sábado, 8 de junho de 2013

Fotos da Visita do Papa à Paróquia Santos Isabel e Zacarias

No último dia 26 de maio, Domingo da Santíssima Trindade, o Santo Padre o Papa Francisco presidiu a Celebração Eucarística na Paróquia Santos Isabel e Zacarias, em Roma. Nesta mesma ocasião, administrou a Primeira Comunhão a 16 crianças da comunidade.

Seguem algumas fotos, publicadas pela Rádio Vaticano:

Chegada à paróquia
Saudação ao pároco
Paróquia Ss. Isabel e Zacarias (Roma)
Papa Francisco
Incensação do altar

Homilia do Papa no Domingo da Santíssima Trindade

VISITA À PARÓQUIA ROMANA DOS "SANTOS ISABEL E ZACARIAS"
HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO
Solenidade da Santíssima Trindade
Domingo, 26 de Maio de 2013

Amados irmãos e irmãs
Com as suas palavras, o Pároco fez-me recordar algo de bonito sobre Nossa Senhora. Quando Nossa Senhora, assim que recebeu o anúncio que seria mãe de Jesus, e também o anúncio de que a sua prima Isabel estava grávida - como se lê no Evangelho - partiu à pressa; não esperou. Não disse: «Mas agora eu estou grávida, e devo cuidar da minha saúde. A minha prima terá amigas que talvez a ajudem». Ela sentiu algo e «partiu à pressa». É bonito pensar isto de Nossa Senhora, da nossa Mãe que vai à pressa, porque sente algo dentro de si: ajudar. Vai para ajudar, e não para se gloriar e dizer à prima: «Escuta, agora sou eu que mando, porque sou a Mãe de Deus!». Não, não agiu deste modo. Partiu para ajudar! E Nossa Senhora é sempre assim. É a nossa Mãe, que vem sempre depressa quando nós precisamos dela. Seria bonito acrescentar às Ladainhas de Nossa Senhora uma que reze assim: «Senhora que vai depressa, ora por nós!». Isto é bonito, verdade? Porque Ela vai sempre à pressa, Ela não se esquece dos seus filhos. E quando os seus filhos se encontram em dificuldade, quando têm alguma necessidade e a invocam, Ela vem à pressa. E isto dá-nos uma segurança, a certeza de ter a Mãe ao lado, sempre ao nosso lado. Vamos, caminhamos melhor na vida quando temos a mão próxima de nós. Pensemos nesta graça de Nossa Senhora, nesta graça que Ela nos concede: de estar próxima de nós, mas sem nos fazer esperar. Sempre! Ela existe - tenhamos confiança nisto - para nos ajudar. Nossa Senhora caminha sempre à pressa por nós.
Nossa Senhora ajuda-nos também a compreender bem Deus, Jesus, a entender bem a vida de Jesus, a vida de Deus, a compreender bem o que é o Senhor, como é o Senhor, quem é Deus. A vós, crianças, pergunto: «Quem sabe quem é Deus?». Levanta a mão. Diz-me? Eis! Criador da Terra. E quantos Deuses existem? Um só? Mas disseram-me que existem três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo! Como se explica isto? Há um só ou existem três? Um? Um só? E como se explica que um é o Pai, o outro é o Filho e o terceiro é o Espírito Santo? Em voz alta! Em voz alta! Está bem aquela. São três num, três pessoas numa. E o que faz o Pai? O Pai é o Princípio, o Pai, Aquele que criou tudo, que nos criou a nós. O que faz o Filho? Que faz Jesus? Quem sabe dizer o que faz Jesus? Ama-nos? E depois? Traz a Palavra de Deus! Jesus vem ensinar-nos a Palavra de Deus. Muito bem! E depois? O que faz Jesus na terra? Salvou-nos! E Jesus veio para dar a sua vida por nós. O Pai cria o mundo; Jesus salva-nos. E o que faz o Espírito Santo? Ama-nos! Transmite-nos o amor! Todas as crianças juntas: o Pai cria todos, cria o mundo; Jesus salva-nos; e o Espírito Santo? Ama-nos! E é esta é a vida cristã: falar com o Pai, falar com o Filho e falar com o Espírito Santo. Jesus salvou-nos, mas também caminha connosco na vida. Isto é verdade? E como caminha? O que faz quando caminha connosco na vida? Esta é difícil. Quem responder vence o dérbi! O que faz Jesus quando caminha connosco? Em voz alta! Primeiro: ajuda-nos. Guia-nos! Muito bem! Caminha connosco, ajuda-nos, guia-nos e ensina-nos a ir em frente. E Jesus também nos dá a força para caminhar. É verdade? Ampara-nos nas dificuldades, verdade? E também nos deveres escolares! Ampara-nos, ajuda-nos e guia-nos. Eis! Jesus caminha sempre connosco. Está bem. Mas vê, é Jesus quem nos dá força. Como nos dá Jesus a força? Vós sabeis como Ele nos dá força! Em voz alta, não ouço! Dá-nos força na Comunhão, ajuda-nos precisamente com a força. Ele vem ao nosso encontro. Mas quando vós dizeis «dá-nos a Comunhão», um pedaço de pão dá tanta força? Aquilo não é pão? É pão? Isto é pão, mas aquele no altar é pão ou não é? Parece pão! Não é exactamente pão. O que é? É o Corpo de Jesus. Jesus vem ao nosso coração. Eis, pensemos nisto, todos nós: o Pai concedeu-nos a vida; Jesus deu-nos a salvação, acompanha-nos, guia-nos, ampara-nos e ensina-nos; e o Espírito Santo? O que nos dá o Espírito Santo? Ama-nos! Dá-nos o amor. Pensemos em Deus assim e peçamos a Nossa Senhora, a Nossa Senhora nossa Mãe, sempre apressada para nos ajudar, que nos ensine a compreender bem como é Deus: como é o Pai, como é o Filho e como é o Espírito Santo. Assim seja!



Fonte: Santa Sé

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fotos da Crisma no Butiatuvinha

No último dia 25 de Maio, Dom Rafael Biernaski, Bispo Auxiliar de Curitiba, presidiu a Celebração Eucarística na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Butiatuvinha, durante a qual administrou o Sacramento da Confirmação a 49 jovens.

Destacamos o arranjo beneditino (cruz e sete velas de cera sobre o altar), o uso do véu de cálice e das vimpas na cor litúrgica e o uso das patenas para a Comunhão, que foi distribuída aos crismandos sob as duas espécies.

Presbitério
Fieis aguardam o início da celebração
Procissão de entrada


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Adoração Eucarística dos Seminaristas de Curitiba

No último dia 23 de Maio os Seminaristas da Arquidiocese de Curitiba participaram da Adoração Eucarística e Santa Missa Votiva da Santíssima Eucaristia na Igreja da Ordem de S. Francisco das Chagas, Templo da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento, em preparação à Solenidade de Corpus Christi. 

Seguem algumas fotos, as quais agradecemos ao Sem. André Novaki:

Incensação do Santíssimo Sacramento
Bênção Eucarística
Fórmula de louvores
Santa Missa: Procissão de entrada
Incensação da cruz

Fotos da Profissão de Fé com os Bispos Italianos

No último dia 23 de maio, Sua Santidade o Papa Francisco presidiu uma Celebração da Palavra de Deus, durante a qual os bispos da Conferência Episcopal Italiana (CEI) renovaram publicamente a sua Profissão de Fé, por ocasião do Ano da Fé.

Assistiram ao Santo Padre como cerimoniários os Monsenhores Guido Marini e Guillermo Javier Karcher.

Seguem algumas fotos, publicadas pela Rádio Vaticano:

Entrada
Saudação do Cardeal Bagnasco, Presidente da CEI
O Santo Padre agradece as palavras do Cardeal Bagnasco
Papa Francisco durante as leituras
Evangelho

Palavras do Papa na Profissão de Fé com os Bispos italianos

PROFISSÃO DE FÉ
COM OS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA
Basílica Vaticana
Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Prezados Irmãos no Episcopado
As Leituras bíblicas que ouvimos fazem-nos meditar. Levam-me a uma profunda reflexão. Preparei como que uma meditação para nós, Bispos, em primeiro lugar para mim, Bispo como vós, e compartilho-a convosco.
É significativo - e estou particularmente feliz por isto - que o nosso primeiro encontro se realize precisamente aqui, no lugar que conserva não só o túmulo de Pedro, mas também a memória viva do seu testemunho de fé, do seu serviço à verdade, do seu doar-se até ao martírio pelo Evangelho e pela Igreja.
Esta tarde, este altar da Confissão torna-se assim o nosso lago de Tiberíades, em cujas margens voltamos a ouvir o diálogo maravilhoso entre Jesus e Pedro, com a pergunta dirigida ao Apóstolo, mas que deve ressoar também no nosso coração de Bispos.
«Amas-me?»; «És meu amigo?» (cf. Jo 21, 15 ss.).
A pergunta é dirigida a um homem que, não obstante solenes declarações, se deixou levar pelo medo e tinha renegado.
«Amas-me?»; «És meu amigo?».
Esta pergunta é dirigida a mim e a cada um de nós, a todos nós: se evitarmos responder de maneira demasiado apressada e superficial, ela impele-nos a olhar para dentro, a entrar em nós mesmos.
«Amas-me?»; «És meu amigo?».
Aquele que perscruta os corações (cf. Rm 8, 27) faz-se mendigo de amor e interroga-nos sobre a única questão verdadeiramente essencial, premissa e condição para apascentar as suas ovelhas, os seus cordeiros, a sua Igreja. Cada ministério está assente nesta intimidade com o Senhor; viver dele é a medida do nosso serviço eclesial, que se exprime na disponibilidade à obediência, à humilhação, como ouvimos na Carta aos Filipenses, e à doação total (cf. 2, 6-11).
De resto, a consequência do amar o Senhor é entregar tudo - tudo, até a própria vida - por Ele: é isto que deve distinguir o nosso ministério pastoral; é a prova definitiva que nos diz com que profundidade nós abraçamos o dom recebido, respondendo à chamada de Jesus, e quanto estamos ligados às pessoas e às comunidades que nos foram confiadas. Não somos expressão de uma estrutura, nem de uma necessidade organizativa: também com o serviço da nossa autoridade somos chamados a ser sinal da presença e da acção do Senhor ressuscitado, portanto a edificar a comunidade na caridade fraterna.
Não é uma certeza: com efeito, até o maior amor, quando não é alimentado continuamente, debilita-se e apaga-se. Não é sem motivo que o apóstolo Paulo admoesta: «Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentar a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o seu próprio sangue» (Act 20, 28).
A falta de vigilância - como sabemos - torna o Pastor insípido; fá-lo distraído, esquecido e até intolerante; sedu-lo com a perspectiva da carreira, a sedução do dinheiro e os compromissos com o espírito do mundo; torna-o negligente, transformando-o num funcionário, num clérigo de Estado, preocupado mais consigo mesmo, com a organização e com as estruturas, do que com o verdadeiro bem do Povo de Deus. Então, como o apóstolo Pedro, corremos o risco de renegar o Senhor, embora formalmente nos apresentemos e falemos em seu nome; ofusca-se a santidade da Mãe Igreja hierárquica, tornando-a menos fecunda.
Irmãos, quem somos nós diante de Deus? Quais são as nossas provas? Temos muitas; cada um de nós tem as suas. O que nos diz Deus através delas? No que nos apoiamos para as superar?
Como para Pedro, a pergunta insistente e urgente de Jesus pode deixar-nos desolados e ainda mais conscientes da debilidade da nossa liberdade, ameaçada como é por mil condicionamentos internos e externos, que muitas vezes suscitam confusão, frustração e até incredulidade.
Sem dúvida, não são estes os sentimentos e as atitudes que o Senhor tenciona suscitar; ao contrário, quem se aproveita deles é o Inimigo, o Diabo, para isolar na amargura, na lamúria e no desânimo.
Jesus, Bom Pastor, não humilha nem abandona ao remorso: nele fala a ternura do Pai, que consola e relança; faz passar da desagregação da vergonha - porque verdadeiramente a vergonha nos desagrega - para o tecido da confiança; restitui a coragem, atribui novas responsabilidades e entrega à missão.
Pedro, purificado no fogo do perdão, pode dizer humildemente: «Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que te amo» (Jo 21, 17). Estou persuadido de que todos nós podemos dizê-lo de coração. E Pedro, purificado, na sua primeira Carta exorta-nos a apascentar «o rebanho de Deus [...]. Tende cuidado dele, não constrangidos, mas espontaneamente [...], não por amor a interesses vergonhosos, mas com dedicação, não como dominadores absolutos sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos do vosso rebanho» (1 Pd 5, 2-3).
Sim, ser Pastor significa acreditar cada dia na graça e na força que nos vem do Senhor, não obstante a nossa debilidade, e assumir até ao fundo a responsabilidade de caminhar diante da grei, livres de pesos que impedem a sadia disponibilidade apostólica, e sem hesitações na orientação, para tornar reconhecível a nossa voz, quer por quantos abraçaram a fé, quer por aqueles que ainda «não são deste aprisco» (Jo 10, 16): somos chamados a fazer nosso o sonho de Deus, cuja casa não conhece exclusão de pessoas ou de povos, como anunciava profeticamente Isaías na primeira Leitura (cf. Is 2, 2-5).
Por isso, ser Pastor quer dizer também dispor-se a caminhar no meio e atrás do rebanho: ser capaz de ouvir a narração silenciosa de quantos sofrem e de acompanhar o passo de quem tem medo de vacilar; atento a levantar-se de novo, a acalentar e a infundir esperança. Da partilha com os humildes, a nossa fé sai sempre fortalecida: portanto, deixemos de lado qualquer forma de soberba, para nos debruçarmos sobre quantos o Senhor confiou à nossa solicitude. Entre estes, reservemos um lugar particular, muito especial, aos nossos sacerdotes: sobretudo para eles, o nosso coração, as nossas mãos e a nossa porta permaneçam abertas em todas as circunstâncias. Eles são os primeiros fiéis que nós Bispos temos: os nossos sacerdotes. Amemo-los! Amemo-los de coração! Eles são os nossos filhos e os nossos irmãos!
Caros irmãos, a profissão de fé que agora renovamos em conjunto não é um gesto formal, mas consiste em renovar a nossa resposta ao «Segue-me!», com que se conclui o Evangelho de João (cf. 21, 19): leva a desenvolver a própria vida segundo os desígnios de Deus, comprometendo-nos completamente a favor do Senhor Jesus. Daqui nasce aquele discernimento que conhece e assume os pensamentos, as expectativas e as necessidades dos homens do nosso tempo.
É com este espírito que agradeço de coração a cada um de vós o vosso serviço e amor à Igreja.
E a Mãe está aqui! Coloco-vos a vós e a mim também sob o manto de Maria, Nossa Senhora.

Mãe do silêncio, que conservas o mistério de Deus,
liberta-nos da idolatria do presente, à qual se condena quem esquece.
Purifica os olhos dos Pastores com o colírio da memória:
voltaremos ao vigor das origens, para uma Igreja orante e penitente.
Mãe da beleza, que floresce da fidelidade ao trabalho quotidiano,
desperta-nos da inércia da indolência, da mesquinhez e do derrotismo.
Reveste os Pastores daquela compaixão que unifica e integra: descobriremos a alegria de uma Igreja serva, humilde e fraterna.
Mãe da ternura, que cobre de paciência e de misericórdia,
ajuda-nos a dissipar a tristeza, a impaciência e a rigidez de quantos não conhecem a pertença.
Intercede junto do teu Filho para que sejam ágeis as nossas mãos, os nossos pés e os nossos corações: edificaremos a Igreja com a verdade na caridade.
Mãe, seremos o Povo de Deus que peregrina rumo ao Reino. Amém!



Fonte: Santa Sé

Catequese do Papa: "Creio na Igreja"

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
No Credo, imediatamente depois de ter professado a fé no Espírito Santo, dizemos: «Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica». Há um vínculo profundo entre estas duas realidades de fé: com efeito, é o Espírito Santo que dá vida à Igreja, guiando os seus passos. Sem a presença e a obra incessante do Espírito Santo, a Igreja não poderia viver nem cumprir a tarefa que Jesus ressuscitado lhe confiou, de ir e ensinar todas as nações (cf. Mt 28, 19). Evangelizar é a missão da Igreja, não só de alguns, mas minha, tua, nossa. O Apóstolo Paulo exclamava: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 16). Cada um deve ser evangelizador, sobretudo com a vida! Paulo VI frisava que «evangelizar... a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 14).
Quem é o verdadeiro motor da evangelização na nossa vida e na Igreja? Paulo vi escrevia claramente: «Ele, o Espírito Santo, é aquele que ainda hoje como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por Ele, e põe na sua boca as palavras que sozinho não poderia encontrar, ao mesmo tempo que predispõe a alma daqueles que escutam a fim de a tornar aberta e acolhedora para a Boa Nova e para o Reino anunciado» (Ibid., 75). Então, para evangelizar, é necessário abrir-se de novo ao horizonte do Espírito de Deus, sem ter medo do que nos pede e do lugar para onde nos guia. Confiemo-nos a Ele! Ele tornar-nos-á capazes de viver e de dar testemunho da nossa fé e iluminará o coração de quem encontrarmos. Foi esta a experiência de Pentecostes: aos Apóstolos, reunidos com Maria no Cenáculo, «apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem» (Act 2, 3-4). Pousando sobre os Apóstolos, o Espírito Santo fá-los sair da sala onde se encontram fechados com medo, leva-os a sair de si mesmos e transforma-os em anunciadores e testemunhas das «maravilhas de Deus» (v. 11). E esta transformação realizada pelo Espírito Santo reflecte-se na multidão que acorreu ao lugar, proveniente de «todas as nações que há debaixo do céu» (v. 5), para que cada um ouça as palavras dos Apóstolos como se fossem pronunciadas na própria língua (cf. v. 6).
Aqui há um primeiro efeito importante da obra do Espírito Santo que guia e anima o anúncio do Evangelho: a unidade, a comunhão. Em Babel, segundo a narração bíblica, tiveram início a dispersão dos povos e a confusão das línguas, fruto do gesto de soberba e de orgulho do homem que queria construir, somente com as suas forças e sem Deus, «uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus» (Gn 11, 4). No Pentecostes, estas divisões são superadas. Já não há orgulho em relação a Deus, nem fechamento de uns aos outros, mas abertura a Deus, saída para anunciar a sua Palavra: uma língua nova, do amor, que o Espírito Santo derrama nos corações (cf.Rm 5, 5); uma língua que todos podem compreender e que, acolhida, pode ser expressa em cada existência e cultura. A língua do Espírito, do Evangelho, é a língua da comunhão, que convida a superar fechamentos e indiferenças, divisões e oposições. Cada um deve perguntar: como me deixo guiar pelo Espírito Santo, de modo que a minha vida e o meu testemunho de fé seja de unidade e comunhão? Levo a palavra de reconciliação e amor, que é o Evangelho, aos ambientes onde vivo? Às vezes parece repetir-se hoje o que aconteceu em Babel: divisões, incapacidade de compreensão, rivalidades, inveja e egoísmo. Que faço na minha vida? Crio unidade ao meu redor? Ou divido com mexericos, críticas e inveja. O que faço? Pensemos nisto. Levar o Evangelho é anunciar e viver em primeiro lugar a reconciliação, o perdão, a paz, a unidade e o amor que o Espírito Santo nos dá. Recordemos as palavras de Jesus: «Disto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35).
Um segundo elemento: no dia de Pentecostes Pedro, cheio de Espírito Santo, põe-se de pé «com os Onze» e «em voz alta» (Act 2, 14) e «com franqueza» (v. 29) anuncia a boa notícia de Jesus, que deu a sua vida pela nossa salvação e que Deus ressuscitou dos mortos. Eis outro efeito da obra do Espírito Santo: a coragem de anunciar a novidade do Evangelho de Jesus a todos com franqueza (parrésia), em voz alta, em todos os tempos e lugares. E isto verifica-se também hoje para a Igreja e para cada um de nós: do fogo de Pentecostes, da obra do Espírito Santo, libertam-se sempre novas energias de missão, outros caminhos para anunciar a mensagem de salvação e nova coragem para evangelizar. Nunca nos fechemos a esta acção! Vivamos com humildade e coragem o Evangelho! Testemunhemos a novidade, a esperança e a alegria que o Senhor traz à vida. Sintamos em nós «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Porque evangelizar, anunciar Jesus, nos dá alegria; ao contrário, o egoísmo dá-nos amargura, tristeza, desânimo; evangelizar anima-nos.
Menciono só um terceiro elemento, mas que é particularmente importante: uma nova evangelização, uma Igreja que evangeliza, deve começar sempre a partir da oração, do pedir, como os Apóstolos no Cenáculo, o fogo do Espírito Santo. Só a relação fiel e intensa com Deus permite sair dos próprios fechamentos e anunciar o Evangelho com parrésia. Sem a oração, o nosso agir torna-se vazio e o nosso anunciar não tem alma e não é animado pelo Espírito.
Caros amigos, como afirmou Bento XVI, hoje a Igreja «sente sobretudo o vento do Espírito Santo que nos ajuda, nos mostra o caminho recto; e assim, com novo entusiasmo, estamos a caminho e damos graças ao Senhor» (Saudação à Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 27 de Outubro de 2012). Renovemos cada dia a confiança na acção do Espírito Santo, a confiança de que Ele age em nós, está dentro de nós e nos dá o fervor apostólico, a paz e a alegria. Deixemo-nos guiar por Ele, sejamos homens e mulheres de oração, que testemunham o Evangelho com coragem, tornando-nos no nosso mundo instrumentos da unidade e da comunhão com Deus. Obrigado!


Fonte: Santa Sé