sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Homilia do Papa na Missa em ação de graças por duas canonizações

Como não foi publicada no site Santa Sé a tradução oficial da homilia, publicamo-la aqui em seu original italiano:

SANTA MESSA DI RINGRAZIAMENTO PER LA
CANONIZZAZIONE EQUIPOLLENTE DI DUE SANTI CANADESI
OMELIA DEL SANTO PADRE FRANCESCO
Basilica Vaticana
Domenica, 12 ottobre 2014

Abbiamo ascoltato la profezia di Isaia: «Il Signore Dio asciugherà le lacrime su ogni volto…» (Is 25,8). Queste parole, piene della speranza di Dio, indicano la meta, mostrano il futuro verso cui siamo in cammino. Su questa strada i santi ci precedono e ci guidano. Queste parole delineano anche la vocazione degli uomini e delle donne missionari.
I missionari sono coloro che, docili allo Spirito Santo, hanno il coraggio di vivere il Vangelo. Anche questo Vangelo che abbiamo appena ascoltato: «Andate ai crocicchi delle strade» - dice il re ai suoi servi (Mt 22,9). E i servi uscirono e radunarono tutti quelli che trovarono, «cattivi e buoni», per portarli al banchetto di nozze del re (cfr v. 10).
I missionari hanno accolto questa chiamata: sono usciti a chiamare tutti, agli incroci del mondo; e così hanno fatto tanto bene alla Chiesa, perché se la Chiesa si ferma e si chiude si ammala, si può corrompere, sia con i peccati sia con la falsa scienza separata da Dio, che è il secolarismo mondano.
I missionari hanno rivolto lo sguardo a Cristo crocifisso, hanno accolto la sua grazia e non l’hanno tenuta per sé. Come san Paolo, si sono fatti tutto a tutti; hanno saputo vivere nella povertà e nell’abbondanza, nella sazietà e nella fame; tutto potevano in Colui che dava loro la forza (cfr Fil 4,12-13). Con questa forza di Dio hanno avuto il coraggio di “uscire” per le strade del mondo con la fiducia nel Signore che chiama. Così è la vita di un missionario e di una missionaria… per finire poi lontano da casa, dalla propria patria; tante volte uccisi, assassinati! Come è accaduto in questi giorni per tanti fratelli e sorelle nostri.
La missione evangelizzatrice della Chiesa è essenzialmente annuncio dell’amore, della misericordia e del perdono di Dio, rivelati agli uomini mediante la vita, la morte e la risurrezione di Gesù Cristo. I missionari hanno servito la Missione della Chiesa, spezzando ai più piccoli e ai più lontani il pane della Parola e portando a tutti il dono dell’inesauribile amore, che sgorga dal cuore stesso del Salvatore.
Così furono san Francesco de Laval e santa Maria dell’Incarnazione. Vorrei lasciare a voi, cari pellegrini canadesi, in questo giorno, due consigli: sono tratti dalla Lettera agli Ebrei, e pensando ai missionari faranno tanto bene alle vostre comunità.
Il primo è questo: «Ricordatevi dei vostri capi, i quali vi hanno annunciato la parola di Dio. Considerando attentamente l’esito finale della loro vita, imitatene la fede» (13,7). La memoria dei missionari ci sostiene nel momento in cui sperimentiamo la scarsità degli operai del Vangelo. I loro esempi ci attirano, ci spingono a imitare la loro fede. Sono testimonianze feconde che generano vita!
Il secondo è questo: «Richiamate alla memoria quei primi giorni: dopo aver ricevuto la luce di Cristo, avete dovuto sopportare una lotta grande e penosa…Non abbandonate la vostra franchezza, alla quale è riservata una grande ricompensa. Avete solo bisogno di perseveranza…» (10,32.35-36). Rendere omaggio a chi ha sofferto per portarci il Vangelo, significa portare avanti anche noi la buona battaglia della fede, con umiltà, mitezza e misericordia, nella vita di ogni giorno. E questo porta frutto.
Memoria di quelli che ci hanno preceduti, di quelli che hanno fondato la nostra Chiesa. Chiesa feconda quella del Québec! Feconda di tanti missionari che sono andati dappertutto. Il mondo è stato riempito di missionari canadesi come questi due. Adesso un consiglio: che questa memoria non ci porti ad abbandonare la franchezza e il coraggio. Forse – anzi no senza forse! – il diavolo è invidioso e non tollera che una terra sia così feconda di missionari. Pregiamo il Signore perché il Québec torni su questa strada della fecondità, per dare al mondo tanti missionari. Questi due che hanno – per cosi dire – fondato la Chiesa del Québec, ci aiutino come intercessori. Che il seme da loro seminato cresca e dia frutto di nuovi uomini e donne coraggiosi, lungimiranti, con il cuore aperto alla chiamata del Signore. Oggi si deve chiedere questo per la vostra patria. Loro, dal cielo, saranno i nostri intercessori. Il Québec torni ad esser quella fonte di bravi e santi missionari.
Ecco la gioia e la consegna di questo vostro pellegrinaggio: fare memoria dei testimoni, dei missionari della fede nella vostra terra. Questa memoria ci sostiene sempre nel cammino verso il futuro, verso la meta, quando «il Signore Dio asciugherà le lacrime su ogni volto…».
«Rallegriamoci, esultiamo per la sua salvezza» ( Is 25,9).


Fonte; Santa Sé

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Posse do novo Arcebispo Militar do Brasil

No último dia 08 outubro, Memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário, tomou posse na Catedral Militar Nossa Senhora da Paz em Brasília (DF), o novo Arcebispo Militar do Brasil: Dom Fernando José Monteiro Guimarães, nomeado pelo Papa Francisco no dia 06 de agosto.

Estiveram presentes o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d'Aniello, que presidiu a cerimônia de posse, além do Arcebispo Militar Emérito, Dom Osvino Both, e do Bispo Auxiliar do Ordinariato Militar, Dom José Francisco Falcão de Barros, além de mais cerca de vinte bispos, os presbíteros do Ordinariato Militar e autoridades das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha).

Seguem algumas fotos, publicadas pelo site Salvem a Liturgia:

Chegada de Dom Fernando
Guarda de honra dos Dragões da Independência
Abraço de Dom Osvino Both, Arcebispo Emérito
Oração diante do Santíssimo Sacramento
Procissão de entrada

IX Catequese do Papa sobre a Igreja

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nas últimas catequeses, quisemos esclarecer a natureza e a beleza da Igreja, perguntando-nos o que comporta para cada um de nós, fazer parte deste povo, do povo de Deus que é a Igreja. Contudo, não podemos esquecer que numerosos irmãos compartilham connosco a fé em Cristo, mas que pertencem a outras confissões ou tradições diferentes da nossa. Muitos já se resignaram a esta divisão - e resignaram-se inclusive no seio da nossa Igreja católica - que ao longo da história foi com frequência causa de conflitos e de sofrimentos, e até de guerras, e isto é uma vergonha! Ainda hoje os relacionamentos nem sempre estão caracterizados pelo respeito e pela cordialidade... No entanto, interrogo-me: e nós, como nos pomos diante de tudo isto? Também nós estamos resignados, ou até somos indiferentes? Ou, ao contrário, cremos firmemente que podemos e devemos caminhar rumo à reconciliação e à plena comunhão? A plena comunhão, ou seja, poder participar todos juntos no corpo e sangue de Cristo.
Enquanto ferem a Igreja, as divisões entre os cristãos ferem também Cristo, e divididos nós provocamos uma ferida a Cristo: com efeito, a Igreja é o Corpo cuja Cabeça é Cristo. Sabemos bem como Jesus fazia questão que os seus discípulos permanecessem unidos no Seu amor. É suficiente pensar nas suas palavras, citadas no capítulo 17 do Evangelho de João, na oração dirigida ao Pai na iminência da paixão: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste a fim de que, como nós, também eles sejam um só» (Jo 17, 11). Esta unidade já estava ameaçada enquanto Jesus ainda se encontrava no meio dos seus: com efeito, no Evangelho recorda-se que os Apóstolos discutiam entre si sobre quem era o maior, o mais importante (cf. Lc 9, 46). No entanto, o Senhor insistiu muito sobre a unidade em nome do Pai, levando-nos a compreender que o nosso anúncio e o nosso testemunho serão tanto mais credíveis, quanto mais nós formos os primeiros a tornar-nos capazes de viver em comunhão e de nos amarmos uns aos outros. Foi aquilo que os seus Apóstolos, com a graça do Espírito Santo, depois entenderam profundamente e levaram no seu coração, a tal ponto que são Paulo chegará a implorar a comunidade de Corinto com estas palavras: «Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que entre vós não haja divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e com os mesmos sentimentos» (1 Cor 1, 10).
Ao longo do seu caminho na história, a Igreja é tentada pelo maligno, que procura dividi-la, e infelizmente foi marcada por separações graves e dolorosas. Trata-se de visões que às vezes se prolongaram no tempo, até hoje, pelo que já é difícil reconstruir todas as suas motivações e sobretudo encontrar soluções possíveis. As razões que levaram às rupturas e às separações podem ser as mais variadas: divergências sobre os princípios dogmáticos e morais e sobre diferentes conceitos teológicos e pastorais, motivos políticos e de conveniência, atritos devidos a antipatias e ambições pessoais... O que é certo é que, de uma forma ou de outra, por detrás de tais dilacerações encontram-se sempre a soberba e o egoísmo, que constituem a causa de todos os desacordos e que nos tornam intolerantes, incapazes de ouvir e de aceitar quem tem uma visão ou uma posição diferente da nossa.
Pois bem, diante de tudo isto, existe algo que cada um de nós, como membros da santa mãe Igreja, podemos e devemos fazer? Sem dúvida, não pode faltar a oração, em comunidade e em comunhão com a prece de Jesus, a oração pela unidade dos cristãos. E além da oração, o Senhor também nos pede uma abertura renovada: pede-nos que não nos fechemos ao diálogo nem ao encontro, mas que aceitemos tudo o que de válido e positivo nos é oferecido, inclusive por quantos pensam diversamente de nós ou por aqueles que se colocam em posições diferentes das nossas. Pede-nos que não fixemos o nosso olhar no que nos divide mas, ao contrário, no que nos une, procurando conhecer e amar melhor Jesus e compartilhar a riqueza do seu amor. E isto comporta concretamente a adesão à verdade, juntamente com a capacidade de nos perdoarmos, de nos sentirmos parte de uma mesma família cristã, de nos considerarmos uns dádivas para os outros e, juntos, fazermos tantas boas acções e obras de caridade.
É doloroso, mas existem divisões, cristãos separados, e nós mesmos vivemos divididos entre nós. Mas todos dispomos de algo em comum: todos nós cremos em Jesus Cristo, o Senhor. Todos cremos no Pai e no Filho e no Espírito Santo, e todos nós caminhamos juntos, estamos a caminho. Ajudemo-nos uns aos outros! Mas tu pensas deste modo, e tu pensas daquela maneira... Em todas as comunidades existem bons teólogos: que eles debatam, que procurem a verdade teológica, porque se trata de um dever, mas nós caminhemos juntos, rezando uns pelos outros, levando a cabo obras de caridade. E assim construamos a comunhão, ao longo do caminho. Isto chama-se ecumenismo espiritual: percorrer o caminho da vida todos juntos na nossa fé, no Senhor Jesus Cristo. Diz-se que não devemos falar de coisas pessoais, mas não resisto à tentação. Falamos de comunhão... de comunhão entre nós. E estou deveras grato ao Senhor porque hoje festejo o 70º aniversário da minha primeira Comunhão. Mas todos nós devemos saber que receber a primeira Comunhão significa entrar em comunhão com os outros, em comunhão com os irmãos da nossa Igreja, mas inclusive em comunhão com todos aqueles que pertencem a diferentes comunidades, mas que acreditam em Jesus. Demos graças ao Senhor pelo nosso Baptismo, agradeçamos ao Senhor a nossa comunhão, e para que esta comunhão chegue a ser de todos nós juntos.
Então, caros amigos, vamos em frente rumo à plena unidade! A história separou-nos, mas estamos a caminho no sulco da reconciliação e da comunhão! Esta é a verdade. E devemos defender isto! Todos nós estamos a caminho rumo à comunhão. E quando a meta nos pode parecer demasiado distante, quase inatingível, e nos sentimos arrebatados pelo desânimo, anime-nos a ideia de que Deus não pode fechar os seus ouvidos à voz do próprio Filho Jesus, não pode deixar de atender à sua e nossa oração, a fim de que todos os cristãos sejam verdadeiramente um só!


Fonte: Santa Sé

sábado, 11 de outubro de 2014

Fotos da Canonização de São Zygmunt Felinski

No dia 11 de outubro de 2009, Sua Santidade o Papa Bento XVI celebrou a Santa Missa na Basílica Vaticana para a Canonização de cinco novos santos: Zygmunt Szczesny Felinski, Bispo; Francisco Coll y Guitart, presbítero; Josef Damiaan de Veuster, presbítero; Rafael Arnáiz Barón, religioso; e Marie de La Croix (Jeanne) Jugan, virgem

Assistiram ao Santo Padre os Cardeais Diáconos Jean-Louis Tauran e Julián Herranz, além dos Cerimoniários, Monsenhores Guido Marini e Marco Agostini. O livreto de celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Pedido da Canonização
Fórmula da Canonização
Procissão com as relíquias dos novos santos

Cinco anos da Canonização de São Zygmunt Felinski

Celebramos hoje cinco anos da Canonização de São Zygmunt Szczesny Felinski, Bispo, fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria, celebrada pelo Papa Bento XVI na Basílica Vaticana no dia 11 de outubro de 2009.
Para tornar mais conhecido este grande santo, publicamos a biografia que consta no livreto da celebração:

PERFIL BIOGRÁFICO DO NOVO SANTO

ZYGMUNT SZCZĘSNY FELIŃSKI nasceu no dia 1 de Novembro de 1822 na localidade de Wojutyn, perto de Luck, na região de Volínia (na atual Ucrânia). Era filho de uma família nobre, de Geraldo e de Eva Wendorff, mulher de grande mente, escritora das Memórias.
A atmosfera Cristã da casa familiar deu-lhe forte alicerce da fé e moral. Dos pais aprendeu o amor a Deus, a dedicação à Pátria e o respeito ao ser humano. Graças a esses valores conseguiu ultrapassar os difíceis momentos da morte do pai e do exílio da mãe para a Sibéria devido a sua atividade patriótica, seguida da confiscação dos bens da família e do abandono dos seis irmãos que ficaram sem teto.
Aos 17 anos deixou a casa cheio de fé e confiança na Providência Divina. A única riqueza que levava era «o coração inocente, a religião e o amor fraterno». Formou-se em matemática em Moscou, enquanto que na Sorbonne e na College de France estudou letras. Como lema de vida tinha: «Ser polonês na terra é viver divina e nobremente». Deu provas do seu patriotismo participando na Insurreição de Poznań (1848), enquanto que a amizade com o grande vulto da poesia polonesa, Julio Slowacki, enalteceu o seu espírito. Em Paris, atento à voz do Senhor a chamá-lo, escolheu o caminho do sacerdócio.
Em 1851 volta para o país e ingressa no Seminário em Żytomierz. A seguir estuda na Academia Eclesiástica de São Petersburgo, onde foi ordenado padre (1855). Inspirado pelo espírito de misericórdia fundou o Asilo dos Órfãos e a Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria (1857), desempenhando ao mesmo tempo funções de diretor espiritual e professor na Academia. Deu-se a conhecer como excelente pregador e confessor, mas sobretudo era tido como «apóstolo, cheio de humildade, homem de grande ciência e cultura», «protetor dos pobres e órfãos».
Nomeado no dia 6 de Janeiro de 1862 arcebispo de Varsóvia pelo Papa Pio IX desempenhou esse múnus apenas 16 meses, em condições extremamente difíceis. Mesmo assim conseguiu desenvolver uma atividade frutífera no sentido de animar a vida religiosa da arquidiocese. Esse «Homem da Providência», sinal da «Misericódia Divina », criou na capital o Centro de renascimento; organizou missões e retiros nas igrejas, hospitais e prisões; apelava aos sacerdotes a cumprirem com fervor a sua vocação, se preocuparem pela sobriedade da nação, à pregação da Palavra de Deus, a catequese e desenvolvimento do ensino. Divulgou o culto do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora, e em sua homenagem difundiu na arquidiocese as celebrações no mês de Maio; apoiou o movimento franciscano. Preocupado com a educação das crianças e dos jovens fundou na Capital o orfanato e a escola, entregando aos cuidados das Irmãs da Família de Maria.
Em Varsóvia foi como «Anjo da Paz», exortando a nação à reflexão e ao trabalho para o bem do país. Tendo experiência tentou influir para acalmar a mente dos poloneses e impedir o derramamento de sangue. Após a explosão da insurreição de Janeiro (1863), tomou posição de defesa dos oprimidos. A mudança da política da Rússia frente ao Reino da Polónia fez com que o Arcebispo se tornasse pessoa não desejada, e foi chamado a São Petersburgo. Partiu de Varsóvia no dia 14 de Junho de 1863 sob escolta militar como um prisioneiro político.
Condenado ao exílio no interior da Rússia, passou 20 anos em Jaroslaw às margens do rio Volga dedicando-se à oração, ao apostolado e às obras de misericórdia numa vida cheia de santidade; tomou conta dos exilados siberianos, levando-lhes a consolação espiritual e a ajuda material. A memória do «santo bispo polonês», manteve-se viva nas margens do rio Volga por várias décadas. Passados 20 anos, em resultado do entendimento entre o Governo da Rússia e o Vaticano foi libertado (1883), mas sem poder voltar a Varsóvia.
Feliński passou os últimos anos da sua vida como bispo titular de Tarso na aldeia de Dźwiniaczka (diocese de Lvov), sob a ocupação Austríaca dedicando-se ao trabalho pastoral, social e educacional junto ao povo camponês. Nesse meio rural implementou o espírito do renascimento religioso, do convívio entre os poloneses e ucranianos e uma cooperação frutífera em nome de uma fraternidade evangélica. Esse povo considerou-o como pai e protetor, como «santo» sacerdote.
O arcebispo Feliński faleceu no dia 17 de Setembro de 1895 em Cracóvia, em opinião de santidade. Após a morte foi escrito: «partiu um grande coração»; deixando a real herança - «um traje eclesiástico, um livro de orações e muito amor entre o povo». Após o funeral solene em Cracóvia, os restos mortais foram sepultados no cemitério de Dźwiniaczka, rodeado de respeito tanto pelos poloneses, como pelos ucranianos. Passados 25 anos, quando a Polônia recuperou a sua independência, foram trasladados para Varsóvia (1920) e depositados na Catedral de São João Batista (1921).
A Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria nasceu de uma pequena semente lançada pelo padre Feliński em São Petersburgo no ano 1857 e cresceu transformando-se numa grande família. Atualmente as Irmãs trabalham na Polônia, Brasil, Itália, Bielorrússia, Ucrânia, Federação Russa e no Cazaquistão.
A vida de Feliński desde cedo foi marcada pelo desejo da santidade. Para Ele Cristo era «Caminho, Verdade e Vida ». Queria conseguir tal união com Deus para dizer com São Paulo: «Não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim» Caracterizava-o uma sólida fé e uma confiança na Providência Divina, para Ele o amor a Deus e à Igreja, sacrifício pela Pátria e o respeito as pessoas, estavam acima de tudo. A sua espiritualidade baseava-se na retidão, fortaleza e justiça. Emanava igualmente a dedicação e misericórdia, marcadas pelo espírito franciscano de serenidade, humildade, simplicidade, trabalho e pobreza.
Sua memória, a fama de santidade e várias curas por sua interferência, contribuíram para a abertura do processo da sua beatificação. O cardeal Stefan Wyszyński, abriu o processo da beatificação no ano de 1965 em Varsóvia; desde o ano 1984 o trabalho foi continuado em Roma. O Papa João Paulo II o beatificou no dia 18 de agosto do ano 2002 em Cracóvia.
A sua vida é um tesouro que nos permite espreitar o seu espírito e a sua luz. A canonização do Pastor-Exilado anima a refletir sobre a família e seu renascimento, sobre a construção de uma casa comum - que é a Pátria, sob a proteção da Providência Divina e de Nossa Senhora.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Fotos da Missa de abertura do Sínodo sobre a Família

No último domingo, 05 de outubro, o Papa Francisco celebrou na Basílica Vaticana a Santa Missa do XXVII Domingo do Tempo Comum por ocasião da abertura da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema: "Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização".

Concelebraram com o Santo Padre os 191 Padres Sinodais, incluindo Patriarcas e Arcebispos Maiores de algumas igrejas orientais sui juris.

A Santa Missa iniciou-se com o tradicional canto das Laudes Regiae. Durante a procissão de entrada, o Santo Padre deteve-se para rezar diante das relíquias de alguns santos, incluindo Santa Teresinha do Menino Jesus e seus pais, Beatos Luis e Zelia Martin.

Os cerimoniários que assistiram diretamente ao Papa foram os Monsenhores Guido Marini e Pier Enrico Stefanetti. O livreto de celebração pode ser visto aqui.

Relíquias de Santa Teresinha e de seus pais
Procissão de entrada: Arcebispos William Skurla (Rutenos) e Sviatoslav Shevchuk (Ucranianos)
Patriarca Nerses Bedros Tarmouni (Armenos)
Papa reza diante das relíquias

Homilia do Papa na Missa de abertura do Sínodo

SANTA MISSA NA ABERTURA DO SÍNODO EXTRAORDINÁRIO SOBRE A FAMÍLIA
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Domingo, 5 de Outubro de 2014

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!
O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.
Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.
Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.
Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.
A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4).
Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade.
Nós somos todos pecadores e também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.
Irmãos sinodais, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência» (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf.Mt 21, 43).


Fonte: Santa Sé