quarta-feira, 10 de setembro de 2014

V Catequese do Papa sobre a Igreja

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014
A Igreja é Mãe

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nas catequeses precedentes tivemos a oportunidade de frisar várias vezes que não nos tornamos cristãos sozinhos, ou seja, com as nossas próprias forças, autonomamente, e nem sequer nos tornamos cristãos no laboratório, mas somos gerados e crescemos na fé no interior do grande corpo que é a Igreja. Neste sentido, a Igreja é verdadeiramente mãe, a nossa mãe Igreja - é bonito dizê-lo assim: a nossa mãe Igreja - uma mãe que nos dá vida em Cristo e que nos faz viver com todos os outros irmãos na comunhão do Espírito Santo.
Nesta sua maternidade, a Igreja tem como modelo a Virgem Maria, o modelo mais bonito e mais excelso que possa existir. Foi o que já as primeiras comunidades cristãs esclareceram e o Concílio Vaticano II expressou de modo admirável (cf. Const. Lumen gentium, 63-64). A maternidade de Maria é sem dúvida única, singular, cumprindo-se na plenitude dos tempos, quando a Virgem deu à luz o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. E todavia, a maternidade da Igreja insere-se precisamente em continuidade com a de Maria, como uma sua prolongação na história. Na fecundidade do Espírito, a Igreja continua a gerar novos filhos em Cristo, sempre à escuta da Palavra de Deus e em docilidade ao seu desígnio de amor. A Igreja é mãe. Com efeito, o nascimento de Jesus no ventre de Maria, é prelúdio do nascimento de cada cristão no seio da Igreja, dado que Cristo é o primogénito de uma multidão de irmãos (cf. Rm 8, 29) e o nosso primeiro irmão Jesus nasceu de Maria, é o modelo, e todos nós nascemos na Igreja. Então, compreendemos que a relação que une Maria à Igreja é mais profunda do que nunca: contemplemos Maria, descubramos o rosto mais belo e mais terno da Igreja; e olhemos para a Igreja, reconheçamos os lineamentos sublimes de Maria. Nós, cristãos, não somos órfãos, temos uma mãe, temos uma mãe, e isto é sublime! Não somos órfãos! A Igreja é mãe, Maria é mãe.
A Igreja é nossa mãe, porque nos deu à luz no Baptismo. Cada vez que baptizamos uma criança, ela torna-se filha da Igreja, entra na Igreja. E a partir daquele dia, como mãe cheia de desvelo, faz-nos crescer na fé e indica-nos com a força da Palavra de Deus o caminho de salvação, defendendo-nos do mal.
A Igreja recebeu de Jesus o tesouro precioso do Evangelho, não para o conservar para si mesma, mas para o oferecer generosamente aos outros, como faz uma mãe. Neste serviço de evangelização manifesta-se de modo peculiar a maternidade da Igreja, comprometida como mãe em oferecer aos seus filhos a alimento espiritual que nutre e faz fecundar a vida cristã. Portanto, todos nós somos chamados a acolher com mente e coração abertos a Palavra de Deus que a Igreja dispensa todos os dias, porque esta Palavra tem a capacidade de nos mudar a partir de dentro. Somente a Palavra de Deus tem esta capacidade de nos transformar positivamente a partir de dentro, das nossas raízes mais profundas. A Palavra de Deus tem este poder. E quem nos dá a Palavra de Deus? A mãe Igreja. Com esta palavra ela amamenta-nos como crianças, cuida de nós durante a vida com esta Palavra, e isto é sublime! É precisamente a mãe Igreja que, com a Palavra de Deus, nos muda a partir de dentro. A Palavra de Deus que recebemos da mãe Igreja transforma-nos, tornando a nossa humanidade não palpitante segundo a mundanidade da carne, mas segundo o Espírito.
Na sua solicitude materna, a Igreja esforça-se por mostrar aos crentes o caminho a percorrer para viver uma existência fecunda de alegria e de paz. Iluminados pela luz do Evangelho e sustentados pela graça dos Sacramentos, especialmente pela Eucaristia, nós podemos orientar as nossas opções para o bem e atravessar com coragem e esperança os momentos de obscuridade e as veredas mais tortuosas. O caminho de salvação, através do qual a Igreja nos guia e acompanha com a força do Evangelho e o sustentáculo dos Sacramentos, confere-nos a capacidade de nos defendermos do mal. A Igreja tem a coragem de uma mãe consciente de que deve defender os seus filhos dos perigos que derivam da presença de satanás no mundo, para os conduzir ao encontro com Jesus. Uma mãe defende sempre os seus filhos. Esta defesa consiste inclusive em exortar à vigilância: velar contra o engano e a sedução do maligno. Pois embora Deus tenha derrotado satanás, ele volta sempre com as suas tentações; como sabemos, todos somos tentados, fomos tentados e somos tentados. Satanás vem «como um leão que ruge» (1 Pd 5, 8), diz o apóstolo Pedro, e temos o dever de não ser ingénuos, mas de vigiar e resistir firmes na fé. Resistir com os conselhos da mãe Igreja, resistir com a ajuda da mãe Igreja que, como uma boa mãe, sempre acompanha os seus filhos nos momentos difíceis.
Caros amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos nós amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que tem a peito o bem dos seus filhos e é capaz de dar a própria vida por eles. No entanto, não devemos esquecer que a Igreja não é composta só por sacerdotes, nem por nós bispos, não, somos todos nós! A Igreja somos todos! Concordais? E também nós somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos nós baptizados, homens e mulheres, formamos juntos a Igreja. Quantas vezes na nossa vida não damos testemunho desta maternidade da Igreja, desta coragem materna da Igreja! Quantas vezes somos cobardes! Então, confiemo-nos a Maria para que Ela, como mãe do nosso Irmão primogénito, Jesus, nos ensine a ter o seu mesmo espírito materno em relação aos nossos irmãos, com a capacidade sincera de acolher, de perdoar, de dar força e de infundir confiança e esperança. É isto que faz uma mãe!


Fonte: Santa Sé

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O pálio

O pálio (do latim pallium, manto) é uma tira de lã branca com seis cruzes negras que o Papa entrega aos Arcebispos Metropolitanos (também chamados Metropolitas).


Esta é a única insígnia episcopal que não é utilizada por todos os Bispos, mas apenas por aqueles que governam uma Arquidiocese Metropolitana, que unida às dioceses próximas, denominadas sufragâneas, forma uma Província Eclesiástica.

Os Arcebispos não Metropolitanos (chamados Titulares) não possuem direito ao pálio, pois tratam-se de Bispos que não governam Arquidioceses, mas que possuem funções de grande dignidade dentro da Igreja (Prefeitos de Dicastérios da Cúria Romana, Núncios Apostólicos), sendo-lhes portanto conferido o título de uma Arquidiocese extinta.

Os únicos dois não Metropolitas que, por antiquíssima tradição, gozam do direito ao pálio são o Decano do Colégio Cardinalício (atualmente, o Cardeal Angelo Sodano) e o Patriarca Latino de Jerusalém (Dom Fouad Twal).

Dom Foaud Twal, Patriarca de Jerusalém, com o pálio
O Metropolita, uma vez recebido o pálio, pode usá-lo em toda a Província Eclesiástica, mas apenas dentro da celebração da Missa, quando preside ou concelebra, ao menos nos dias mais solenes. Não se usa o pálio sobre o pluvial, nem sobre as vestes corais.

A entrega do pálio, segundo o Cerimonial dos Bispos e o Pontifical Romano, deveria ser feita na Ordenação Episcopal ou na tomada de posse do Arcebispo. Contudo, desde o pontificado de São João Paulo II, o Papa tomou para si a atribuição de entregar pessoalmente os pálios na Missa da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo (29 de junho) na Basílica de São Pedro. Esta será a única vez que o Metropolita usará o pálio fora de sua jurisdição.


A preparação dos pálios começa na verdade no dia 21 de janeiro, memória de Santa Inês, Virgem e Mártir, quando o Papa abençoa a lã de duas ovelhas. Desta lã, as monjas beneditinas do mosteiro de Santa Cecília in Trastevere tecem os pálios para os Metropolitas nomeados naquele ano.

No dia 24 de junho, Solenidade da Natividade de São João Batista, os pálios já prontos são depositados junto ao túmulo de São Pedro na Basílica Vaticana. De lá são trazidos no início da Missa da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, para que o Papa os imponha aos Metropolitas, recitando a seguinte fórmula:

 Para glória de Deus Onipotente e louvor da Bem-aventurada sempre Virgem Maria e dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, para decoro das Sés a vós confiadas, como sinal do poder de metropolitas, vos entregamos o pálio tomado da Confissão do Bem-aventurado Pedro, para que o uses dentro dos limites de vossa província eclesiástica. Que este pálio seja para vós símbolo de unidade e sinal de comunhão com a Sé Apostólica; seja vínculo de caridade e estímulo à fortaleza, a fim de que no dia da vinda e da revelação do grande Deus e do príncipe dos pastores, Jesus Cristo, possam obter, com o rebanho a vós confiado, a veste da imortalidade e da glória. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Imposição dos pálios (2014)
(Para saber mais sobre o rito da imposção do pálio, clique aqui).

Esta oração evidencia, pois, as duas realidades fundamentais que o pálio simboliza: a união dos Metropolitas ao Papa e a sua missão de pastores do rebanho de Cristo. Este segundo simbolismo é ainda mais eloquente quando se considera a forma e a matéria do pálio, que indicam claramente a ovelha que o pastor carrega aos ombros.

Um outro elemento que pode fazer-se presente no pálio são três cravos, fixados sobre as cruzes no peito, nas costas e no ombro esquerdo. Estes cravos recordam os pregos da Paixão de Cristo e também a própria cruz do Senhor, que o arcebispo é chamado a carregar sobre o ombro.

Mons. Guido Marini impõe os cravos no pálio do Papa (2013)
Por fim, o Papa, como Metropolita da Província Romana, faz igualmente uso do pálio, que lhe é imposto na Missa de Início do Ministério Petrino pelo Cardeal Proto-Diácono. Desde o início de seu pontificado, o Papa Bento XVI havia adotado um modelo de pálio distinto dos demais Metropolitas, com cruzes vermelhas ao invés de negras, para evidenciar a dignidade própria do Romano Pontífice. Porém, desde junho deste ano, Francisco voltou a usar um pálio igual ao dos demais Arcebispos.

Papa Francisco com o pálio idêntico ao dos demais Arcebispos (2014)

O termo "pálio" refere-se também a um objeto litúrgico, sobre o qual tratamos aqui.

O báculo

O báculo (do latim baculus, cajado) é um cajado de metal com a ponta curva que o Bispo leva nas celebrações litúrgicas como símbolo de sua missão de pastor.


O simbolismo do báculo é expresso de maneira muito clara na oração que acompanha sua entrega na Ordenação Episcopal:

“Recebe o báculo, símbolo do serviço pastoral, e cuida de todo o rebanho, no qual o Espírito Santo te constituiu Bispo a fim de apascentares a Igreja de Deus”
(Pontifical Romano, Rito da Ordenação de um Bispo, p. 79).

Papa Francisco entrega o báculo a um novo Bispo (2013)
O Papa São João Paulo II relaciona o báculo à missão do Bispo de zelar pela santidade do rebanho: “É o sinal da autoridade que compete ao Bispo no cumprimento do dever de cuidar do rebanho. Também este sinal se insere na perspectiva da solicitude pela santidade do Povo de Deus” (Levantai-vos! Vamos!, p. 57).

Uma antiga tradição afirma que a função do pastor é tríplice: “congregar os que dispersam, sustentar os que fraquejam e incentivar os que se atrasam”. Isto é expresso nas três partes que compõem o báculo: a parte superior, com a ponta curva, recorda o dever de congregar; a haste central, o dever de sustentar; e a parte inferior, que anteriormente terminava em uma ponta aguçada, o dever de incentivar.

Báculo desmontado
O uso do báculo como insígnia episcopal começa a consolidar-se no século VII, na Espanha e na Gália, difundindo-se pouco depois para toda a Igreja. Porém, pode-se presumir que seu uso esporádico seja mais antigo.

Na Liturgia romana, o uso do báculo é atualmente definido de modo geral no n. 59 do Cerimonial dos Bispos. Primeiramente, pela própria natureza desta insígnia, afirma-se que seu uso é restrito ao Bispo diocesano dentro de seu próprio território. Outro Bispo só pode fazer uso do báculo com a permissão do Ordinário do local.

Em uma concelebração, o único Bispo a usar o báculo é o celebrante principal, mesmo que este não seja o Ordinário local. O único caso do uso de mais de um báculo na mesma celebração é a Ordenação Episcopal, na qual portam o báculo o Sagrante principal e o novo Bispo.

Nas celebrações litúrgicas (e jamais fora delas) o báculo é usado nos seguintes momentos:
  • Nas procissões (exceto se o Bispo deve levar alguma coisa; vela, ramo...);
  • Durante a proclamação do Evangelho;
  • Para fazer a homilia, se desejar;
  • Para receber votos, promessas e a profissão de fé;
  • Para abençoar (exceto quando tiver de impor as mãos).

Bispo com báculo durante o Evangelho
A única celebração na qual se proíbe o uso do báculo é a Celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa.

O bispo sempre leva o báculo com a curva voltada para frente, símbolo de seu múnus de pastor daquele rebanho. Por tradição, aqueles que sustentam o báculo o mantêm com a curva voltada para si, recordando que são ovelhas do rebanho.

Bispo com o báculo em procissão (note-se a curva para frente)
Os abades podem, igualmente por tradição, levar o báculo com uma tira de pano pendente, chamada de sudarium. Este gesto serve para indicar que, ainda que possuam o direito às insígnias episcopais, não são bispos.

Abade recebe báculo com sudarium
O báculo é a única insígnia episcopal que não se põe junto o corpo do Bispo falecido nas exéquias. Isto para indicar que, com a morte, cessa o múnus de pastor, do qual agora o Bispo é chamado a prestar contas a Deus.

O Papa não faz uso do báculo, mas sim da férula, sobre a qual falaremos em postagem própria. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A mitra

A mitra é a insígnia utilizada pelo Bispo sobre a cabeça nas celebrações litúrgicas. Consiste em dois pentágonos de pano rígido costurados (formato bicúspide) e com a ponta voltada para cima. Da parte de trás pendem duas tiras de pano (ínfulas).


O sentido da mitra é expresso por seu próprio formato, que “aponta para o alto”, indicando que o poder do Bispo vem de Deus, o qual lhe concede esta “coroa da justiça” (2Tm 4,8). A mitra simboliza também a santidade à qual o Bispo é chamado a viver, como indica a oração que acompanha sua entrega na Ordenação Episcopal:

“Recebe a mitra e brilhe em ti o esplendor da santidade, para que, quando vier o Príncipe dos pastores, mereças receber a imarcescível coroa da glória”
(Pontifical Romano, Rito da Ordenação de um Bispo, p. 79)

Papa Francisco impõe a mitra a um novo Bispo (2013)
Nesta mesma linha está a reflexão do Papa São João Paulo II, que em seu livro “Levantai-vos! Vamos!” enfatiza a função da mitra como exortação à santidade: “o Bispo é chamado à santidade pessoal para contribuir para o crescimento da santidade na comunidade eclesial que lhe foi confiada” (p. 56).

As ínfulas têm igualmente uma dupla significação: simbolizam tanto o poder sacerdotal, que o Bispo possui em plenitude, quanto seu dever de possuir o conhecimento da Sagrada Escritura (Antigo e Novo Testamento) para bem exercer seu múnus de ensinar.

Os primeiros cristãos sempre rezavam com a cabeça descoberta durante as celebrações, exceto as mulheres, que usavam um véu. O primeiro registro de uma cobertura de cabeça na Liturgia é do século VIII, que fala do uso do camelauco (espécie de gorro) branco por parte do Papa. Somente no século XI o camelauco toma o nome de mitra e passa a ser insígnia de todos os bispos.

Atualmente, as normas gerais para o uso da mitra estão determinadas pelo número 60 do Cerimonial dos Bispos. Recorda-se primeiramente que a mitra é uma só dentro da celebração (na Forma Extraordinária do Rito Romano usa-se duas) e que seu tipo é determinado conforme a celebração:

Mitra simples: não possui nenhum ornato, sendo inteiramente branca (exceto a mitra simples do Papa, que possui leves contornos em dourado). É utilizada na Quarta-feira de Cinzas, na Celebração da Paixão do Senhor, na Comemoração dos Fieis Defuntos, no rito da Inscrição do Nome dos Catecúmenos, nas celebrações penitenciais e nas exéquias (inclusive nas do próprio bispo, que é sepultado com a mitra simples).

Papa Francisco com a mitra simples na Celebração da Paixão (2014)
Mitra ornada: possui algum ornamento, geralmente um titulus (galão na forma de um “T” invertido), que pode ser da cor litúrgica ou não. É utilizada em todas as celebrações em que não se pede expressamente a mitra simples.

Papa Francisco com mitra ornada no Domingo de Páscoa (2014)
Há um costume que nas concelebrações apenas o celebrante principal use a mitra ornada e todos os demais usem a mitra simples. Isto é observado principalmente nas celebrações presididas pelo Papa, nas quais os bispos devem usar mitra simples.

Nestas celebrações, há também o costume de os Cardeais usarem um tipo específico de mitra, a “damascata”, também chamada de “mitra pinha”. Esta possui os contornos de uma pinha, simbolizando a união dos Cardeais em torno do Romano Pontífice.

Cardeais Diáconos com a mitra pinha (2008)
O Bispo usa a mitra apenas dentro das celebrações litúrgicas, ao menos nas mais solenes, podendo dispensá-la nas celebrações mais simples. Geralmente o Bispo a usa nos seguintes momentos (cf. Cerimonial dos Bispos, n. 60):
  • Nas procissões (exceto quando se leva o Santíssimo Sacramento ou relíquias da Cruz);
  • Quando está sentado;
  • Para fazer a homilia;
  • Para dar a bênção;
  • Nos gestos sacramentais (infusão da água no Batismo, imposição das mãos nas Ordenações, etc);
  • Para as monições ou avisos.

O Bispo NÃO usa a mitra:
  • Diante do Santíssimo Sacramento exposto;
  • Durante as orações (Ritos iniciais, Preces, Oração Eucarística, etc);
  • Durante o Evangelho;
  • Durante os hinos e cânticos evangélicos da Liturgia das Horas.

Para tornar claro como se dá o uso da Mitra, o Cerimonial remete às rubricas específicas das diversas celebrações. Buscaremos tratar deste assunto em postagens futuras sobre as celebrações presididas pelo Bispo.

Como fora dito anteriormente, a mitra é entregue ao Bispo em sua Ordenação, sendo-lhe imposta na cabeça pelo Ordenante principal, logo após a entrega do anel. Nas demais celebrações, é costume que a mitra lhe seja imposta ou retirada pelo cerimoniário (em uma concelebração, tal gesto destina-se apenas ao celebrante principal).

Cerimoniário impõe a mitra no Papa Francisco

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Fotos da Festa da Dormição de Maria na Rússia

No último dia 28 de agosto, Sua Beatitude Kirill, Patriarca de Moscou e Primaz da Igreja Ortodoxa Russa, celebrou os ofícios litúrgicos da Festa da Dormição de Maria segundo o Rito Bizantino em Moscou.

Primeiramente celebrou a Divina Liturgia na Catedral da Assunção de Nossa Senhora. No fim da tarde, celebrou as Matinas na Catedral Patriarcal do Cristo Salvador, com a solene procissão com o ícone da Festa.

Apesar da Igreja Ortodoxa Russa não estar em comunhão com Roma, queremos com esta postagem destacar o grande zelo litúrgico que os ortodoxos russos conservam, enquanto rezamos por sua volta à plena comunhão!

Divina Liturgia:

Ícone da Dormição
Patriarca abençoa os fieis



IV Catequese do Papa sobre a Igreja

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Prezados irmãos e irmãs, bom dia
Cada vez que renovamos a nossa profissão de fé, recitando o «Credo», afirmamos que a Igreja é «una» e «santa». É una, porque tem a sua origem em Deus Trindade, mistério de unidade e de comunhão completas. Além disso, a Igreja é santa, porque está fundada em Jesus Cristo, animada pelo seu Espírito Santo, cheia do seu amor e da sua salvação. Mas ao mesmo tempo, é santa e composta de pecadores, todos nós, pecadores, que fazemos a experiência diária das nossas fragilidades e misérias. Então, esta fé que professamos impele-nos à conversão, a ter a coragem de viver quotidianamente a unidade e a santidade, e se não vivemos unidos, se não somos santos, é porque não somos fiéis a Jesus. Mas Ele, Jesus, não nos deixa sós, não abandona a sua Igreja! Ele caminha ao nosso lado, Ele compreende-nos. Entende as nossas debilidades e os nossos pecados, e perdoa-nos todas as vezes que nos deixamos perdoar. Está sempre ao nosso lado, ajudando-nos a ser menos pecadores e mais santos, mais unidos.
O primeiro conforto vem-nos da constatação que Jesus rezou muito pela unidade dos discípulos. Trata-se da prece da última Ceia, na qual Jesus pediu insistentemente: «Pai, que eles sejam um só». Rezou pela unidade, e fê-lo precisamente na iminência da Paixão, quando estava prestes a oferecer a sua vida inteira por nós. É o que somos convidados a reler e meditar continuamente, numa das páginas mais intensas e comovedoras do Evangelho de João, o capítulo 17 (cf. vv. 11. 21-23). Como é bom saber que o Senhor, um pouco antes de morrer, não se preocupou consigo mesmo, mas pensou em nós! E no seu diálogo intenso com o Pai, orou precisamente para que pudéssemos ser um só com Ele e entre nós. Eis: com estas palavras, Jesus fez-se nosso intercessor junto do Pai, a fim de que também nós pudéssemos entrar na plena comunhão de amor com Ele; ao mesmo tempo, confia-as a nós como seu testamento espiritual, para que a unidade possa tornar-se cada vez mas a nota distintiva das nossas comunidades cristãs e a resposta mais bonita a quem quer que pergunte a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15).
«Para que todos sejam um só, assim como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). A Igreja procurou desde o início realizar este propósito, que está a peito de Jesus. Os Actos dos Apóstolos recordam-nos que os primeiros cristãos se distinguiam pelo facto de terem «um só coração e uma só alma» (Act 4, 32); além disso, o apóstolo Paulo exortava as suas comunidades a não se esquecerem de que constituem «um só corpo» (1 Cor 12, 13). No entanto, a experiência revela-nos que se cometem muitos pecados contra a unidade. E não pensemos unicamente nos cismas, mas também nas faltas muito comuns cometidas nas nossas comunidades, nos pecados «paroquiais», nos pecados que se cometem nas paróquias. Com efeito, às vezes as nossas paróquias, chamadas a ser lugares de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por invejas, ciúmes, antipatias... E as bisbilhotices estão ao alcance de todos. Quantas intrigas há nas paróquias! Isto não é bom. Por exemplo, quando alguém é eleito presidente de uma associação, tagarela-se contra ele. E se uma outra pessoa é eleita presidente da catequese, as outras mexericam contra ela. Mas esta não é a Igreja! Isto não se deve fazer, não devemos agir assim! É necessário pedir ao Senhor a graça de não agir deste modo. Isto acontece quando aspiramos aos primeiros lugares; quando nos pomos a nós mesmos no centro, com as nossas ambições pessoais e com os nossos modos de ver a realidade, quando julgamos o próximo; quando observamos os defeitos dos irmãos, e não as suas qualidades; quando atribuímos maior importância ao que nos divide, do que àquilo que nos irmana...
Certa vez, na minha Diocese precedente, ouvi um comentário interessante e bonito. Falava-se de uma idosa que, durante a sua vida inteira, tinha trabalhado na paróquia; uma pessoa que a conhecia bem disse: «Esta mulher nunca falou mal de ninguém, nunca bisbilhotou e sorria sempre». Uma mulher como esta pode ser canonizada amanhã! Trata-se de um bonito exemplo. E quando vemos a história da Igreja, quantas divisões houve entre nós, cristãos! Até hoje vivemos divididos. Inclusive na história nós cristãos fizemos guerras entre nós por causa de divisões teológicas. Pensemos na guerra dos trinta anos. Mas isto não é cristão! Temos que trabalhar também em prol da unidade de todos os cristãos, caminhar ao longo da senda da unidade, da vereda que Jesus quer e pela qual rezou.
Diante de tudo isto, devemos fazer um sério exame de consciência. Numa comunidade cristã, a divisão é um dos pecados mais graves, porque a torna sinal não da obra de Deus, mas do Diabo, o qual é por definição aquele que separa, que arruína os relacionamentos, que insinua preconceitos... A divisão numa comunidade cristã, quer se trate de uma escola, de uma paróquia ou de uma agremiação, constitui um pecado gravíssimo, porque é obra do Diabo. Deus, ao contrário, quer que cresçamos na capacidade de nos aceitarmos, de perdoarmos e de nos amarmos uns aos outros, para nos assemelharmos cada vez mais Àquele que é comunhão e caridade. Eis no que consiste a santidade da Igreja: em reconhecer-se à imagem de Deus, repleta da sua misericórdia e graça.
Caros amigos, deixemos ressoar no nosso coração estas palavras de Jesus: «Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!» (Mt 5, 9). Peçamos sinceramente perdão por todas as vezes que constituímos ocasião de divisão ou de incompreensão no seio das nossas comunidades, conscientes de que não chegaremos à comunhão, a não ser através de uma conversão contínua. Em que consiste a conversão? Consiste em pedir ao Senhor a graça de não bisbilhotar, de não criticar, de não fazer mexericos, de amar a todos. É uma graça que o Senhor nos concede. É nisto que consiste a conversão do coração. E peçamos que o tecido diário dos nossos relacionamentos possa tornar-se um reflexo cada vez mais bonito e alegre da relação entre Jesus e o Pai.

Papa Francisco e Patriarca Bartolomeu: rezemos pela unidade da Igreja!!!

Fonte: Santa Sé

domingo, 31 de agosto de 2014

A cruz peitoral

A segunda insígnia episcopal é a cruz peitoral, uma cruz de metal, com a imagem do Crucificado ou não, munida de cordão que o Bispo usa sempre ao pescoço.


O sentido da cruz peitoral é recordar que, aonde o Bispo for ele é representante de Jesus Cristo. Da mesma forma, a cruz recorda ao Bispo sua missão de anunciar o mistério da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, nela representado.

É muito difícil precisar quando a cruz tornou-se uma insígnia episcopal. Sabe-se que desde o século IV os cristãos levavam ao pescoço pequenos relicários em formato de cruz contendo trechos do Evangelho, relíquias de mártires ou mesmo relíquias da Santa Cruz. Com o tempo, esta insígnia foi passando a ser de uso exclusivo dos bispos.

Papa Francisco com sua característica cruz peitoral
O uso da cruz pelo Bispo nas celebrações litúrgicas é assim determinado pelo Cerimonial: “A cruz peitoral usa-se por baixo da casula ou da dalmática, ou por baixo do pluvial, mas por cima da mozeta” (Cerimonial dos Bispos, n. 61). Ou seja, na Missa, o Bispo usa a cruz por baixo da casula; se usa também a dalmática, por baixo desta; em celebrações solenes fora da Missa, por baixo do pluvial; e quando usa suas vestes corais, sobre a mozeta.

Sobre a questão do uso da cruz sob a casula, vemos que a prática mais comum é a contrária: a grande maioria dos Bispos usa a cruz por cima da casula. Por isso, em 16 de julho de 1997, a Congregação para o Culto Divino emitiu uma nota permitindo aos Bispos que usem a cruz tanto por baixo quanto por cima da casula. Para ler a nota, clique aqui.

Bispos com a cruz sobre a casula, como foi permitido pela Santa Sé
Quando se usa a cruz com as vestes corais, o Cerimonial dos Bispos prescreve o uso de um cordão verde com dourado para os Bispos (n. 1199) e vermelho e dourado para os Cardeais (n. 1205). O Papa, se o desejar, pode usar um cordão inteiramente dourado. O uso deste cordão, porém, só é obrigatório com as vestes corais: sem elas, pode-se usar um cordão mais simples.

A cruz é a única insígnia que não é entregue ao Bispo durante o rito de sua Ordenação. Ele a reveste antes da Missa, sob a casula.

Bispo e Cardeal  em vestes corais (notam-se os cordões)