus; alimentem-se na mesa do corpo do Senhor (SC, 48)”.
No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, damos continuidade na edição de hoje ao tema da reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.
No programa passado, falamos de um quarto aspecto da reforma litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II: “O verdadeiro sentido do sacrifício da Missa”.
Nesta nossa primeira edição após a festa do Natal, padre Gerson Schmidt - incardinado na arquidiocese de Porto Alegre e que tem nos acompanhado neste percurso de reflexão sobre os documentos conciliares - nos fala sobre “Cristo, o grande sacrifício na Eucaristia”:

"A Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a renovação da Liturgia, em seu número 47 usa o termo “sacrifício”. Dizíamos, no programa anterior, que precisamos entender esse termo na mentalidade pós-conciliar.
O caráter sacrifical da missa, demasiadamente penitencial, foi acentuado por uma época na Igreja. Inclusive o movimento litúrgico conciliar pedia ao Papa Paulo VI que se retirasse aquela parte da missa onde o padre diz: “Orai irmãos para que esse sacrifício seja aceito por Deus Pai todo poderoso” – com a resposta do povo - “Receba, Senhor, por tuas mãos esse sacrifício, para a glória do teu nome, para o nosso bem e de toda a Santa Igreja”.
O sapiente Papa Paulo VI respondeu prudentemente, na época conciliar, que não conviria tirar o joio para que não acontecesse de também com displicência se tirasse também o trigo. Por isso, por um tempo, se permitiu as experiências e adaptações litúrgicas mais variadas.
Papa São Cipriano afirma: “e uma vez que, em todos os sacrifícios, nós fazemos a memória da paixão de Cristo – é de fato a paixão de Cristo que nós oferecemos – nós não podemos fazer diferente do que Ele fez” (Carta, 63,17).
Por isso, como já afirmamos, a Eucaristia não é um sacrifício nosso a Deus, mas de Deus que se doa livremente a todos nós. Precisamos tirar a ideia pagã do sacrifício que aplacaria a ira de Deus, como os antigos holocaustos e sacrifícios pagãos.
Portanto, o grande sacrifício na Santa Missa não somos nós que fazemos, como se tivéssemos méritos por isso, mas é aquele realizado por Jesus Cristo no altar da cruz, realizado, uma vez por todas, que é atualizado em cada celebração eucarística. Na cruz, a imolação da vítima já foi realizada, numa morte sangrenta.
“Na Eucaristia, o sacrifício é incruento, sem efusão de sangue, atualizando o grande sacrifício de Cristo pela humanidade inteira”.
Pio XII, na Encíclica Mediator Dei, afirmou essa realidade do sacrifício incruento: “Diferente, porém, é o modo pelo qual Cristo é oferecido. Na cruz, com efeito, ele se ofereceu todo a Deus com os seus sofrimentos, e a imolação da vítima foi realizada por meio de morte cruenta livremente sofrida; no altar, ao invés, por causa do estado glorioso de sua natureza humana, “a morte não tem mais domínio sobre ele” (62) e, por conseguinte, não é possível a efusão do sangue” (Mediator Dei, 63).
Dizia mais o Papa Pio XII nesse encíclica: “Para que, pois, a oblação, com a qual neste sacrifício os fiéis oferecem a vítima divina ao Pai celeste, tenha o seu efeito pleno, requer-se ainda outra coisa: é necessário que eles se imolem a si mesmos como vítimas” (Mediator Dei, 88).
O Concílio, no número 48, recupera esse sentido de nosso oferecimento e participação ativa dos fiéis na missa, dizendo assim: “Por isso, a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou expectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, piedosa e ativamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos na palavra de Deus; alimentem-se na mesa do corpo do Senhor; deem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que dia após dia, por meio de Cristo mediador progridam na união com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos” (SC, 48).


O próximo tema será: "A participação ativa dos fiéis".

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Festa dos Santos Inocentes em Belém

No dia 28 de dezembro de 2017 o Vice-Custódio da Terra Santa, Padre Dobromir Jasztal, celebrou a Santa Missa da Festa dos Santos Inocentes na gruta a eles dedicada, junto à Basílica da Natividade, em Belém.

Altar
Sinal da cruz 
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
Evangelho

Catequese do Papa: Significado do Natal

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
O significado do Natal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de refletir convosco acerca do significado do Natal do Senhor Jesus, que nestes dias estamos a viver na fé e nas celebrações.
A construção do presépio e, sobretudo, a liturgia, com as suas leituras bíblicas e os seus cânticos tradicionais, fizeram-nos reviver «o hoje» no qual «nasceu para nós o Salvador, Cristo Senhor» (Lc 2,11).
Na nossa época, sobretudo na Europa, assistimos a uma espécie de «desvirtuação» do Natal: em nome de um falso respeito que não é cristão, que muitas vezes esconde a vontade de marginalizar a fé, elimina-se da festa qualquer referência ao nascimento de Jesus. Mas na realidade este acontecimento é o único verdadeiro Natal! Sem Jesus não há Natal; há outra festa, mas não o Natal. E se no centro estiver Ele, então também o que está à volta, ou seja, as luzes, os sons, as várias tradições locais, inclusive os alimentos caraterísticos, tudo concorre para criar a atmosfera da festa, mas com Jesus no centro. Se O tirarmos, a luz apaga-se e tudo se torna falso, aparente.
Através do anúncio da Igreja, nós, como os pastores do Evangelho (cf. Lc 2,9), somos guiados a procurar e encontrar a verdadeira luz, a de Jesus que, tendo-se feito homem como nós, se mostra de maneira surpreendente: nasce de uma modesta jovem desconhecida, que o dá à luz num estábulo, só com a ajuda do marido... O mundo não se apercebe de nada, mas no céu os anjos que estão ao corrente exultam! E é assim que o Filho de Deus se apresenta também hoje a nós: como o dom de Deus para a humanidade que está imersa na noite e no torpor do sono (cf. Is 9,1). E ainda hoje assistimos ao facto de que muitas vezes a humanidade prefere a escuridão, porque sabe que a luz revelaria todas aquelas ações e pensamentos que fariam corar ou atormentar a consciência. Assim, prefere-se permanecer na escuridão e não alterar os próprios hábitos errados.
Então podemos perguntar-nos o que significa aceitar o dom de Deus que é Jesus. Como Ele mesmo nos ensinou com a sua vida, significa tornar-se diariamente um dom gratuito para quantos se encontram no nosso caminho. Eis por que no Natal trocamos prendas. O verdadeiro dom para nós é Jesus, e como Ele queremos ser dom para os demais. E, dado que queremos ser dom para os outros, trocamos oferendas, como sinal, como sinal desta atitude que Jesus nos ensina: Ele, enviado pelo Pai, foi dom para nós, e nós somos dom para os outros.
O apóstolo Paulo oferece-nos uma chave de leitura sintética, quando escreve - é bonito este excerto de Paulo - «Porque a graça salvadora de Deus se manifestou a todos os homens, ensinando-nos a viver neste mundo com sobriedade, justiça e piedade» (cf. Tt 2,11-12). A graça de Deus «manifestou-se» em Jesus, rosto de Deus, que a Virgem Maria deu à luz como cada criança deste mundo, mas que não veio «da terra», veio «do Céu», de Deus. Deste modo, com a encarnação do Filho, Deus abriu-nos o caminho da nova vida, fundada não sobre o egoísmo mas sobre o amor. O nascimento de Jesus é o maior gesto de amor do nosso Pai celeste.
E, por fim, um último aspeto importante: no Natal podemos ver como a história humana, que é movida pelos poderosos deste mundo, é visitada pela história de Deus. E Deus envolve aqueles que, confinados às margens da sociedade, são os primeiros destinatários do seu dom, ou seja - a dádiva - a salvação que Jesus trouxe. Com os pequenos e com os desprezados Jesus estabelece uma amizade que continua no tempo e alimenta a esperança num futuro melhor. A estas pessoas, representadas pelos pastores de Belém, «apareceu uma grande luz» (Lc 2,9-12). Eles eram marginalizados, eram mal considerados, desprezados, mas foram os primeiros aos quais foi dada a grande notícia. Com estas pessoas, com os pequeninos e os desprezados, Jesus estabelece uma amizade que continua no tempo e alimenta a esperança de um futuro melhor. A estas pessoas, representadas pelos pastores de Belém, apareceu uma grande luz, que os conduziu até Jesus. Com eles, em todos os tempos, Deus quer construir um mundo novo, um mundo no qual já não há pessoas rejeitadas, maltratadas e indigentes.
Amados irmãos e irmãs, nestes dias abramos a mente e o coração para receber esta graça. Jesus é o dom de Deus para nós e, se o acolhermos, também nós podemos tornar-nos tais para os outros - ser dom de Deus para os outros - antes de tudo para todos aqueles que nunca receberam atenções nem ternura. Mas quantas pessoas nunca experimentaram na sua vida uma carícia, uma atenção de amor, um gesto de ternura... O Natal estimula-nos a fazê-lo. Assim Jesus vem nascer ainda na vida de cada um de nós e, através de nós, continua a ser dom de salvação para os pequeninos e os excluídos.


Fonte: Santa Sé

Angelus do Papa: Festa de Santo Estevão

Festa de Santo Estêvão Protomártir
Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Bom dia, prezados irmãos e irmãs!
Depois de ter celebrado o Nascimento de Jesus na terra, hoje comemoramos o nascimento para o céu de Santo Estêvão, o primeiro mártir. Não obstante à primeira vista possa parecer que entre as duas celebrações não há um vínculo, na realidade existe, e é muito forte.
Ontem, na liturgia do Natal, ouvimos proclamar: «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). Santo Estêvão pôs em crise os chefes do seu povo porque, «cheio de fé e do Espírito Santo» (At 6,5), acreditava firmemente e professava a nova presença de Deus entre os homens; sabia que o verdadeiro templo de Deus já é Jesus, Verbo eterno que veio habitar entre nós e que se fez como nós em tudo, exceto no pecado. Mas Estêvão é acusado de pregar a destruição do templo de Jerusalém. A acusação que dirigem contra ele é de ter afirmado que «Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou» (At 6,14).
Com efeito, a mensagem de Jesus é importuna e incomoda-nos, porque desafia o poder religioso mundano e provoca as consciências. Depois da sua vinda, é necessário converter-se, mudar de mentalidade, renunciar a pensar como antes, mudar, converter-se. Estêvão permaneceu ancorado na mensagem de Jesus até à morte. Eis as suas últimas orações: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» e «Senhor, não tenhas em conta este pecado que eles cometeram» (At 7,59-60); estas duas preces são o eco fiel daquelas pronunciadas por Jesus na cruz: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23,46) e «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (v. 34). Aquelas palavras de Estêvão tornaram-se possíveis porque o Filho de Deus veio à terra e morreu e ressuscitou por nós; antes destes acontecimentos elas eram expressões humanamente impensáveis.
Estêvão suplica a Jesus que receba o seu espírito. Com efeito, Cristo ressuscitado é o Senhor e é o único mediador entre Deus e os homens, não apenas na hora da nossa morte, mas também em cada instante da vida: sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5). Portanto também nós, diante do Menino Jesus no presépio, podemos rezar-lhe assim: “Senhor Jesus, confiamos-te o nosso espírito, recebe-o”, para que a nossa existência seja verdadeiramente uma vida boa, segundo o Evangelho.
Jesus é o nosso mediador e reconcilia-nos não apenas com o Pai, mas também entre nós. Ele é a fonte do amor, que nos abre à comunhão com os irmãos, para nos amarmos uns aos outros, removendo todos os conflitos e ressentimentos. Sabemos que os ressentimentos são negativos, fazem muito mal, fazem-nos muito mal! E Jesus cancela tudo isto e leva-nos a amar-nos uns aos outros. Este é o milagre de Jesus! Peçamos a Jesus, que nasceu para nós, que nos ajude a assumir esta dúplice atitude de confiança no Pai e de amor ao próximo; é uma atitude que transforma a vida, tornando-a mais bonita e mais fecunda.
A Maria, Mãe do Redentor e Rainha dos mártires, elevemos com confiança a nossa oração, a fim de que nos ajude a receber Jesus como Senhor da nossa vida e a tornar-nos suas corajosas testemunhas, prontas a pagar pessoalmente o preço da fidelidade ao Evangelho.


Fonte: Santa Sé