segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fotos da Missa do Papa em Myanmar

No último dia 29 de novembro o Papa Francisco celebrou a Santa Missa da quarta-feira da XXXIV semana do Tempo Comum na cidade de Yangon, em Myanmar, por ocasião de sua Viagem Apostólica ao país.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e John Richard Cihak. O livreto da celebração pode ser visto aqui (pp. 7-32).

Clique aqui para ler a homilia do Papa.

Procissão de entrada

Ósculo do altar
Incensação

Homilia do Papa: Missa em Myanmar

Viagem Apostólica do Papa Francisco a Myanmar e Bangladesh
Santa Missa
Homilia do Santo Padre
Kyaikkasan Ground (Yangon)
Quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Amados irmãos e irmãs!
Há muito tempo que anelava por este momento da minha vinda ao país. Muitos de vós viestes de longe e de áreas montanhosas remotas, e não poucos mesmo a pé. Eu vim como peregrino para vos ouvir e aprender de vós, e para vos oferecer algumas palavras de esperança e consolação.
A primeira leitura de hoje, do livro de Daniel, ajuda-nos a ver como era limitada a sabedoria do rei Baltasar e dos seus videntes. Sabiam como louvar «os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra» (Dn 5,4), mas não possuíam a sabedoria para louvar a Deus em cujas mãos está a nossa vida e a nossa respiração. Ao contrário, Daniel tinha a sabedoria do Senhor e era capaz de interpretar os seus grandes mistérios.
O intérprete definitivo dos mistérios de Deus é Jesus. Ele é a sabedoria de Deus em pessoa (cf. 1Cor 1,24). Jesus não nos ensinou a sua sabedoria com longos discursos ou por meio de grandes demonstrações de poder político ou terreno, mas com a oferta da sua vida na cruz. Às vezes, podemos cair na armadilha de confiar na nossa própria sabedoria, mas a verdade é que facilmente perdemos o sentido da direção. Então é necessário lembrar-nos de que dispomos, à nossa frente, duma bússola segura: o Senhor crucificado. Na cruz, encontramos a sabedoria, que pode guiar a nossa vida com a luz que provém de Deus.
E da cruz vem também a cura. Lá, Jesus ofereceu as suas feridas ao Pai por nós: mediante as suas feridas, somos curados (cf. 1Pd 2,4). Que nunca nos falte a sabedoria de encontrar, nas feridas de Cristo, a fonte de toda a cura! Sei que muitos no Myanmar carregam as feridas da violência, quer visíveis quer invisíveis. A tentação é responder a estas lesões com uma sabedoria mundana que, como a do rei na primeira leitura, está profundamente deturpada. Pensamos que a cura possa vir do rancor e da vingança. Mas o caminho da vingança não é o caminho de Jesus.
O caminho de Jesus é radicalmente diferente. Quando o ódio e a rejeição O conduziram à paixão e à morte, Ele respondeu com o perdão e a compaixão. No Evangelho de hoje, o Senhor diz-nos que, à sua semelhança, podemos também deparar-nos com a rejeição e tantos obstáculos, mas nessa ocasião dar-nos-á uma sabedoria a que ninguém pode resistir (cf. Lc 21,15). Aqui Ele fala do Espírito Santo, por Quem o amor de Deus foi derramado nos nossos corações (cf. Rm 5,5). Com o dom do Espírito, Jesus torna cada um de nós capaz de ser sinal da sua sabedoria, que triunfa sobre a sabedoria deste mundo, e da sua misericórdia, que dá alívio mesmo às feridas mais dolorosas.
Na véspera da sua paixão, Jesus deu-Se aos Apóstolos sob as espécies do pão e do vinho. No dom da Eucaristia, com os olhos da fé, não só reconhecemos o dom do seu corpo e sangue, mas aprendemos também a encontrar repouso nas suas feridas, sendo nelas purificados de todos os nossos pecados e extravios. Buscando refúgio nas feridas de Cristo, possais vós, queridos irmãos e irmãs, experimentar o bálsamo salutar da misericórdia do Pai e encontrar a força de o levar aos outros, ungindo cada uma das suas feridas e dolorosas lembranças. Deste modo, sereis testemunhas fiéis da reconciliação e da paz que Deus quer que reine em cada coração humano e em todas as comunidades.
Eu sei que a Igreja no Myanmar já está a fazer muito para levar o bálsamo salutar da misericórdia de Deus aos outros, especialmente aos mais necessitados. Há sinais claros de que, mesmo com meios muito limitados, numerosas comunidades proclamam o Evangelho a outras minorias tribais, sem nunca forçar ou constringir, mas sempre convidando e acolhendo. No meio de tanta pobreza e inúmeras dificuldades, muitos de vós prestam assistência prática e solidariedade aos pobres e aos doentes. Através das canseiras diárias dos seus bispos, sacerdotes, religiosos e catequistas, e particularmente mediante o louvável trabalho do Catholic Karuna Myanmar e da generosa assistência prestada pelas Pontifícias Obras Missionárias, a Igreja neste país está a ajudar um grande número de homens, mulheres e crianças, sem distinções de religião ou de origem étnica. Posso testemunhar que aqui a Igreja está viva, que Cristo está vivo e está aqui convosco e com os vossos irmãos e irmãs das outras Comunidades cristãs. Encorajo-vos a continuar a partilhar com os outros a inestimável sabedoria que recebestes, o amor de Deus que brota do Coração de Jesus.
Jesus quer dar esta sabedoria em abundância. Ele premiará certamente os vossos esforços por espalhar sementes de cura e reconciliação nas vossas famílias, comunidades e na sociedade alargada desta nação. Porventura não nos disse Ele que a sua sabedoria é irresistível (cf. Lc 21,15)? A sua mensagem de perdão e misericórdia obedece a uma lógica que nem todos quererão compreender, e que encontrará obstáculos. Contudo o seu amor, revelado na cruz, é definitivamente imparável. É como um GPS espiritual que nos guia infalivelmente rumo à vida íntima de Deus e ao coração do nosso próximo.
A Santíssima Virgem Maria seguiu o seu Filho mesmo na escura subida ao monte Calvário e acompanha-nos em todos os passos da nossa viagem terrena. Que Ela nos obtenha sempre a graça de ser mensageiros da verdadeira sabedoriaprofundamente misericordiosos para com os necessitados, com a alegria que brota de repousar nas feridas de Jesus, que nos amou até ao fim.
Deus vos abençoe a todos! Deus abençoe a Igreja no Myanmar! Abençoe esta terra com a sua paz! Deus abençoe o Myanmar!


Fonte: Santa Sé

Confira aqui as fotos e vídeo da celebração.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Homilia: I Domingo do Advento - Ano B

Santo Agostinho
Carta 199, I a Hesíquio
Não queria que dessem crédito aos que achavam que estava próximo o dia do Senhor

Uma coisa é ignorar os tempos, e outra coisa é a torpeza dos costumes e o amor dos vícios. O apóstolo Paulo dizia: Não vos deixeis facilmente perturbar o espírito e alarmar-vos, nem por palavras nem por cartas tidas como enviadas por nós, dando a entender que o dia do Senhor está próximo. Não queria que dessem crédito aos que achavam que estava próximo o dia do Senhor, mas também não queria que dissessem como aquele servo: Tarda meu Senhor, e se entregassem à perdição da soberba e da luxúria. Não queria que escutassem os rumores da iminência do último juízo, porém queria que estivessem preparados para a vinda do Senhor, com os rins cingidos e as lâmpadas acesas. E lhes diz: Vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Por isso aquele que diz: O meu Senhor tarda em vir, para poder maltratar aos seus companheiros e banquetear com os ébrios, não é filho da luz, mas sim das trevas, e por isso aquele dia o surpreenderá como um ladrão; e isto todos devem temê-lo em relação ao último dia desta vida. Quando alguém chega ao seu último dia nesta vida, encontra-se com o último dia do mundo para ele, porque, tal como se encontrar no dia de sua morte, assim será julgado.
Aqui cabe bem o que se encontra no Evangelho segundo Marcos: Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: se à tarde ou à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer, para que não suceda que, vindo de repente, o encontre dormindo. O que vos digo, digo também a todos: Vigiai! Por que ele diz a todos, a não ser pelos seus eleitos e amados, que pertencem ao seu corpo que é a Igreja? Ele não se dirigia apenas aos que o escutavam, mas também aos que logo viriam, a nós mesmos, e aos que depois de nós chegarão até a sua última vinda. Acaso aquele dia encontrará a todos nesta vida? Ou por acaso alguém dirá que ele faz referência aos mortos, quando disse: Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo? Porque ele se dirige a todos, se diz respeito apenas aos que neste último dia ainda estarão vivos, a não ser no sentido que acabo de expor também a todos?
Este dia virá para cada um, no dia que cada um estiver partindo desta vida, e tal como se encontrar será julgado. Por isso todo cristão deve vigiar, para que a vinda do Senhor não lhe encontre desprevenido. E esse dia final o encontrará desprevenido, se lhe encontrar desprevenido o último dia de sua vida. Os apóstolos ao menos sabiam que o Senhor não viria em seu tempo, enquanto viviam na carne. Mas quem duvida que eles se distinguiram vigiando e observando o que o Senhor disse a todos, para que, se o Senhor viesse repentinamente, não lhes encontrassem desprevenidos?



Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 275-276.

Feliz Ano Novo (Litúrgico)!


“Através do ciclo anual, a Igreja comemora todo o mistério de Cristo, da Encarnação ao dia de Pentecostes e à espera da vinda do Senhor”
 (Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, n. 17).

A partir do pôr-do-sol deste sábado, 02 de dezembro, a Igreja de Rito Romano inicia o Tempo do Advento, tempo de alegre expectativa pela vinda do Senhor, e com ele um novo Ano Litúrgico.

Seguindo o ciclo trienal para os domingos e festas, entramos neste novo ano de 2017-2018 no Ano Litúrgico B, no qual somos convidados a meditar o Evangelho de Marcos.


Ao longo do ano, continuaremos a postar uma homilia dos Padres da Igreja para cada domingo e solenidade, completando assim o ciclo que iniciamos em 2015-2016 (Ano C - Lucas) e 2016-2017 (Ano A - Mateus).

“Ao Cristo que era, que é e que há de vir,
Senhor do tempo e da história,
louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.”

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A viagem do Papa a Myanmar e Bangladesh

Entre os dias 27 de novembro e 02 de dezembro de 2017 o Papa Francisco realiza uma Viagem Apostólica a Myanmar e Bangladesh. Esta é sua vigésima primeira viagem fora da Itália e a sétima com destino à Ásia (sendo as anteriores: Terra Santa, Coreia do Sul e Turquia em 2014; Sri Lanka e Filipinas em 2015; Armênia, Geórgia e Azerbaijão em 2016).

Francisco será o primeiro Papa a visitar Myanmar, antiga Birmânia. Bangladesh, por sua vez, recebeu uma visita de São João Paulo II em 19 de novembro de 1986, parte de uma viagem mais ampla ao Sudoeste Asiático e Oceania.

Em ambos países os católicos são minoria (1,27% em Myanmar e 0,24% em Bangladesh). Em Myanmar a maioria da população é composta por budistas (89%), enquanto em Bangladesh a principal religião é o Islamismo (90,4%).

Programa da viagem:

Segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Chegada ao Aeroporto de Yangon (Myanmar)

Terça-feira, 28 de novembro de 2017
Cerimônia de boas-vindas, visita ao Presidente e encontro com as autoridades.

Quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Missa em Yangon, encontro com monges budistas e encontro com os Bispos de Myanmar.

Quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Missa com osjovens na Catedral de Yangon, partida para Bangladesh.


Quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Chegada em Bangladesh, cerimônia de boas-vindas, visita ao Presidente e encontro com as autoridades.

Sexta-feira, 01 de dezembro de 2017
Missa com ordenações sacerdotais, encontro com os Bispos de Bangladesh e encontro inter-religioso pela paz.

Sábado, 02 de dezembro de 2017
Encontro com sacerdotes e religiosos, encontro com os jovens e cerimônia de despedida.


Alguns dados da Igreja Católica em Myanmar:

Número de católicos: 659 mil (1,27% da população)
Dioceses e outras circunscrições eclesiásticas: 16
Paróquias: 384
Outros centros de pastoral: 43

Bispos: 22
Sacerdotes diocesanos: 777
Sacerdotes religiosos: 111
Diáconos permanentes: 2
Religiosos (as): 2.089
Seminaristas: 1.092

Escolas católicas: 373 (13.713 estudantes)
Universidades católicas: 2 (128 estudantes)
Hospitais: 6
Ambulatórios: 65
Leprosários: 3
Asilos: 13
Orfanatos: 390
Outras instituições sociais: 91

Alguns dados da Igreja Católica em Bangladesh:

Número de católicos: 375 mil (0,24% da população)
Dioceses e outras circunscrições eclesiásticas: 8
Paróquias: 106
Outros centros de pastoral: 374

Bispos: 12
Sacerdotes diocesanos: 189
Sacerdotes religiosos: 183
Religiosos (as): 1.380
Seminaristas: 793

Escolas católicas: 731 (123.944 estudantes)
Universidades católicas: 14 (12.014 estudantes)
Hospitais: 10
Ambulatórios: 74
Leprosários: 9
Asilos: 14
Orfanatos: 89
Outras instituições sociais: 157

Solenidade de Cristo Rei em Cracóvia

No último dia 26 de novembro o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Solenidade de Cristo Rei do Universo na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel.

Oração diante do Santíssimo Sacramento
Procissão de entrada
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
Bênção com o Livro dos Evangelhos

Angelus do Papa: Solenidade de Cristo Rei

Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 26 de novembro de 2017

Bom dia, queridos irmãos e irmãs!
Neste último domingo do ano litúrgico celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. A sua realeza é de guia, de serviço, e também uma realeza que no fim dos tempos se afirmará como o juízo. Hoje temos diante de nós Cristo como rei, pastor e juiz, que indica os critérios de pertença ao Reino de Deus. Aqui estão os critérios.
A página evangélica abre-se com uma visão grandiosa. Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus diz: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória, e todos os anjos com Ele, sentar-se-á no seu trono glorioso» (Mt 25,31). Trata-se da solene introdução da narração do juízo universal. Depois de ter vivido a existência terrena em humildade e pobreza, Jesus apresenta-se agora na glória divina que lhe pertence, circundado pelos exércitos angélicos. A humanidade inteira é convocada perante Ele, e Ele exerce a sua autoridade separando uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
Àqueles que colocou à sua direita, diz: «Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos foi preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e acolhestes-me; nu e vestistes-me; enfermo e visitastes-me; estava na prisão e viestes ter comigo» (vv. 34-36). Os justos ficam surpreendidos, porque não se recordam de um dia ter encontrado Jesus, e muito menos de o ter ajudado desse modo; mas Ele declara: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (v. 40). Esta palavra nunca deixa de nos impressionar, porque nos revela até que ponto chega o amor de Deus: a ponto de se identificar connosco, contudo não quando estamos bem, quando estamos sadios e felizes, não, mas quando estamos em necessidade. É desta forma escondida que Ele se deixa encontrar, que nos estende a mão como mendigo. É assim que Jesus revela o critério decisivo do seu juízo, ou seja, o amor concreto pelo próximo em dificuldade. Revela-se assim o poder do amor, a realeza de Deus: solidário com quantos sofrem, para suscitar em toda a parte atitudes e obras de misericórdia.
A parábola do juízo prossegue, apresentando o rei que afasta de si quantos, durante a própria vida, não se preocuparam com as necessidades dos irmãos. Também neste caso, eles ficam surpreendidos e perguntam: «Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão, e não te socorremos?» (v. 44). Está subentendido: “Se te tivéssemos visto, certamente ter-te-íamos ajudado!”. Mas o rei responderá: «Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim mesmo que o deixastes de fazer» (v. 45). No final da nossa vida, seremos julgados sobre o amor, ou seja, sobre o nosso compromisso concreto de amar e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados. Aquele mendigo, esse necessitado que estende a mão é Jesus; aquele doente que devo visitar é Jesus; esse preso é Jesus; aquele faminto é Jesus. Pensemos nisto!
Jesus virá no fim dos tempos para julgar todas as nações, mas vem ter conosco todos os dias, de muitas maneiras, e pede-nos que o acolhamos. A Virgem Maria nos ajude a encontrá-lo e a recebê-lo na sua Palavra e na Eucaristia, e ao mesmo tempo nos irmãos e nas irmãs que sofrem a fome, a doença, a opressão e a injustiça. Que os nossos corações o acolham no hoje da nossa vida, para sermos por Ele recebidos na eternidade do seu Reino de luz e de paz.


Fonte: Santa Sé