segunda-feira, 13 de maio de 2013

Palavras do Papa na Recitação do Rosário

ORAÇÃO DO SANTO ROSÁRIO
PALAVRAS DO SANTO PADRE FRANCISCO
Basílica Papal de Santa Maria Maior 
Sábado, 4 de Maio de 2013

Agradeço ao Eminentíssimo Senhor Arcipreste desta Basílica as palavras proferidas no início. Estou-lhe grato, irmão e amigo, pela amizade que nasceu naquele país no fim do mundo. Muito obrigado! Agradeço a presença do Senhor Cardeal Vigário, dos Senhores Cardeais, Bispos e Sacerdotes. E agradeço a vós, irmãos e irmãs, que hoje viestes rezar a Nossa Senhora, à Mãe, à Salus Populi Romani, pois esta tarde estamos aqui diante de Maria. Rezamos sob a sua guia maternal, para que nos leve a estar cada vez mais unidos ao seu Filho Jesus; oferecemos-lhe as nossas alegrias e os nossos sofrimentos, as nossas esperanças e as nossas dificuldades; invocamo-la com o bonito título de Salus Populi Romani, pedindo para todos nós, para Roma, para o mundo, que nos conceda a saúde. Sim, porque Maria nos dá a saúde, é a nossa saúde.
Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo traz-nos a salvação, infunde-nos a graça e a alegria de ser filhos de Deus, de lhe chamar verdadeiramente com o nome de Pai. Maria é mãe, e uma mãe preocupa-se sobretudo com a saúde dos seus filhos, sabe cuidar dela sempre com amor grande e terno. Nossa Senhora preserva a nossa saúde. O que significa isto, que Nossa Senhora preserva a nossa saúde? Penso principamente em três aspectos: ajuda-nos a crescer, a enfrentar a vida e a ser livres; ajuda-nos a crescer, ajuda-nos a enfrentar a vida, ajuda-nos a ser livres.
Uma mãe ajuda os filhos a crescer e deseja que cresçam bem; por isso, educa-os a não cederem à preguiça - que deriva inclusive de um certo bem-estar - a não se abandonar a uma vida confortável, que se contenta simplesmente com os objectos. A mãe cuida dos filhos para que cresçam cada vez mais, cresçam fortes e se tornem capazes de assumir responsabilidades, de se comprometer na vida e de propender para grandes ideais. O Evangelho de São Lucas recorda que, na família de Nazaré, Jesus «crescia e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava sobre Ele» (Lc 2, 40). Nossa Senhora realiza precisamente isto em nós, ajuda-nos a crescer humanamente e na fé, a ser fortes e a não ceder à tentação de ser homens e cristãos de modo superficial, mas a viver com responsabilidade, a tender sempre cada vez mais para o alto.
Além disso, uma mãe pensa na saúde dos filhos, educando-os também para enfrentar as dificuldades da vida. Não se educa, não se cuida da saúde evitando os problemas, como se a vida fosse uma auto-estrada sem obstáculos. A mãe ajuda os filhos a ver com realismo os problemas da vida e a não se perder neles, mas a enfrentá-los com coragem, a não ser frágeis e a sabê-los superar, num equilíbrio sadio que uma mãe «sente» entre os âmbitos de segurança e as áreas de risco. E uma mãe sabe fazer isto! Não leva sempre o filho pelo caminho da segurança, porque desta forma o filho não pode crescer, mas também não o deixa unicamente na vereda do risco, porque é perigoso. Uma mãe sabe equilibrar as coisas. Uma vida sem desafios não existe, e um jovem ou uma jovem que não sabe enfrentá-los, pondo-se em jogo, é um jovem e uma jovem sem espinha dorsal! Recordemos a parábola do bom samaritano: Jesus não propõe o comportamento do sacerdote e do levita, que deixam de socorrer aquele homem vítima dos salteadores, mas do samaritano, que vê a situação daquele homem, enfrentando-a de maneira concreta, até com riscos. Maria viveu muitos momentos não fáceis na sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando «não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7), até ao Calvário (cf. Jo 19, 25). E como uma boa mãe permanece próxima de nós, para que nunca percamos a coragem diante das adversidades da vida, perante as nossas debilidades e pecados: fortalece-nos e aponta-nos o caminho do seu Filho. Da Cruz, Jesus diz a Maria, indicando João: «Mulher, eis o teu filho!», e a João: «Eis a tua mãe!» (cf. Jo 19, 26-27). Naquele discípulo todos nós estamos representados: o Senhor confia-nos nas mãos cheias de amor e de ternura da Mãe, para que sintamos o seu apoio ao enfrentar e vencer as dificuldades do nosso caminho humano e cristão; para não termos medo das dificuldades e para as enfrentar com a ajuda da mãe.
Um último aspecto: uma boa mãe não só acompanha os filhos no crescimento, sem evitar os problemas e os desafios da vida; uma boa mãe ajuda também a tomar as decisões definitivas com liberdade. Isto não é fácil, mas uma mãe sabe fazê-lo. Mas o que significa liberdade? Sem dúvida, não é fazer tudo o que queremos, deixar-nos dominar pelas paixões, passar de uma experiência para outra sem discernimento, seguir as modas do tempo; liberdade não significa, por assim dizer, lançar da janela tudo o que não nos agrada. Não, a liberdade não é isto! A liberdade é-nos concedida para que saibamos fazer escolhas boas na vida! Como boa mãe, Maria educa-nos para sermos como Ela, capazes de fazer escolhas definitivas; escolhas definitivas, neste momento em que reina, por assim dizer, a filosofia do provisório. É muito difícil comprometer-se na vida de maneira definitiva. E Ela ajuda-nos a fazer escolhas definitivas com aquela liberdade integral e com a qual Ela mesma respondeu «sim» ao plano de Deus sobre a sua vida (cf. Lc 1, 38). Estimados irmãos e irmãs, como é difícil tomar decisões definitivas na nossa época. Para todos, com aquela liberdade integral com a qual respondeu «sim» ao plano de Deus sobre a sua vida (cf. Lc 1, 38).
Prezados irmãos irmãs, como é difícil tomar decisões definitivas no nosso tempo! O provisório seduz-nos. Somos vítimas de uma tendência que nos impele à provisoriedade... como se desejássemos permanecer adolescentes. É um pouco a fascinação de permanecermos adolescentes, e isto por toda a vida! Não tenhamos medo dos compromissos definitivos, das obrigações que abrangem e interessam a vida inteira! Deste modo, a vida será fecunda! E nisto consiste a liberdade: em ter a coragem de tomar decisões com grandeza.
Toda a existência de Maria é um hino à vida, um hino de amor à vida: gerou Jesus na carne e acompanhou o nascimento da Igreja no Calvário e no Cenáculo. A Salus Populi Romani é a mãe que nos concede a saúde no crescimento, que nos infunde a saúde ao enfrentar e resolver os problemas, que nos dá a saúde ao libertar-nos para as opções definitivas; a mãe que nos ensina a ser férteis, a permanecer abertos e a ser sempre fecundos de bem, de júbilo e de esperança, a nunca perder a esperança, a dar vida ao próximo, tanto vida física como espiritual.
É o que te pedimos esta tarde, ó Maria, Salus Populi Romani, para o povo de Roma, para todos nós: concede-nos a saúde que só tu podes doar-nos, para sermos sempre sinais e instrumentos de vida. Amém!

No final da celebração, do adro da Basílica, o Santo Padre dirigiu as seguintes palavras aos numerosos fiéis reunidos na praça.

Irmãos e irmãs
Boa tarde! Muito obrigado pela vossa presença na casa da Mãe de Roma, da nossa Mãe. Viva a Salus Populi Romani. Viva Nossa Senhora! Ela é a nossa Mãe. Confiemo-nos a Ela, para que nos salvaguarde como uma boa mãe. Rezo por vós, mas peço-vos que também vós oreis por mim, porque preciso de orações. Três «Ave-Marias» por mim. Desejo-vos um bom domingo, amanhã. Até à vista! Agora, concedo-vos a bênção - a vós e a todas as vossas famílias. Abençoe-vos o Pai Todo-Poderoso. Bom domingo!



Fonte: Santa Sé

Catequese do Papa: São José Operário

Papa Francisco
Audiência Geral
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 1º de maio de 2013

São José Operário

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, primeiro dia de maio, celebramos São José trabalhador e damos início ao mês tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora. Então, neste nosso encontro gostaria de meditar sobre estas duas figuras tão importantes na vida de Jesus, da Igreja e da nossa vida, com dois breves pensamentos: o primeiro sobre o trabalho, e o segundo sobre a contemplação de Jesus.
1. No Evangelho de São Mateus, no momento em que Jesus volta para o seu povoado, Nazaré, e fala na sinagoga, salientam-se o assombro dos seus compatriotas pela sua sabedoria, e a interrogação que levantam: «Não é ele o filho do carpinteiro?» (13,55). Jesus entra na nossa história, vem ao meio de nós, nascendo de Maria por obra de Deus, mas com a presença de São José, o pai legal que o protege e que lhe ensina também o seu trabalho. Jesus nasce e vive numa família, na Sagrada Família, aprendendo de São José a profissão de carpinteiro na oficina de Nazaré, compartilhando com ele o compromisso, o cansaço, a satisfação e também as dificuldades de cada dia.
Isto faz-nos pensar na dignidade e na importância do trabalho. O livro do Gênesis narra que Deus criou o homem e a mulher, confiando-lhes a tarefa de encher a terra e de a submeter, o que não significa explorá-la, mas cultivá-la, preservá-la e cuidá-la com a própria obra (cf. Gn 1,28; 2,15). O trabalho faz parte do plano de amor de Deus; nós somos chamados a cultivar e preservar todos os bens da criação, e deste modo participamos na obra da criação! O trabalho é um elemento fundamental para a dignidade da pessoa. Para usar uma imagem, o trabalho «unge-nos» de dignidade, enche-nos de dignidade; torna-nos semelhantes a Deus, que trabalhou e trabalha, agindo sempre (cf. Jo 5,17); doa-nos a capacidade de nos mantermos, a nós e à nossa família, de contribuir para o crescimento da própria Nação. E aqui penso nas dificuldades que hoje, em vários países, o mundo do trabalho e da empresa enfrenta; penso em quantos, e não apenas jovens, estão desempregados, muitas vezes por causa de um conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social.
Desejo dirigir a todos o convite à solidariedade, e aos responsáveis do governo, o encorajamento a fazer todos os esforços para dar um novo impulso ao emprego; isto significa preocupar-se pela dignidade da pessoa; mas, sobretudo, gostaria de dizer que não percam a esperança; também São José enfrentou momentos difíceis, mas nunca perdeu a confiança e soube superá-los, na certeza de que Deus não nos abandona. E depois gostaria de me dirigir especialmente a vós, rapazes e moças, a vós jovens: comprometei-vos no vosso dever quotidiano, no estudo, no trabalho, nas relações de amizade, na ajuda aos outros; o vosso futuro depende também do modo como souberdes viver estes anos preciosos da vossa vida. Não tenhais medo do compromisso, do sacrifício, e não olheis para o futuro com temor; mantende viva a esperança: há sempre uma luz no horizonte.
Acrescento uma palavra sobre outra particular situação de trabalho que me preocupa: refiro-me àquele que poderíamos definir como o «trabalho escravo», o trabalho que escraviza. Quantas pessoas, no mundo inteiro, são vítimas deste tipo de escravidão, em que é a pessoa que serve o trabalho, enquanto é o trabalho que deve oferecer um serviço às pessoas, para que tenham dignidade. Peço aos irmãos e às irmãs na fé, e a todos os homens e mulheres de boa vontade, uma opção decidida contra o tráfico de pessoas, no âmbito do qual se enquadra o «trabalho escravo».
2. Menciono o segundo pensamento: no silêncio do agir quotidiano, São José juntamente com Maria só têm um único centro comum de atenção: Jesus. Eles acompanham e e protegem, com compromisso e ternura, o crescimento do Filho de Deus que por nós se fez homem, meditando tudo o que acontecia. Nos Evangelhos, São Lucas sublinha duas vezes a atitude de Maria, que é também de São José: «Conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração» (2,19.51). Para ouvir o Senhor, é necessário aprender a contemplá-lo, a sentir a sua presença constante na nossa vida; é preciso parar e dialogar com Ele, reservar-lhe espaço mediante a oração. Cada um de nós, também de vós rapazes, moças e jovens, tão numerosos hoje de manhã, deveria interrogar-se: que espaço reservo ao Senhor? Paro para dialogar com Ele? Desde quando éramos crianças, os nossos pais acostumaram-nos a começar e a terminar o dia com uma oração, a fim de nos educar para sentir que a amizade e o amor de Deus nos acompanham. Recordemo-nos mais do Senhor durante os nossos dias!
E neste mês de maio, gostaria de evocar a importância e a beleza da prece do Santo Rosário. Recitando a Ave-Maria, somos levados a contemplar os mistérios de Jesus, ou seja, a meditar sobre os momentos centrais da sua vida a fim de que, como para Maria e São José, Ele seja o cerne dos nossos pensamentos, das nossas atenções e das nossas obras. Seria bom se, sobretudo neste mês de maio, recitássemos juntos, em família, com os amigos, na paróquia, o Santo Rosário ou alguma oração a Jesus e à Virgem Maria! A oração recitada juntos é um momento precioso para tornar ainda mais sólida a vida familiar, a amizade! Aprendamos a rezar mais em família e como família!
Caros irmãos e irmãs, peçamos a São José e à Virgem Maria que nos ensinem a ser fiéis aos nossos compromissos diários, a viver a nossa fé nos gestos de todos os dias, a reservar mais espaço ao Senhor na nossa vida e a pararmos para contemplar o seu Rosto. Obrigado!


Fonte: Santa Sé

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Novena de Pentecostes

"A Escritura atesta que que nos nove dias que separam a Ascensão de Pentecostes, os Apóstolos 'perseveraram em oração comum, junto com algumas mulheres - entre elas Maria, Mãe de Jesus - e com os os irmãos d'Ele' (At 1, 14), na espera de serem revestidos da força do alto' (Lc 24, 49). A prática de piedade da novena de Pentecostes , muito difundida no povo cristão, surgiu da reflexão sobre este evento  salvífico"
(Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia, n. 155).

Listamos abaixo os links para as orações da novena, que publicamos no último ano:











quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fotos do V Domingo da Páscoa no Vaticano

No último dia 28 de abril, V Domingo da Páscoa, o Santo Padre o Papa Francisco presidiu a Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, durante a qual administrou o Sacramento da Confirmação a 44 jovens de todo o mundo, por ocasião da peregrinação dos crismandos no Ano da Fé.

Concelebraram com o Santo Padre os Oficiais do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, cujo prefeito é o Arcebispo Rino Fisichella. Assistiram como cerimoniários os Monsenhores Guido Marini e Konrad Krajewski.

Seguem algumas fotos da celebração, publicadas pela Santa Sé:

Procissão de entrada
Saudação de D. Rino Fisichella
Incensação da imagem da Virgem Maria
Silêncio durante o Ato Penitencial
Evangelho

Homilia do Papa no V Domingo da Páscoa

SANTA MISSA E CRISMA
HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO
Praça de São Pedro
V Domingo de Páscoa, 28 de Abril de 2013

Amados irmãos e irmãs!
Queridos crismandos! Bem-vindos!
Gostaria de vos propor três pensamentos, simples e breves, para a vossa reflexão.
1.Na Segunda Leitura, ouvimos a estupenda visão de São João: um novo céu e uma nova terra e, em seguida, a Cidade Santa que desce de junto de Deus. Tudo é novo, transformado em bondade, em beleza, em verdade; não há mais lamento, nem luto... Tal é a acção do Espírito Santo: Ele traz-nos a novidade de Deus; vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos. O Espírito transforma-nos! E a visão de São João lembra-nos que todos nós estamos a caminho para a Jerusalém celeste, a novidade definitiva para nós e para toda a realidade, o dia feliz em que poderemos ver o rosto do Senhor – aquele rosto maravilhoso, tão belo do Senhor Jesus –, poderemos estar para sempre com Ele, no seu amor.
Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a acção contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá. Como seria belo se cada um de vós pudesse, ao fim do dia, dizer: Hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, realizei um gesto de amor por um colega meu, pelos meus pais, por um idoso. Como seria belo!
2. O segundo pensamento: na Primeira Leitura, Paulo e Barnabé afirmam que «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus» (Act 14, 22). O caminho da Igreja e também o nosso caminho pessoal de cristãos não são sempre fáceis, encontramos dificuldades, tribulações. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas zonas sombrias, os nossos comportamentos em desacordo com Deus e lave os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo, e dentro de nós, no coração. Mas, as dificuldades, as tribulações fazem parte da estrada para chegar à glória de Deus, como sucedeu com Jesus que foi glorificado na Cruz; aquelas sempre as encontraremos na vida. Não desanimeis! Para vencer estas tribulações, temos a força do Espírito Santo.
3. E passo ao último ponto. É um convite que dirijo a todos, mas especialmente a vós, crismandos e crismandas: permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam meter-nos medo, se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade com Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida. Isto é verdade mesmo, e sobretudo, quando nos sentimos pobres, fracos, pecadores, porque Deus proporciona força à nossa fraqueza, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado. O Senhor é tão misericordioso! Se vamos ter com Ele, sempre nos perdoa. Tenhamos confiança na acção de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!
Novidade de Deus, tribulação na vida, firmes no Senhor. Queridos amigos, abramos de par em par a porta da nossa vida à novidade de Deus que nos dá o Espírito Santo, para que nos transforme, nos torne fortes nas tribulações, reforce a nossa união com o Senhor, o nosso permanecer firmes n'Ele: aqui está a verdadeira alegria. Assim seja.


Fonte: Santa Sé

Catequese do Papa: "Virá de novo em sua glória"

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
No Credo professamos que Jesus «virá de novo na glória para julgar os vivos e os mortos». A história humana tem início com a criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus, e conclui-se com o Juízo final de Cristo. Esquecemo-nos muitas vezes destes dois pólos da história, e sobretudo a fé na vinda de Cristo e no Juízo às vezes não é muito clara e sólida no coração dos cristãos. Durante a vida pública, Jesus ponderou frequentemente sobre a realidade da sua última vinda. Hoje, gostaria de meditar sobre três textos evangélicos que nos ajudam a entrar neste mistério: das dez virgens, dos talentos e do Juízo final. Os três fazem parte do sermão de Jesus a respeito do fim dos tempos, no Evangelho de são Mateus.
Antes de tudo recordamos que, com a Ascensão, o Filho de Deus apresentou ao Pai a nossa humanidade, por Ele assumida, e quer atrair todos a Si, chamar o mundo inteiro a ser acolhido nos braços abertos de Deus a fim de que, no fim da história, a realidade inteira seja comunicada ao Pai. Porém, existe este «tempo imediato» entre a primeira vinda de Cristo e a última, que é precisamente o tempo que agora vivemos. É no contexto deste «tempo imediato» que se insere a parábola das dez virgens (cf. Mt 25, 1-13). Trata-se de dez donzelas que esperam a chegada do Esposo, mas ele atrasa e elas adormecem. Ao anúncio repentino que o Esposo está a chegar, todas se preparam para o receber, mas enquanto cinco delas, sábias, dispõem de óleo para alimentar as suas lâmpadas, as demais, imprudentes, permanecem com as lâmpadas apagadas porque não têm óleo; e enquanto o procuram, o Esposo chega e as virgens imprudentes encontram fechada a porta que introduz na festa nupcial. Batem à porta com insistência, mas já é tarde, e o Esposo responde: não vos conheço. O Esposo é o Senhor, e o tempo de espera da sua chegada é o tempo que Ele nos concede, a todos nós, com misericórdia e paciência, antes da sua vinda derradeira; é um tempo de vigilância; tempo em que devemos manter acesas as lâmpadas da fé, da esperança e da caridade, nas quais conservar aberto o coração para o bem, a beleza e a verdade; tempo para viver segundo Deus, pois não conhecemos nem o dia nem a hora da vinda de Cristo. É-nos pedido que estejamos preparados para o encontro - preparados para um encontro, um encontro bonito, o encontro com Jesus - que significa saber ver os sinais da sua presença, manter viva a nossa fé com a oração e com os Sacramentos, ser vigilantes para não adormecer, para não nos esquecermos de Deus. A vida dos cristãos adormecidos é triste, não é uma vida feliz. O cristão deve ser feliz, a alegria de Jesus. Não adormeçamos!
A segunda parábola, dos talentos, faz-nos meditar sobre a relação entre o modo como usamos os dons recebidos de Deus e a sua vinda, quando nos perguntará como os utilizámos (cf. Mt 25, 14-30). Conhecemos bem a parábola: antes de partir, o senhor confia a cada servo alguns talentos, a fim de que sejam usados bem durante a sua ausência. Ao primeiro dá cinco, ao segundo dois e ao terceiro um. No período de ausência, os primeiros dois servos multiplicam os seus talentos - trata-se de moedas antigas - enquanto o terceiro prefere enterrar o seu talento e restituí-lo intacto ao senhor. Quando regressa, o senhor julga a acção deles: elogia os primeiros dois, enquanto o terceiro é expulso para as trevas, porque teve medo e manteve escondido o talento, fechando-se em si mesmo. O cristão que se fecha em si próprio, que esconde tudo o que o Senhor lhe deu é um cristão... não é cristão! É um cristão que não dá graças a Deus por tudo o que recebeu! Isto diz-nos que a espera da volta do Senhor é o tempo da acção - nós vivemos no tempo da acção - o tempo no qual frutificar os dons de Deus, não para nós mesmos mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar fazer crescer sempre o bem no mundo. E em particular, nesta época de crise, hoje é importante não nos fecharmos em nós mesmos, enterrando o nosso talento, as nossas riquezas espirituais, intelectuais e materiais, tudo o que o Senhor nos concedeu, mas abrir-nos, ser solidários e atentos ao próximo. Vi que na praça há muitos jovens: é verdade? Há muitos jovens? Onde estão? A vós, que estais no início do caminho da vida, pergunto: pensastes nos talentos que Deus vos concedeu? Pensastes no modo como Não enterrai os talentos! Apostai em ideais grandes, nos ideais que ampliam o coração, nos ideais de serviço que fecundarão os vossos talentos. A vida não nos é concedida para que a conservemos ciosamente para nós mesmos, mas para que a doemos. Caros jovens, tende uma alma grande! Não tenhais medo de sonhar coisas grandes!
Enfim, uma palavra sobre o trecho do Juízo final, no qual se descreve a segunda vinda do Senhor, quando Ele julgará todos os seres humanos, os vivos e os mortos (cf. Mt 25, 31-46). A imagem utilizada pelo evangelista é a do pastor que separa as ovelhas dos cabritos. À direita são postos aqueles que agiram segundo a vontade de Deus, socorrendo o próximo faminto, sequioso, estrangeiro, nu, doente e prisioneiro - eu disse «estrangeiro»: penso nos numerosos estrangeiros que vivem aqui na diocese de Roma: que fazemos por eles? - e à esquerda estão quantos não socorreram o próximo. Isto diz-nos que nós seremos julgados por Deus segundo a caridade, segundo o modo como O tivermos amado nos nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e necessitados. Sem dúvida, devemos ter sempre bem presente que somos justificados e salvos pela graça, por um gesto de amor gratuito de Deus, que sempre nos precede; sozinhos, nada podemos fazer. A fé é antes de tudo um dom que recebemos. Mas para que dê fruto, a graça de Deus exige sempre a nossa abertura a Ele, a nossa resposta livre e concreta. Cristo vem trazer-nos a misericórdia de Deus que salva. É-nos pedido que confiemos n’Ele, correspondendo ao dom do seu amor com uma vida boa, feita de gestos animados pela fé e pelo amor.
Estimados irmãos e irmãs, nunca tenhamos medo de olhar para o Juízo final; ao contrário, que ele nos leve a viver melhor o presente. Deus oferece-nos este tempo com misericórdia e paciência, a fim de aprendermos todos os dias a reconhecê-lo nos pobres e nos pequeninos, de trabalharmos para o bem e de sermos vigilantes na oração e no amor. Que no final da nossa existência e da história o Senhor possa reconhecer-nos como servos bons e fiéis. Obrigado!


Fonte: Santa Sé

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fotos da Memória de São Jorge no Vaticano

No último dia 23 de abril, o Santo Padre o Papa Francisco presidiu a Celebração Eucarística na Capela Paulina do Palácio Apostólico, por ocasião da Memória Litúrgica de seu onomástico, São Jorge.

Concelebraram com o Santo Padre os Cardeais presentes em Roma e outros oficiais da Cúria Romana. Assistiram como cerimoniários os Monsenhores Guido Marini e Pier Enrico Stefanetti (Itália).

Seguem algumas fotos da celebração, publicadas pela Santa Sé:

Procissão de entrada

Incensação do altar

Saudação do Cardeal Decano