quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fotos da Beatificação dos Mártires Coreanos

No último dia 16 de agosto, Sua Santidade o Papa Francisco celebrou a Santa Missa para a Beatificação dos Mártires Coreanos Paul Yun Ji-Chung e seus 123 companheiros junto à Porta de Gwanghwamun em Seoul. Foi a segunda Missa celebrada pelo Papa em sua viagem à Coreia.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e John Richard Cihak. No Missal para a Viagem Apostólica, esta celebração é descrita a partir da página 49.


Ruas de Seoul repletas de fieis
Procissão de entrada

Incensação

Homilia do Papa na Beatificação dos Mártires Coreanos

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO À REPÚBLICA DA COREIA POR OCASIÃO DA VI JORNADA DA JUVENTUDE ASIÁTICA 
(13-18 DE AGOSTO DE 2014)

SANTA MISSA DE BEATIFICAÇÃO
DE PAUL YUN JI-CHUNG E 123 COMPANHEIROS MÁRTIRES
HOMILIA DO SANTO PADRE
Porta de Gwanghwamun (Seul)
Sábado, 16 de Agosto de 2014

«Quem nos separará do amor de Cristo?» (Rm 8, 35). Com estas palavras, São Paulo fala-nos da glória da nossa fé em Jesus: Cristo não só ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu, mas uniu-nos a Si mesmo, tornando-nos participantes da sua vida eterna. Cristo é vitorioso e a sua vitória é nossa!
Hoje celebramos esta vitória em Paulo Yun Ji-chung e nos seus 123 companheiros. Os seus nomes vêm juntar-se aos dos Santos Mártires André Kim Taegon, Paulo Chong Hasang e companheiros, aos quais pouco antes prestei homenagem. Todos viveram e morreram por Cristo e agora reinam com Ele na alegria e na glória. Com São Paulo, dizem-nos que Deus, na morte e ressurreição de seu Filho, nos deu a maior de todas as vitórias. De facto, «nem a morte, nem a vida, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rm 8, 38-39).
A vitória dos mártires, o testemunho por eles prestado à força do amor de Deus, continua ainda hoje a dar frutos na Coreia, na Igreja que recebe incentivo do seu sacrifício. A celebração do Beato Paulo e dos seus companheiros dá-nos oportunidade de voltar aos primeiros momentos, aos alvores da Igreja na Coreia. Convido-vos, católicos coreanos, a lembrar as grandes coisas que Deus realizou nesta terra e a guardar, como um tesouro, o legado de fé e caridade que vos foi confiado pelos vossos antepassados.
Na providência misteriosa de Deus, a fé cristã não chegou às costas da Coreia por intermédio de missionários; mas entrou através dos corações e das mentes do próprio povo coreano. Este foi estimulado à fé pela curiosidade intelectual, pela busca da verdade religiosa. Foi através dum encontro inicial com o Evangelho que os primeiros cristãos coreanos abriram as suas mentes a Jesus. Queriam saber mais sobre este Cristo que sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos; e este aprender algo sobre Jesus bem depressa levou a um encontro com o próprio Senhor, aos primeiros baptismos, ao desejo duma vida sacramental e eclesial plena e aos inícios dum compromisso missionário. Além disso, frutificou em comunidades que se inspiravam na Igreja primitiva, onde os fiéis formavam verdadeiramente um só coração e uma só alma, sem olhar às diferenças sociais tradicionais, e possuíam tudo em comum (cf. Act 4, 32).
Esta história é muito elucidativa sobre a importância, a dignidade e a beleza da vocação dos leigos. Dirijo a minha saudação a tantos fiéis leigos aqui presentes, especialmente às famílias cristãs que diariamente, com o seu exemplo, educam os jovens para a fé e o amor reconciliador de Cristo. De modo especial, saúdo os inúmeros sacerdotes aqui presentes: através do seu ministério generoso, transmitem o rico património de fé cultivado pelas passadas gerações de católicos coreanos.
O Evangelho de hoje contém uma mensagem importante para todos nós. Jesus pede ao Pai que nos consagre na verdade e nos guarde do mundo. Antes de mais nada, é significativo que Jesus, ao pedir ao Pai que nos consagre e guarde, não Lhe pede para nos tirar do mundo. Sabemos que envia os seus discípulos para serem fermento de santidade e verdade no mundo: o sal da terra e a luz do mundo. Nisto, os mártires mostram-nos o caminho.
Algum tempo depois que as primeiras sementes de fé foram lançadas nesta terra, os mártires e a comunidade cristã tiveram que escolher entre seguir Jesus ou o mundo. Tinham escutado a advertência do Senhor, ou seja, que o mundo os odiaria por causa d’Ele (cf. Jo 17, 14); sabiam qual era o preço de ser discípulo. Para muitos, isso significou a perseguição e, mais tarde, a fuga para as montanhas, onde formaram aldeias católicas. Estavam dispostos a grandes sacrifícios e a deixar-se despojar de tudo o que pudesse afastá-los de Cristo: os bens e a terra, o prestígio e a honra, porque sabiam que somente Cristo era o seu verdadeiro tesouro.
Hoje, muitas vezes, experimentamos que a nossa fé é posta à prova pelo mundo, sendo-nos pedido de muitíssimas maneiras para condescender no referente à fé, diluir as exigências radicais do Evangelho e conformar-nos com o espírito do tempo. Mas os mártires chamam-nos a colocar Cristo acima de tudo, considerando todas as demais coisas neste mundo em relação a Ele e ao seu Reino eterno. Os mártires levam-nos a perguntar se há algo pelo qual estamos dispostos a morrer.
Além disso, o exemplo dos mártires ensina-nos a importância da caridade na vida de fé. Foi a pureza do seu testemunho de Cristo, manifestada na aceitação da igual dignidade de todos os baptizados, que os levou a uma forma de vida fraterna que desafiava as rígidas estruturas sociais do seu tempo. Foi a sua recusa de separar o duplo mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo que os levou a tão grande solicitude pelas necessidades dos irmãos. O seu exemplo tem muito a dizer a nós que vivemos numa sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, cresce silenciosamente a pobreza mais abjecta; onde raramente se escuta o grito dos pobres; e onde Cristo continua a chamar, pedindo-nos que O amemos e sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados.
Se seguirmos o exemplo dos mártires e acreditarmos na palavra do Senhor, então compreenderemos a sublime liberdade e a alegria com que eles foram ao encontro da morte. Além disso, veremos que a celebração de hoje abraça os inúmeros mártires anónimos, neste país e no resto do mundo, que, especialmente no século passado, ofereceram a sua própria vida por Cristo ou sofreram duras perseguições por causa do seu nome.
Hoje é um dia de grande alegria para todos os coreanos. O legado do Beato Paulo Yun Ji-chung e dos seus Companheiros – a sua rectidão na busca da verdade, a sua fidelidade aos supremos princípios da religião que tinham escolhido abraçar, bem como o seu testemunho de caridade e solidariedade para com todos – tudo isso faz parte da rica história do povo coreano. O legado dos mártires pode inspirar todos os homens e mulheres de boa vontade a trabalharem harmoniosamente por uma sociedade mais justa, livre e reconciliada, contribuindo assim para a paz e a defesa dos valores autenticamente humanos neste país e no mundo inteiro.
Possam as orações de todos os mártires coreanos, em união com as de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, obter-nos a graça de perseverar na fé e em toda a boa obra, na santidade e pureza de coração e no zelo apostólico de testemunhar Jesus nesta amada Nação, em toda a Ásia e até aos confins da terra. Amen.



Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fotos da Missa do Papa na Solenidade da Assunção

No último dia 15 de agosto, Sua Santidade o Papa Francisco celebrou a Santa Missa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora no World Cup Stadium de Daejeon, Coreia do Sul. Foi a primeira Missa celebrada pelo Papa em sua viagem à Coreia.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e John Richard Cihak. No Missal para a Viagem Apostólica, esta celebração é descrita a partir da página 07.

Imagem de Nossa Senhora tipicamente coreana
Fieis aguardam o início da celebração
Procissão de entrada


Homilia do Papa na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO À REPÚBLICA DA COREIA POR OCASIÃO DA VI JORNADA DA JUVENTUDE ASIÁTICA 
(13-18 DE AGOSTO DE 2014)

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
HOMILIA DO SANTO PADRE
World Cup Stadium (Daejeon)
Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Em união com toda a Igreja, celebramos a Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma, à glória do Paraíso. A Assunção de Maria mostra-nos o nosso destino como filhos adoptivos de Deus e membros do Corpo de Cristo: como Maria, nossa Mãe, somos chamados a participar plenamente na vitória do Senhor sobre o pecado e a morte e a reinar com Ele no seu Reino eterno. Esta é a nossa vocação.
O «grande sinal» apresentado na primeira leitura convida-nos a contemplar Maria, entronizada na glória junto do seu divino Filho. Convida-nos ainda a tomar consciência do futuro que, já desde agora, abre diante de nós o Senhor Ressuscitado. Tradicionalmente, os coreanos celebram esta festa à luz da sua experiência histórica, reconhecendo a amorosa intercessão de Maria operante na história da nação e na vida do povo.
Na segunda leitura de hoje, ouvimos São Paulo afirmar que Cristo é o novo Adão, cuja obediência à vontade do Pai derrubou o reino do pecado e da escravidão e inaugurou o reino da vida e da liberdade (cf. 1 Cor 15, 24-25). A verdadeira liberdade encontra-se no amoroso acolhimento da vontade do Pai. De Maria, cheia de graça, aprendemos que a liberdade cristã é algo mais do que a mera libertação do pecado; é a liberdade que abre para um novo modo espiritual de considerar as realidades terrenas, a liberdade de amar a Deus e aos nossos irmãos e irmãs com um coração puro e viver na jubilosa esperança da vinda do Reino de Cristo.
Hoje, ao venerar Maria, Rainha do Céu, dirigimo-nos a Ela como Mãe da Igreja na Coreia para Lhe pedir que nos ajude a ser fiéis à liberdade régia que recebemos no dia do Baptismo; que guie os nossos esforços por transformar o mundo segundo o plano de Deus; e que torne a Igreja neste país capaz de ser, de uma forma mais plena, fermento do Reino de Deus na sociedade coreana. Possam os cristãos desta nação ser uma força generosa de renovação espiritual em todas as esferas da sociedade; combatam o fascínio do materialismo que sufoca os autênticos valores espirituais e culturais e também o espírito de desenfreada competição que gera egoísmo e conflitos; rejeitem modelos económicos desumanos que criam novas formas de pobreza e marginalizam os trabalhadores, bem como a cultura da morte que desvaloriza a imagem de Deus, o Deus da vida, e viola a dignidade de cada homem, mulher e criança.
Como católicos coreanos, herdeiros duma nobre tradição, sois chamados a valorizar esta herança e a transmiti-la às gerações futuras. Isto implica para cada um a necessidade duma renovada conversão à Palavra de Deus e uma intensa solicitude pelos pobres, os necessitados e os fracos que vivem no meio de nós.
Ao celebrar esta festa, unimo-nos a toda a Igreja espalhada pelo mundo e olhamos para Maria como Mãe da nossa esperança. O seu cântico de louvor lembra-nos que Deus nunca esquece as suas promessas de misericórdia (cf. Lc 1, 54-55). Maria é a cheia de graça, porque «acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe dissera» (Lc 1, 45). N’Ela, todas as promessas divinas se demonstraram verdadeiras. Entronizada na glória, mostra-nos que a nossa esperança é real e que, já desde agora, esta esperança se estende, «como uma âncora segura e firme para as nossas vidas» (Heb 6, 19), até onde Cristo está sentado na glória.
Amados irmãos e irmãs, esta esperança – a esperança oferecida pelo Evangelho – é o antídoto contra o espírito de desespero que parece crescer como um câncer no meio da sociedade, que exteriormente é rica e todavia muitas vezes experimenta amargura interior e vazio. A quantos dos nossos jovens não fez pagar o seu tributo um tal desespero! Que os jovens, que nestes dias se reúnem ao nosso redor com a sua alegria e confiança, nunca lhes vejam roubada a esperança!
Dirijamo-nos a Maria, Mãe de Deus, e imploremos a graça de viver alegres na liberdade dos filhos de Deus, usar sabiamente esta liberdade para servirmos os nossos irmãos e irmãs, e viver e actuar de tal modo que sejamos sinais de esperança, aquela esperança que encontrará a sua realização no Reino eterno, onde reinar é servir. Amen.


Fonte: Santa Sé 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A viagem do Papa Francisco à Coreia do Sul

De 13 a 18 de agosto, Sua Santidade o Papa Francisco realizou sua terceira Viagem Apostólica fora da Itália, com destino à Coreia do Sul, por ocasião da VI Jornada da Juventude Asiática.


O último Papa a visitar a Coreia do Sul foi São João Paulo II, de 07 a 09 de outubro de 1989.

O Santo Padre saiu de Roma na tarde do dia 13, chegando à capital, Seoul, na manhã do dia 14 (lembrando que há uma diferença de sete horas entre os dois fusos horários). O dia 14 foi dedicado aos encontros com autoridades civis e com os Bispos.

Papa com os Bispos coreanos (14.08.2014)
No dia 15, Solenidade da Assunção da Virgem Maria, o Papa celebrou a Santa Missa em Daejeon e encontrou-se com os jovens.

No dia 16, o Papa presidiu a Missa para a Beatificação de 124 mártires coreanos em Seoul. Encontrou-se neste dia com os religiosos e os leigos.

No dia 17, houve um encontro com os Bispos de toda a Ásia e a Missa de Conclusão da VI Jornada da Juventude Asiática.

Por fim, no dia 18, o Santo Padre encontrou-se com líderes religiosos e celebrou uma Missa pela Paz e Reconciliação na Catedral de Seoul.

Papa com líderes religiosos (18.08.2014)

Alguns dados da Igreja na Coreia do Sul, publicados pela Santa Sé:

Número de católicos: 5.393 (10,7% da população);
Dioceses: 16
Paróquias: 1.673

Bispos: 35
Sacerdotes: 4.261 (3.606 diocesanos e 655 religiosos)
Diáconos permanentes: 10
Religiosos (as): 9.562
Seminaristas: 1.884 (1.489 maiores e 395 menores)

Escolas e universidades católicas: 328
Hospitais: 53
Asilos e orfanatos: 790
Outros centros caritativos: 332

Nos próximos dias, publicaremos as homilias e fotos das celebrações litúrgicas presididas pelo Papa na Coreia do Sul...
Papa ganha flores de uma menina coreana

III Catequese do Papa sobre a Igreja

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nas catequeses precedentes vimos que a Igreja constitui um povo, um povo preparado com paciência e amor por Deus e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje, gostaria de pôr em evidência a novidade que caracteriza este povo: trata-se verdadeiramente de um novo povo, que se fundamenta na nova aliança, estipulada pelo Senhor Jesus mediante o dom da sua própria vida. Esta novidade não nega o caminho precedente, nem se lhe opõe mas, ao contrário, leva-o em frente, completa-o.
Existe uma figura muito significativa, que serve de elo de união entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Baptista. Para os Evangelhos sinópticos, ele é o «precursor», aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo para a conversão do coração e para o acolhimento da consolação de Deus, já próxima. Segundo o Evangelho de João, é a «testemunha», enquanto nos faz reconhecer em Jesus Aquele que vem do Alto, para perdoar os nossos pecados e para fazer do seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como «precursor» e «testemunha», João Baptista desempenha um papel central no contexto da Escritura inteira, enquanto serve de ponte entre a promessa do Antigo Testamento e o seu cumprimento, entre as profecias e a sua realização em Jesus Cristo. Com o seu testemunho, João indica-nos Jesus, convida-nos a segui-lo e diz-nos sem meios-termos que isto exige humildade, arrependimento e conversão: trata-se de um convite à humildade, ao arrependimento e à conversão.
Do mesmo modo como Moisés tinha estipulado a aliança com Deus, em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, de uma colina à margem do lago da Galileia, confia aos seus discípulos e à multidão um ensinamento novo, que começa com as Bem-Aventuranças. Moisés transmite a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, comunica a Lei naquele monte, à margem do lago da Galileia. As Bem-Aventuranças são o caminho que Deus indica como resposta ao desejo de felicidade, ínsito no homem, e aperfeiçoam os mandamentos da Antiga Aliança. Nós estamos habituados a aprender os dez mandamentos — sem dúvida, todos vós os sabeis, já os aprendestes na catequese — mas não estamos acostumados a repetir as Bem-Aventuranças. Então, procuremos recordá-las e gravá-las no nosso coração. Façamos algo: eu vou dizê-las uma após a outra, e vós deveis repeti-las. Concordais?
Primeira: «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» [Todos repetem]
«Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus». [Todos repetem]
«Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus». [Todos repetem]
«Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim». Ajudo-vos: [repete com o povo] «Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim».
«Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus». [Todos repetem]
Muito bem! Mas façamos algo mais: dou-vos um dever de casa, uma tarefa para fazer em casa. Pegai no Evangelho, aquele que tendes convosco... Recordai que deveis ter sempre convosco um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, sempre; aquele que tendes em casa. Pegai no Evangelho e, vede que nos primeiros capítulos de Mateus - acho que no capítulo 5 - se encontram as Bem-Aventuranças. E hoje, ou amanhã, lede-as em casa. Fá-lo-eis? [Todos: Sim!] Para não as esquecer, porque se trata da Lei que Jesus nos concede! Fá-lo-eis? Obrigado!
Nestas palavras encontra-se toda a novidade trazida por Cristo; toda a novidade de Cristo está nestas palavras. Com efeito, as Bem-Aventuranças são o retrato de Jesus, a sua forma de vida; e constituem o caminho da verdadeira felicidade, que também nós podemos percorrer com a graça que Jesus nos concede.
Além da nova Lei, Jesus confia-nos inclusive o «protocolo», de acordo com o qual seremos julgados. No fim do mundo nós seremos julgados. E quais serão as perguntas que nos farão lá? Quais serão as interrogações? Qual é o protocolo segundo o qual o Juiz nos julgará? É aquele que encontramos no capítulo 25 do Evangelho de Mateus. Hoje, tendes a tarefa de ler o capítulo 5 do Evangelho de Mateus, onde se encontram as Bem-Aventuranças; e lereis também o capítulo 25, onde está o protocolo, onde estão as perguntas que nos dirigirão no dia do Juízo. Não teremos títulos, créditos ou privilégios para aduzir. O Senhor reconhecer-nos-á se, por nossa vez, O tivermos reconhecido no pobre, no faminto, no indigente, no marginalizado, nos que sofrem, em quem está sozinho... Este é um dos critérios fundamentais de averiguação da nossa vida cristã, com o qual Jesus nos convida a confrontar-nos cada dia. Leio as Bem-Aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço o exame de consciência com este capítulo 25 de Mateus. Cada dia: fiz isso, fiz aquilo... Isto far-nos-á bem! São gestos simples, mas concretos.
Caros amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-nos, em Cristo, contemplados pela misericórdia e pela compaixão de Deus. É isto que enche o nosso coração de alegria, e é isto que faz da nossa vida um testemunho bonito e credível do amor de Deus por todos os irmãos que encontramos todos os dias. Recordai-vos dos vossos deveres! Capítulo 5 de Mateus, e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!

Jesus proclama as Bem-aventuranças
Fonte: Santa Sé

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Discurso do Papa aos coroinhas e acólitos alemães

No último dia 05 de agosto, Sua Santidade o Papa Francisco encontrou-se na Praça São Pedro com cerca de 50 mil ministrantes, isto é, coroinhas e acólitos alemães.
Foram recitadas as Vésperas, durante as quais o Papa proferiu breve homilia em alemão. Em seguida, quatro acólitos fizeram perguntas ao Santo Padre, às quais ele respondeu com um discurso, em italiano.

ENCONTRO DO PAPA FRANCISCO COM OS MINISTRANTES ALEMÃES
Praça de São Pedro
Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

HOMILIA DO SANTO PADRE DURANTE A CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS
As palavras de são Paulo que há pouco ouvimos, tiradas da Carta aos Gálatas, chamam a nossa atenção. O tempo completou-se, diz Paulo. Agora, Deus leva a cabo a sua obra decisiva. Aquilo que, desde sempre, Ele queria dizer aos homens - e fê-lo através das palavras dos profetas - agora manifesta-o com um sinal evidente. Deus demonstra-nos que Ele é o Pai bom. E como faz isto? Como o faz? Fá-lo mediante a encarnação do seu Filho, que se torna como um de nós. Através deste Homem concreto, chamado Jesus, podemos compreender a verdadeira intenção de Deus. Ele quer pessoas humanas livres, porque se sentem sempre protegidas como filhos de um Pai bom.
Para realizar este desígnio, Deus só precisa de uma pessoa humana. Tem necessidade de uma mulher, de uma mãe, que dê à luz o Filho. Ela é a Virgem Maria, que honramos mediante esta celebração vespertina. Maria era totalmente livre. Na sua liberdade, Ela disse «sim». E realizou o bem para sempre. Foi assim que serviu Deus e os homens. Imitemos o seu exemplo, se quisermos saber o que Deus espera de nós, que somos os seus filhos.

DISCURSO DO SANTO PADRE
Vielen Dank für Ihren Besuch! (Muito obrigado pela vossa visita!)
Gostaria de vos oferecer algumas sugestões de reflexão, tendo presentes as perguntas que me foram dirigidas por estes quatro vossos representantes...
Vós interrogais-vos sobre o que podeis fazer para ser mais protagonistas na Igreja e o que a comunidade cristã espera dos ministrantes. Antes de tudo, recordemos que o mundo precisa de pessoas que testemunhem aos outros que Deus nos ama, que Ele é o nosso Pai. Na sociedade, todos os indivíduos têm a tarefa de se pôr ao serviço do bem comum, oferecendo o que é necessário para a sua existência: a comida, a roupa, os cuidados médicos, a educação, a informação, a justiça... Nós, discípulos do Senhor, temos uma missão a mais: ser «canais» que veiculam o amor de Jesus. E nesta missão vós, adolescentes e jovens, desempenhais um papel especial: sois chamados a falar de Jesus aos vossos coetâneos, não apenas no seio da comunidade paroquial ou da vossa associação, mas principalmente fora dela. Trata-se de um compromisso reservado especialmente a vós, pois mediante a vossa coragem, o vosso entusiasmo, a vossa espontaneidade e a vossa facilidade de encontro, podeis chegar mais facilmente à mente e ao coração de quantos se afastaram do Senhor. Muitos adolescentes e jovens da vossa idade têm imensa necessidade de alguém que, com a própria vida, lhes diga que Jesus nos conhece, que Jesus nos ama, que Jesus nos perdoa, que Ele compartilha connosco as nossas dificuldades e que Ele nos sustém com a sua graça.
No entanto, para falar de Jesus aos outros é necessário conhecê-lo e amá-lo, fazer a experiência dele na oração, na escuta da sua palavra. Nisto vós sois facilitados pelo vosso serviço litúrgico, que vos permite estar próximos de Jesus Palavra e Pão de vida. Dou-vos um conselho: o Evangelho que escutais na liturgia, voltai a lê-lo pessoalmente, em silêncio, e aplicai-o à vossa própria vida; e, com o amor de Cristo, recebido na sagrada Comunhão, podereis pô-lo em prática. O Senhor chama cada um de vós a trabalhar no seu campo; chama-vos a ser protagonistas alegres na sua Igreja, prontos para comunicar aos vossos amigos aquilo que Ele mesmo vos comunicou, de maneira especial a sua misericórdia.
Compreendo as dificuldades que tendes de conciliar o compromisso de ministrantes com as vossas várias actividades, necessárias para o vosso crescimento humano e cultural. É necessário organizar-se um pouco, programando tudo de forma equilibrada... mas vós sois alemães, e conseguis fazê-lo bem! A nossa vida é feita de tempo, e o tempo é um dom de Deus; por conseguinte, é necessário dedicá-lo a obras boas e fecundas. Talvez muitos adolescentes e jovens percam demasiadas horas em actividades fúteis: o chat na internet ou com os telemóveis, as «telenovelas», os produtos do progresso tecnológico, que deveriam simplificar e melhorar a qualidade de vida e, por vezes, desviam a atenção daquilo que é realmente importante. Entre as numerosas ocupações que temos na rotina quotidiana, uma das prioridades deveria consistir em recordar-nos do nosso Criador que nos permite viver, que nos ama e que nos acompanha ao longo do nosso caminho.
Precisamente porque Deus nos criou à sua imagem, dele recebemos também aquela dádiva que é a liberdade. Contudo, se não for bem exercitada, a liberdade pode afastar-nos de Deus, pode fazer-nos perder a dignidade com a qual Ele nos revestiu. Por isso, são necessárias orientações, indicações e inclusive regras, tanto na sociedade como na Igreja, para nos ajudar a cumprir a vontade de Deus, vivendo deste modo em conformidade com a nossa dignidade de homens e de filhos de Deus. Quando não é plasmada pelo Evangelho, a liberdade pode transformar-se em escravidão: a escravidão do pecado. Afastando-se da vontade divina, os nossos antepassados Adão e Eva caíram no pecado, ou seja, no mau uso da liberdade. Caros jovens, caras jovens, não façais mau uso da vossa liberdade! Não desperdiceis a grande dignidade de filhos de Deus que vos foi conferida! Se seguirdes Jesus e o seu Evangelho, a vossa liberdade desabrochará como uma planta em flor, e dará frutos bons e abundantes! Encontrareis a alegria autêntica, porque Ele nos quer homens e mulheres plenamente felizes e realizados. Só cumprindo a vontade de Deus conseguiremos realizar o bem e ser luz do mundo e sal da terra! A Virgem Maria, que se reconheceu como «a serva do Senhor» (Lc 1, 38), seja o vosso modelo no serviço a Deus; que Ela, nossa Mãe, vos ajude a ser, na Igreja e na sociedade, protagonistas do bem e pacificadores, adolescentes e jovens repletos de esperança e de coragem!


Fonte: Santa Sé