terça-feira, 17 de junho de 2014

A celebração da Solenidade de Corpus Christi

Com a proximidade da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), que neste ano comemora 750 anos de sua instituição, repostamos as orientações para a celebração desta festa, com algumas pequenas modificações:

O que se deve preparar:
  • Todo o necessário para a celebração da Missa (Na patena, uma hóstia a ser consagrada para a procissão);
  • Turíbulo com naveta do incenso e colher. Para a procissão, podem-se usar dois turíbulos (e duas navetas, se houver);
  • Cruz processional;
  • Dois a seis castiçais com velas;
  • Missal Romano;
  • Livro dos Evangelhos;
  • Sinetas;
  • Ostensório;
  • Capa pluvial e véu umeral (brancos/cor festiva);
  • Pálio, se houver;
  • Quatro ou seis tochas;
  • Texto da Bênção do Santíssimo Sacramento;
  • Teca (caso a Bênção seja dada fora da igreja).
Celebração Eucarística
A celebração inicia-se como de costume: procissão de entrada, incensação do altar e da cruz, sinal da cruz e saudação, ato penitencial, Glória e oração do dia.



A Liturgia da palavra faz-se igualmente como de costume, acrescentando-se, se for oportuno, a Sequência após a segunda leitura, sobre a qual já falamos aqui. A Sequência é recitada ou cantada por um leitor, do ambão ou de outro lugar oportuno, podendo-se utilizar a forma longa ou a forma breve, que constam no Lecionário. Durante a Sequência todos permanecem sentados.

A Liturgia Eucarística, até a Comunhão inclusive, faz-se como de costume. Ao Ofertório, é conveniente organizar uma procissão dos fieis que trazem ao altar os dons do pão e do vinho (entenda-se aqui apenas patena, âmbulas e galhetas). Da mesma forma, convém que nesta celebração todos possam receber a comunhão sob as duas espécies.



Procissão Eucarística
Após a comunhão dos fiéis, deixa-se sobre o altar o corporal estendido e a patena com a hóstia para a procissão. Um acólito traz ao altar o ostensório vazio, no qual o diácono ou o próprio sacerdote introduz respeitosamente a hóstia consagrada. Feita a devida genuflexão, o diácono ou o sacerdote retorna ao seu lugar. Recita-se a Oração pós Comunhão.

Após a oração, o sacerdote pode depor a casula e revestir o pluvial. Jamais se usa o pluvial sobre a casula!

Dirigindo-se à frente do altar, onde deve preparar-se um genuflexório, o sacerdote  impõe o incenso em um ou dois turíbulos, toma um turíbulo e incensa o Santíssimo Sacramento.


Em seguida, recebe o véu umeral, genuflete e toma o ostensório nas mãos cobertas com o véu, ajudado pelo diácono (se houver).

Tem início então a Procissão Eucarística, na seguinte ordem:
  • Cruciferário ladeado pelos acólitos com os castiçais de velas acesas;
  • Acólitos e demais ministros, com velas acesas nas mãos;
  • Diácono(s) e presbítero(s) concelebrante(s), se houver;
  • Turiferário(s) e naveteiro(s);
  • Sacerdote com o Santíssimo Sacramento, sob o pálio conduzido por alguns acólitos e ladeado por quatro ou seis acólitos com tochas acesas;
  • Fieis, que podem levar velas acesas nas mãos.

É conveniente que a procissão dirija-se de uma igreja a outra. Se não for possível, que retorne à mesma igreja ou ainda que se encerre em outro lugar digno, como em uma praça. Se for este o caso, que se prepare uma mesa ornada de toalha branca, de quatro ou seis castiçais com velas e de flores.

Durante a procissão, entoam-se cantos eucarísticos e proferem-se leituras e orações adequadas, que podem encontrar-se no Ritual intitulado “A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa”.

Pode-se parar durante a procissão nas chamadas “estações” (tradicionalmente em número de quatro) e inclusive dar a bênção eucarística. Conserve-se igualmente o costume de enfeitar as ruas do trajeto da procissão com tapetes, feitos dos mais diversos materiais.


Ao chegar ao altar da bênção, seja ele na igreja ou em outro lugar digno, o sacerdote coloca o ostensório sobre o altar ou mesa, depõe o véu umeral e ajoelha-se em um genuflexório preparado. Tendo todos também se ajoelhado, o sacerdote incensa o Santíssimo Sacramento enquanto entoa-se o hino “Tão Sublime Sacramento” (Tantum ergo):

Tão sublime Sacramento
adoremos neste altar
Pois o Antigo Testamento
deu ao Novo o seu lugar.
Venha a fé por suplemento
os sentidos completar.
Ao eterno Pai cantemos
e a Jesus o Salvador.
Ao Espírito exaltemos
na Trindade eterno amor.
Ao Deus uno e trino demos
a alegria do louvor. Amém.


Em seguida, ainda de joelhos, o sacerdote pode proferir a invocação: “Do céu lhes destes o Pão”, à qual a assembleia responde “Que contém todo sabor.

Em seguida levanta-se e profere esta oração ou outra das indicadas no Ritual:

Senhor Jesus Cristo, neste admirável Sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa Redenção. Vós que viveis e reinais para sempre. Amém.
(cf. A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, p. 60)

O sacerdote recebe então novamente o véu umeral e, dirigindo-se ao altar, toma o ostensório e traça com ele o sinal da cruz sobre o povo, em silêncio. Enquanto isso, o Santíssimo Sacramento é incensado e tocam-se as sinetas.


Após repor o ostensório sobre o altar, o sacerdote depõe o véu umeral, ajoelha-se novamente no genuflexório e pode dizer com o povo as seguintes orações, que não encontram-se no Ritual mas que já tornaram-se tradicionais:

Bendito seja Deus.
Bendito seja seu santo nome.
Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Bendito seja o nome de Jesus.
Bendito seja o seu sacratíssimo Coração.
Bendito seja seu preciosíssimo Sangue.
Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar.
Bendito seja o Espírito Santo Paráclito.
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Bendita seja a sua santa e Imaculada Conceição.
Bendita seja a sua gloriosa Assunção.
Bendito seja o nome de Maria, Virgem e Mãe.
Bendito seja São José, seu castíssimo esposo.
Bendito seja Deus nos seus anjos e nos seus santos.

Deus e Senhor nosso, protegei a vossa Igreja, dai-lhe santos pastores e dignos ministros. Derramai as vossas bênçãos sobre o nosso Santo Padre, o Papa, sobre o nosso (Arce)Bispo (e seu Bispo Auxiliar/seus Bispos Auxiliares), sobre o nosso pároco, sobre todo o clero, sobre o(a) chefe da nação e do Estado e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade, para que governem com justiça.
Dai ao povo brasileiro paz constante e prosperidade completa. Favorecei com os efeitos contínuos de vossa bondade o Brasil, este (arce)bispado, a paróquia em que habitamos, a cada um de nós em particular e a todas as pessoas por quem somos obrigados a orar, ou que se recomendaram às nossas orações. Tende misericórdia das almas dos fiéis que padecem no purgatório. Dai-lhes, Senhor, o descanso e a luz eterna. Amém.

Recita-se então um Pai Nosso, uma Ave Maria e a pequena doxologia (Glória ao Pai...) nas intenções do Santo Padre, o Papa.


Em seguida, o diácono ou o próprio sacerdote retira o Santíssimo Sacramento do ostensório e o repõe no sacrário. Se a celebração encerrou-se fora da igreja, o diácono ou o sacerdote põe a hóstia em uma teca e, revestido com o véu umeral, leva o Santíssimo Sacramento respeitosamente de volta à igreja, ladeado por ao menos dois acólitos com velas acesas.

A celebração encerra-se com a despedida do povo pelo sacerdote ou diácono e a procissão de saída, como na entrada. Se a celebração encerrou-se fora da igreja, os ministros retornam respeitosamente à igreja, levando consigo as alfaias.

REFERÊNCIAS:
Cerimonial dos Bispos (Tradução portuguesa da Edição Típica).
Missal Romano (Tradução portuguesa da 2ª Edição Típica para o Brasil).
Ritual Romano: A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa. (Tradução portuguesa da Edição Típica para o Brasil).

(As imagens são da Santa Missa e Procissão de Corpus Christi presididas pelo Papa Bento XVI em 07.06.2012, sendo esta a última celebração desta festa em seu pontificado)

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