sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Homilia da Canonização de São Maximiliano Maria Kolbe

Rito de Canonização de São Maximiliano Maria Kolbe
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de outubro de 1982

1. "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (Jo 15,13).
A partir de hoje a Igreja deseja chamar "Santo" um homem a quem foi concedido realizar de maneira absolutamente literal as referidas palavras do Redentor.
De fato, no final de julho de 1941, quando por ordem do chefe do campo foram colocados em fila os prisioneiros destinados a morrer de fome, este homem, Maximiliano Maria Kolbe, apresentou-se espontaneamente, declarando-se pronto a morrer em substituição a um deles. Esta disponibilidade foi acolhida, e ao Padre Maximiliano, após mais de duas semanas de tormentos por causa da fome, foi enfim tirada a vida com uma injeção mortal, a 14 de agosto de 1941.
Tudo isto ocorreu no Campo de Concentração de Auschwitz, onde foram levadas à morte durante a última guerra cerca de quatro milhões de pessoas, entre as quais também a Serva de Deus Edith Stein (a carmelita Irmã Teresa Benedita da Cruz), cuja causa de Beatificação está em andamento junto da competente Congregação [1]. A desobediência a Deus, Criador da vida, que disse "não matarás", causou nesse lugar o imenso morticínio de tantos inocentes Contemporaneamente, então, a nossa época permaneceu assinalada de maneira tão horrível pelo extermínio do homem inocente.
2. Padre Maximiliano Kolbe, sendo também ele um prisioneiro do Campo de Concentração, reivindicou, em lugar da morte, o direito à vida de um homem inocente, um dos quatro milhões. Este homem, Franciszek Gajowniczek, vive ainda e está presente entre nós. Padre Kolbe reivindicou em favor dele o direito à vida, ao declarar a disponibilidade de morrer em lugar dele, porque era um pai de família e a sua vida era necessária aos seus entes queridos. Padre Maximiliano Maria Kolbe reafirmou assim o direito exclusivo do Criador à vida do homem inocente e deu testemunho a Cristo e ao amor. Escreve de fato o apóstolo João: "Nisto conhecemos a caridade: Ele (Jesus) deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos" (1Jo 3,16).
Dando a sua vida por um irmão, Padre Maximiliano, que a Igreja já desde 1971 venera como "Beato", de modo particular tornou-se semelhante a Cristo.
3. Nós, portanto, que hoje, domingo 10 de outubro, nos reunimos diante da Basílica de São Pedro em Roma, desejamos exprimir o especial valor que aos olhos de Deus tem a morte por martírio do Padre Maximiliano Kolbe:
"É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis" (Sl 115/116,15), assim repetimos no salmo responsorial. Verdadeiramente é preciosa e inestimável! Mediante a morte que Cristo sofreu na Cruz completou-se a redenção do mundo pois esta morte tem o valor do amor supremo.Mediante a morte, sofrida pelo Padre Maximiliano Kolbe, um límpido sinal deste amor foi renovado no nosso século, que em grau tão elevado e de múltiplos modos é ameaçado pelo pecado e pela morte.
Eis que, nesta solene Liturgia da Canonização, parece apresentar-se entre nós aquele "mártir do amor" de Oswiecim (como o chamou Paulo VI) e dizer: "Eu sou Vosso servo, Senhor, sou Vosso servo nascido da Vossa serva, a quem quebrastes as cadeiras" (Sl 115/116,16).
E, quase recolhendo num só o sacrifício de toda a sua vida, ele, sacerdote e filho espiritual de São Francisco, parece dizer: "Que darei eu ao Senhor por todos os Seus benefícios? Elevarei o cálice da salvação invocando o nome do Senhor" (Sl 115/116,12s).
São, estas, palavras de gratidão. A morte sofrida por amor, em lugar do irmão, é um ato heroico do homem mediante o qual, juntamente com o novo Santo, glorificamos a Deus. D'Ele de fato provém a graça de tal heroísmo, deste martírio.
4. Glorificamos portanto, hoje, a grande obra de Deus no homem. Diante de todos nós, aqui reunidos, Padre Maximiliano Kolbe eleva o seu "cálice da salvação", no qual está contido o sacrifício de toda a sua vida, ratificada com a morte de mártir "por um irmão".
Para este definitivo sacrifício, Maximiliano preparou-se seguindo a Cristo desde os primeiros anos da sua vida na Polônia. Daqueles anos provém o misterioso sonho de duas coroas: uma branca e outra vermelha, entre as quais o nosso santo não escolhe, mas aceita as duas. Desde os anos da juventude, de fato, permeava-o um grande amor por Cristo e o desejo do martírio.
Este amor e este martírio acompanharam-no na vocação franciscana e sacerdotal, para a qual se preparava tanto na Polônia como em Roma. Este amor e este desejo seguiram-no através de todos os lugares do serviço sacerdotal e franciscano na Polônia, e também do serviço missionário no Japão.
5. A inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, à qual confiava o seu amor por Cristo e o seu desejo de martírio. No mistério da Imaculada Conceição manifestava-se diante dos olhos da sua alma aquele mundo maravilhoso e sobrenatural da graça de Deus oferecida ao homem. A fé e as obras de toda a vida do Padre Maximiliano indicam que ele entendia a sua colaboração com a graça divina como uma milícia sob o sinal da Imaculada Conceição. A característica mariana é particularmente expressiva na vida e na santidade do Padre Kolbe. Com esta característica foi marcado também todo o seu apostolado, tanto na pátria como nas missões. Na Polônia e no Japão foram centro deste apostolado as especiais cidades da Imaculada ("Niepokalanow" polaco, "Mugenzai no Sono" japonês).
6. Que aconteceu no bunker da fome no Campo de Concentração em Oswiecim (Auschwitz), a 14 de agosto de 1941?
A isto responde a presente Liturgia: "Deus provou" Maximiliano Maria "e achou-o digno de Si" (cf. Sb 3,5). Provou-o "como ouro na fornalha e aceitou-o como holocausto" (cf. Sb 3,6).
Embora "aos olhos dos homens tenha sido atormentado", todavia "a sua esperança está cheia de imortalidade", pois "as almas dos justos estão na mão de Deus e nenhum tormento as tocará". E quando, humanamente falando, lhes chegam o tormento e a morte, quando "aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos...", quando "a sua saída deste mundo é considerada uma desgraça...", "eles estão em paz": eles experimentam a vida e a glória "na mão de Deus" (cf. Sb 3,1-4).
Tal vida é fruto da morte à semelhança da morte de Cristo. A glória é a participação na Sua ressurreição.
Que aconteceu, então, no bunker da fome, no dia 14 de agosto de 1941?
Cumpriram-se as palavras dirigidas por Cristo aos Apóstolos para que "fossem e dessem fruto e o seu fruto permanecesse" (cf. Jo 15,16).
De modo admirável perdura na Igreja e no mundo o fruto da morte heroica de Maximiliano Kolbe!
7. Para quanto ocorreu no campo de "Auschwitz" olhavam os homens. E embora aos olhos deles devesse parecer que "tivesse morrido" um companheiro de tormento, e de maneira humana pudessem considerar "a sua saída" como "uma desgraça", todavia na consciência deles esta não era "a morte". Maximiliano não morreu, mas "deu a vida... pelo irmão".
Manifestava-se nesta morte, terrível sob o ponto de vista humano, toda a definitiva grandeza do ato humano e da escolha humana: ele, por amor, ofereceu-se espontaneamente à morte.
E nesta sua morte humana manifestava-se o transparente testemunho dado a Cristo: o testemunho dado em Cristo à dignidade do homem, à santidade da sua vida e à força salvífica da morte, na qual se manifesta o poder do amor.
Precisamente por isto a morte de Maximiliano Kolbe se tornou um sinal de vitória. Foi esta a vitória alcançada sobre o inteiro sistema do desprezo e do ódio para com o homem e o que é divino no homem, vitória semelhante àquela obtida por nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.
"Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando" (Jo 15,14).
8. A Igreja aceita este sinal de vitória, obtida mediante a força da Redenção de Cristo, com veneração e gratidão. Procura decifrar a sua eloquência com toda a humildade e amor.
Como sempre, quando proclama a santidade dos seus filhos e das suas filhas, assim também neste caso, ela procura agir com toda a precisão e a responsabilidade devidas, penetrando em todos os aspectos da vida e da morte do Servo de Deus.
Todavia a Igreja deve, ao mesmo tempo, estar atenta, entendendo o sinal da santidade dado por Deus no seu servo terreno, para não deixar perderem-se a sua plena eloquência e o seu significado definitivo.
E por isso, ao julgar a causa do Beato Maximiliano Kolbe tiveram de ser tomadas em consideração - já depois da Beatificação - as inúmeras vozes do Povo de Deus, e sobretudo dos nossos Irmãos no Episcopado, tanto da Polônia como também da Alemanha, que pediam fosse Maximiliano Kolbe proclamado santo como mártir.
Diante da eloquência da vida e da morte do Beato Maximiliano, não se pode não reconhecer oque parece constituir o principal e essencial conteúdo do sinal dado por Deus à Igreja e ao mundo na sua morte.
Não constitui esta morte enfrentada espontaneamente, por amor ao homem, um particular cumprimento das palavras de Cristo?
Não torna ela Maximiliano particularmente semelhante a Cristo, Modelo de todos os Mártires, que na Cruz dá a própria vida pelos irmãos?
Não possui precisamente tal morte uma especial e penetrante eloquência para a nossa época?
Não constitui ela um testemunho particularmente autêntico da Igreja no mundo contemporâneo?
9. E por isso, em virtude da minha autoridade apostólica decretei que Maximiliano Maria Kolbe, venerado que era como Confessor a partir da Beatificação, fosse de agora em diante venerado também como Mártir!
"É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis!".
Amém.


Fonte: Santa Sé

[1] Edith Stein foi beatificada (01 de maio de 1987) e canonizada (11 de outubro de 1998) por João Paulo II.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

História da Solenidade da Assunção da Virgem Maria

A solenidade da Assunção é a mais antiga das festas marianas. Segundo a versão siríaca do texto apócrifo De transitu Mariae (Da passagem de Maria), atribuído a São João Evangelista, esta festa remonta ao período apostólico.


O texto (do final do século IV) indica que os Apóstolos teriam instituído três festas em honra da Santa Mãe de Deus, todas ligadas ao calendário agrícola: 25 de janeiro (semeadura), 15 de maio (colheita) e 15 de agosto (vindima).

No século V, as igrejas da Armênia, de Jerusalém e de Constantinopla continham em seus calendários a seguinte indicação para o dia 15 de agosto: “Dia de Maria, Mãe de Deus”. Vê-se claramente que se tratava ainda de uma festa genérica em honra de Maria, sem fazer menção à Assunção ou, para usar o termo oriental, à Dormição.

No século VI, a partir da igreja da Síria, a festa de 15 de agosto passa a ser dedicada ao mistério da Dormição da Virgem Maria. O mesmo logo se dá na igreja de Jerusalém, onde os fieis passam a peregrinar ao local onde, segundo a tradição, Maria teria subido aos céus de corpo e alma.

Igreja da "Tumba de Maria" em Jerusalém
No Ocidente, a festa da Dormição começa a ser celebrada igualmente no século VI, a partir da influência da igreja copta (Egito). No século seguinte, os sacramentários apresentam duas festas marianas: a primeira em janeiro, dedicada à sua Divina Maternidade; e a segunda em agosto, dedicada ao mistério da Assunção.

Curioso que neste período, a perícope evangélica indicada para a solenidade era Lc 10,38-42, isto é, o episódio de Jesus na casa de Marta e Maria. Este mesmo texto era lido nas Missas das santas virgens, para evidenciar aquelas que “escolheram a melhor parte”. Este texto foi substituído por Lc 1,39-56 (Magnificat) na reforma litúrgica do Concílio de Trento, permanecendo até hoje.

Na igreja romana, a festa da Assunção atingiu logo grande prestígio, sendo-lhe acrescida inclusive uma Missa da Vigília, algo característico das grandes solenidades (Páscoa, Natal, Pentecostes). No final do século VII o Papa Sérgio (687-701) introduziu uma procissão com o canto das ladainhas, que possuía grande popularidade.

Na manhã do dia 14, o Papa dirigia-se com os Cardeais à Basílica do Latrão, onde em uma pequena capela era conservado um ícone de Jesus em tamanho quase natural, que era venerado nas grandes festas. Esta imagem era chamada de achiropita (não pintada), pois se atribuía-lhe uma origem miraculosa. Cumpre notar que esta imagem, revestida de uma cobertura de prata colocada por Inocêncio III (1160-1216), ainda conserva-se na Basílica Lateranense, embora não seja mais usada nas grandes celebrações.
 
Imagem achiropita do Senhor (Basílica Lateranense)
O Papa, descalço, ajoelhava-se sete vezes, beijava os pés da imagem e, após entoar o Te Deum, a apresentava para a veneração dos presentes. À tarde, na Basílica de Santa Maria Maior, celebravam-se às vésperas e as matinas, com nove leituras.

À meia-noite, tinha início a procissão da Basílica do Latrão à Basílica de Santa Maria Maior. Os diáconos levavam o ícone do Senhor em um portatorium, acompanhados de acólitos com velas acesas e seguidos pelo Papa, pelos cardeais e pelo povo, que cantavam salmos. As casas que estavam no caminho da procissão eram ornadas com velas acesas e flores.

Basílica de Santa Maria Maior
Este gesto de conduzir um ícone cristológico na procissão da Assunção é uma referência ao relato apócrifo do De transitu Mariae, que narra a aparição de Cristo no momento da Assunção, dado que aliás tornou-se característico na iconografia bizantina desta festa (veja a primeira imagem deste post):

“A Mãe do Senhor disse aos Apóstolos: ‘Atirai incenso, pois Cristo já está vindo com um exército de anjos’. No mesmo instante Cristo apresentou-se-nos sentando sobre um trono de querubins. E, enquanto todos estávamos orando, apareceram multidões incontáveis de anjos, e o Senhor estava pleno de majestade sobre os querubins. E eis que um eflúvio resplandecente irradiou-se sobre a santa Virgem por virtude da presença de seu Filho Unigênito, e todas as divindades celestiais caíram por terra e O adoraram” (De transitu Mariae, n. 38).

Algumas vezes durante o trajeto, a procissão parava e os pés da imagem eram lavados com um líquido chamado basilicum, que consistia uma infusão de flores e ervas aromáticas. Tal gesto faz alusão ao episódio em que uma mulher lava os pés de Jesus com perfume. Este líquido era igualmente aspergido sobre os fieis, que cantavam repetidas vezes: Kyrie eleison e Christe eleison (Senhor, tende piedade de nós / Cristo, tende piedade de nós).

Tal gesto ainda é praticado na Liturgia Bizantina da Exaltação da Santa Cruz, como pode ver-se no vídeo abaixo, a partir de 1min23seg:


Ao chegar à Basílica de Santa Maria Maior, já perto do início da manhã, o Papa celebrava a Missa e abençoava os fieis, cansados pela longa procissão. Contudo, devido a alguns abusos que se introduziram ao longo dos anos (os quais contudo desconhecemos), a procissão foi abolida pelo Papa São Pio V em 1566.

Um costume ligado a esta data, que perdurou ao menos até o século X, foi a bênção das ervas medicinais. Tal prática relaciona-se ao antiquíssimo costume de confiar à Virgem Maria a proteção dos campos, donde a bênção das ervas que eram usadas como um sinal da proteção divina contra calamidades naturais e influxos diabólicos.

Ainda sobre a festa da Assunção merece destaque a elaboração de belíssimas composições musicais para a Missa da solenidade a partir do século XI, como é o caso da Messe de Notre Dame, de Guillaume de Machaut, composta em 1363 e que conjuga o canto gregoriano com a ars nova (polifonia).


Por fim, cumpre dizer que esta solenidade ganhou novo impulso a partir de 01 de novembro de 1950, quando o Papa Venerável Pio XII definiu o Dogma da Assunção de Maria, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus:

Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.

Histórica imagem da definição do Dogma da Assunção (1950)

REFERÊNCIAS:

PROENÇA, Eduardo (Org.) Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p. 759-769.

BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja: O Ano Litúrgico. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 461-466.

RIGHETTI, Mario. Historia de la Liturgia. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1945, vol. I, p. 895-904.

PIO XII. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. 01 de novembro de 1950.

Ordenação Presbiteral em Foz do Iguaçu

No último dia 08 de agosto, Dom Dirceu Vegini, Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu (PR), celebrou na Paróquia Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, na cidade de Medianeira, a Santa Missa para a Ordenação Presbiteral dos Diáconos Adelcir Welter e Maurício Camatti.

Seguem algumas fotos, publicadas pela página da Diocese no Facebook:

Procissão de entrada



Incensação do altar

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Festa de São João Maria Vianney na Administração Apostólica

No último dia 08 de agosto a Administração Apostólica São João Maria Vianney celebrou a solenidade de seu padroeiro com Santa Missa Pontifical na Forma Extraordinária do Rito Romano, celebrada por Dom Fernando Areas Rifan, em Campos dos Goytacazes.

Seguem algumas fotos, publicadas na página da Administração no Facebook:

Imagem e relíquia de São João Maria Vianney
Clero aguarda a chegada do Bispo
Entrada do Bispo
Oração diante do Santíssimo Sacramento
Procissão de entrada

Nota de falecimento: Dom Armando Círio

Com pesar noticiamos o falecimento na noite de ontem, 11 de agosto, de Dom Armando Círio, Arcebispo Emérito de Cascavel (Paraná), aos 98 anos.

Dom Armando Círio
Dom Armando nasceu em 30 de abril de 1916 em Calamandrana (Itália). Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1940, para a Congregação dos Oblatos de São José. Em 1947 veio para o Brasil, exercendo seu ministério nas cidades de Botucatu (SP) e Apucarana (PR).

Em 14 de maio de 1960, o Papa São João XXIII o nomeou primeiro Bispo da recém-criada Diocese de Toledo (PR), recebendo a ordenação episcopal em 28 de agosto do mesmo ano. O ordenante principal foi Dom Armando Lombardi, então Núncio Apostólico no Brasil. Os co-sagrantes foram Dom Geraldo Fernandes Bijos (Bispo de Londrina) e Dom Manuel da Silveira D'Elboux (Arcebispo de Curitiba).

Como Bispo de Toledo, participou da Primeira e da Terceira Sessões do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Em 05 de maio de 1978, o Papa Paulo VI o transfere para a igualmente recém-criada Diocese de Cascavel (PR). Esta é elevada a Arquidiocese em 16 de outubro do ano seguinte, sendo Dom Armando confirmado como primeiro Arcebispo pelo Papa São João Paulo II.

Em 27 de dezembro de 1995, teve sua renúncia ao governo da Arquidiocese aceita pelo Papa.


Dom Armando (ao centro) na comemoração dos 50 anos da sede do Seminário São José em Curitiba (março de 2009).
Na mesma foto veem-se o Cardeal Scherer, Dom Moacyr Vitti e o autor deste blog

Ó Deus, que chamastes ao ministério episcopal o vosso servo Bispo Armando, colocando-o entre os sucessores dos Apóstolos, concedei-lhe também associar-se a eles no convívio eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Fonte: Catholic Hierarchy

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dom Fernando Guimarães nomeado Arcebispo Ordinário Militar

Na manhã de ontem, 06 de agosto, o Papa Francisco aceitou a renúncia apresentada por Dom Osvino José Both, até então Arcebispo Ordinário Militar do Brasil.

Dom Osvino Both, Arcebispo Ordinário Militar Emérito
Dom Osvino nasceu em 26 de abril de 1938, na cidade de Três Arroios (RS). Foi ordenado presbítero em 1967, para a Diocese de Passo Fundo. Em 1990, o Papa São João Paulo II nomeou-o Bispo Auxiliar de Porto Alegre, recebendo a Ordenação Episcopal em setembro do mesmo ano. Em 1995 foi nomeado Bispo Diocesano de Novo Hamburgo e em 2006 Arcebispo Ordinário Militar do Brasil, com sede em Brasília.

Ao mesmo tempo, o Papa nomeou Dom Fernando José Monteiro Guimarães, C.Ss.R., até então Bispo de Garanhuns (PE), como novo Arcebispo Ordinário Militar do Brasil.

Dom Fernando Guimarães
Dom Fernando nasceu em 19 de julho de 1946, em Recife (PE). Foi ordenado sacerdote em 1971, para a Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas). Em Roma, obteve o Doutorado em Teologia Moral e, na Espanha, o Mestrado em Direito Canônico. Em Roma, trabalhou na Congregação para o Clero e no Tribunal do Vicariato de Roma.

Em 2008, o Papa Bento XVI nomeou-o Bispo Diocesano de Garanhuns, recebendo a Ordenação Episcopal em março do mesmo ano. Já como bispo, foi nomeado membro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e Consultor da Congregação para as Causas dos Santos.

Dom Fernando sempre foi um bispo zeloso com a Sagrada Liturgia (em ambas as formas do Rito Romano) e grande defensor da fé. Desejamos-lhe um frutuoso apostolado frente ao Ordinariato Militar do Brasil.


Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Carta Circular sobre o Rito da Paz na Missa

Foi divulgada esta semana uma Carta Circular da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos acerca do rito da paz na Santa Missa. Na prática não há nenhuma novidade, apenas reforça-se a sacralidade própria deste gesto a fim de corrigir alguns abusos, como é desejo do Santo Padre Francisco ao aprovar o documento...

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
CARTA CIRCULAR:
O SIGNIFICADO RITUAL DO DOM DA PAZ NA MISSA

1. "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz"[1], são as palavras com as quais Jesus promete aos discípulos reunidos no cenáculo, antes de enfrentar a paixão, o dom da paz, para infundir-lhes a gozosa certeza de sua presença permanente. Depois de sua ressurreição, o Senhor leva ao termo sua promessa apresentando-se no meio deles, no lugar em que se encontravam por temor aos Judeus, dizendo: "A paz esteja convosco!"[2]. A paz, fruto da Redenção que Cristo trouxe ao mundo com sua morte e ressurreição, é o dom que o Ressuscitado segue oferecendo hoje a sua Igreja, reunida para a celebração da Eucaristia, de modo que possa testemunhá-la na vida de cada dia.
2. Na tradição litúrgica romana o sinal da paz, colocado antes da Comunhão, tem um significado teológico próprio. Este encontra seu ponto de referência na contemplação eucarística do mistério pascal - diversamente de como fazem outras famílias litúrgicas que se inspiram na passagem evangélica de Mateus (cf. Mt 5, 23) - apresentando-se assim como o "beijo pascal" de Cristo ressuscitado presente no altar [3]. Os ritos que preparam a comunhão constituem um conjunto bem articulado dentro do qual cada elemento tem seu próprio significado e contribui ao sentido do conjunto da sequência ritual, que conduz à participação sacramental no mistério celebrado. O sinal da paz, portanto, se encontra entre o Pater noster - ao qual se une mediante o embolismo que prepara ao gesto da paz - e a fração do pão - durante a qual se implora ao Cordeiro de Deus que nos dê sua paz -. Com este gesto, que significa a paz, a comunhão e a caridade"[4], a Igreja implora a paz e a unidade para si mesma e para toda a família humana, e os fiéis expressam a comunhão eclesial e a mútua caridade, antes da comunhão sacramental"[5], isto é, a comunhão no Corpo de Cristo Senhor.
3. Na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis o papa Bento XVI havia confiado a esta Congregação a tarefa de considerar a problemática referente ao sinal da paz[6], com o fim de salvaguardar o valor sagrado da celebração eucarística e o sentido do mistério no mundo da Comunhão sacramental: "A Eucaristia é por sua natureza sacramento da paz. Esta dimensão do Mistério eucarístico se expressa na celebração litúrgica de maneira específica com o gesto da paz. Trata-se indubitavelmente de um sinal de grande valor (cf. Jo 14, 28). Em nosso tempo, tão cheio de conflitos, este gesto adquire, também a partir ponto de vista da sensibilidade comum, um relevo especial, já que a Igreja sente cada vez mais como tarefa própria pedir a Deus o dom da paz e a unidade para si mesma e para toda a família humana. [...] Por isso se compreende a intensidade com que se vive frequentemente o rito da paz na celebração litúrgica. A este propósito, contudo, durante o Sínodo dos bispos se viu a conveniência de moderar este gesto, que pode adquirir expressões exageradas, provocando certa confusão na assembléia precisamente antes da Comunhão. Seria bom recordar que o alto valor do gesto não fica diminuído pela sobriedade necessária para manter um clima adequado à celebração, limitando por exemplo a troca da paz aos mais próximos"[7].
4. O Papa Bento XVI, além de destacar o verdadeiro sentido do rito e do sinal da paz, punha em evidência seu grande valor como colaboração dos cristãos, para preencher,  mediante sua oração e testemunho, as angústias mais profundas e inquietantes da humanidade contemporânea. Por esta razão, renovava seu convite para cuidar este rito e para realizar este sinal litúrgico com sentido religioso e sobriedade.
5. O Dicastério, baseado pelas disposições do Papa Bento XVI, dirigiu-se às Conferências dos bispos em maio de 2008 pedindo seu parecer sobre se manter o sinal da paz antes da Comunhão, onde se encontra agora, ou se mudá-lo a outro momento, com o fim de melhorar a compreensão e o desenvolvimento de tal gesto. Traz uma profunda reflexão, se viu conveniente conservar na liturgia romana o rito da paz em seu lugar tradicional e não introduzir mudanças estruturais no Missal Romano. Oferecem-se na continuação algumas disposições práticas para expressar melhor o conteúdo do sinal da paz e para moderar os excessos, que suscitam confusão na assembleia litúrgica antes da Comunhão.
6. O tema tratado é importante. Se os fiéis não compreendem e não demonstram viver, em seus gestos rituais, o significado correto do rito da paz, debilita-se o conceito cristão da paz e se vê afetada negativamente sua própria frutuosa participação na Eucaristia. Portanto, junto às precedentes reflexões, que podem constituir o núcleo de uma oportuna catequese a respeito, para a qual se ofereceram algumas linhas orientativas, submete-se a prudente consideração das Conferências dos bispos algumas sugestões práticas:
a) Esclarece-se definitivamente que o rito da paz alcança já seu profundo significado com a oração e o oferecimento da paz no contexto da Eucaristia. O dar-se a paz corretamente entre os participantes na Missa enriquece seu significado e confere expressividade ao próprio rito. Portanto, é totalmente legítimo afirmar que não é necessário convidar "mecanicamente" para se dar a paz. Se se prevê que tal troca não se levará ao fim adequadamente por circunstâncias concretas, ou se retem pedagogicamente conveniente não realizá-lo em determinadas ocasiões, pode-se omitir, e inclusive, deve ser omitido. Recorda-se que a rúbrica do Missal disse: Deinde, pro opportunitate, diaconus, vel sacerdos, subiungit: Offerte vobis pacem"[8].
b) Baseado nas presentes reflexões, pode ser aconselhável que, com ocasião da publicação da terceira edição típica do Missal Romano no próprio País, ou quando se façam novas edições do mesmo, as Conferências considerem se é oportuno mudar o modo de se dar a paz estabelecido em seu momento. Por exemplo, naqueles lugares em nos quais se optou por gesto familiares e profanos de saudação, traz a experiência destes anos, poderiam-se substituir por gestos mais apropriados.
c) De todos os modos, será necessário que no momento de dar-se a paz se evitem alguns abusos tais como:
- A introdução de um "canto para a paz", inexistente no Rito romano [9].
- Os deslocamentos dos fiéis para trocar a paz.
- Que o sacerdote abandone o altar para dar a paz a alguns fiéis.
- Que em algumas circunstâncias, como a solenidade de Páscoa ou de Natal, ou Confirmação, o Matrimônio, as sagradas Ordens, as Profissões religiosas ou as Exequias, o dar-se a paz seja ocasião para felicitar ou expressar condolências entre os presentes[10].
d) Convida-se igualmente a todas as Conferências dos bispos a preparar catequeses lirtúgicas sobre o significado do rito da paz na liturgia romana e sobre seu correto desenvolvimento na celebração da Santa Missa. A este propósito, a Congregação para o Culto Divino e a Disiciplina dos Sacramentos acompanha a presente carta com algumas pistas orientativas.
7. A íntima relação entre lex orandi e lex credendi deve obviamente estender-se a lex vivendi. Conseguir hoje um compromisso sério dos católicos frente a construção de um mundo mais justo e pacífico implica uma compreensão mais profunda do significado cristão da paz e de sua expressão na celebração litúrgica. Convida-se, então, com insistência a dar passos eficazes em tal matéria já que dele depende a qualidade de nossa participação eucarística e o que nos vejamos incluídos entre os que merecem a graça prometida nas bem-aventuranças aos que trabalham e constroem a paz[11].
8. Ao finalizar estas considerações, exorta-se aos bispos, e sob sua guia, aos sacerdotes a considerar e aprofundar no significado espiritual do rito da paz, tanto na celebração da Santa Missa como na própria formação litúrgica e espiritual ou na oportuna catequese aos fiéis. Cristo é nossa paz[12],a paz divina, anunciada pelos profetas e pelos anjos, e que Ele trouxe ao mundo com seu mistério pascal. Esta paz do Senhor Ressuscitado é invocada, anunciada e difundida nas celebração, também através de um gesto humano elevado ao âmbito sagrado.

O Santo Padre Francisco, no dia 7 de junho de 2014, aprovou e confirmou o que se contém nesta Carta circular, preparada pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e ordenou sua publicação.

Na sede da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, ao dia 08 de junho de 2014, na solenidade de Pentecostes.

Antonio Card. CAÑIZARES LLOVERA
Prefeito

Arthur ROCHE

Arcebispo Secretário


NOTAS:
[1]. Jo 14, 27
[2]. Cfr. Jo 20, 19-23.
[3]. Cf. MISSALE ROMANUM ex decreto SS. Concilii Tridentini restitutum summorum pontificum cura recognitum, Editio typica, 1962, Ritus servandus, X, 3.
[4]. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Instr., redemptionis sacramentum, 25 de março de 2004, n. 71: AAS 96 (2004) 571.
[5]. MISSALE ROMANUM, ex decreto sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, auctoritate Pauli Pp. VI promulgatum, Ioannis Pauli Pp. II cura recognitum, editio typica tertiam, diei 20 aprilis 2000,Typis Vaticanis, reimpressio emendata 2008, Ordenação Geral do Missal Romano, n. 82.
[6]. Cf. BENTO XVI, Exhort. Apost. pós-sinod., Sacramentum caritatis, 22 de fevereiro de 2007, n. 49: AAS 99 (2007) 143
[7]. Cf. Bento XVI, Exhort. Apost., Sacramentum caritatis, 22 de fevereiro de 2007, n. 49, nota n. 150: AAS 99 (2007) 143.
[8]. MISSALE ROMANUM, Ordo Missae, n. 128
[9]. No rito romano não está tradicionalmente previsto um canto para a paz porque se prevê um tempo brevíssimo para dar a paz somente aos mais perto. O canto da paz sugere, pelo contrário, um tempo muito largo para a troca da paz.
[10]. Cf. Ordenação Geral do Missal Romano, n. 82: "Conveniente, contudo, que cada um expresse sobriamente a paz somente aos que tem mais próximo"; n. 154: "O sacerdote pode dar a paz aos ministros, permanecendo sempre dentro do presbitério, para não alterar a celebração. Faça-se do mesmo modo se, por uma causa razoável, deseja dar a paz a alguns fiéis"; CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Instr., Redemptionis sacramentum, 25 de março de 2004, n. 72: AAS 96 (2004) 572.
[11]. Cf. Mt 5, 9ss.
[12]. Ef. 2, 14.

Fonte: Apologistas Católicos